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Você prefere ser amada ou manter uma relação estável com alguém?

Noivas fazem protesto na fontana de Trevi, em Roma, contra restrições a casamentos impostas por causa da pandemia - Anadolu Agency - 7.jul.2020/Getty Images
Noivas fazem protesto na fontana de Trevi, em Roma, contra restrições a casamentos impostas por causa da pandemia Imagem: Anadolu Agency - 7.jul.2020/Getty Images
Tia Má

Maíra Azevedo é mãe, ativista da luta antirracista e questionadora por existência e excelência. Integrante do time de consultores do Programa Encontro com Fátima Bernardes, na rede Globo, e autora do livro "Como se livrar de um relacionamento ordinário".

Colunista do UOL

13/07/2020 04h00

Ser amada ou manter uma relação estável com alguém? A pergunta pode parecer boba, e a reposta, óbvia. Mas não é. Mulheres não foram ensinadas a serem amadas, elas foram e são estimuladas a serem casadas. A manter uma relação a qualquer custo —e, quando decidem se separar, ainda hoje, são consideradas fracassadas, porque não conseguiram manter a família.

Mulheres têm a sua vida privada o tempo todo invadida. Na adolescência, ao apresentarem qualquer dom doméstico já avisam que estão prontas para casar, quando se tornam adultas querem saber se já arrumaram um pretendente para casar, quando estão namorando querem saber quando será o casamento e quando se casam, querem saber quando terão filhos. Ninguém pergunta se ela já amou ou foi amada. Se já descobriu o que a faz feliz. A felicidade da mulher não é questionada, ela precisa estar casada. E pronto!

E olha que estou me restringindo ao universo das mulheres heterossexuais e cis. Se fizermos um recorte de gênero e identidade, a perversidade é ainda mais acentuada. Acreditam que basta uma lésbica encontrar o cara certo para "tomar jeito". Muitos casamentos eram (e ainda são) arranjados para esconder a sexualidade de uma mulher, "para não envergonhar a família". E no caso das trans, muitas ainda precisam provar que são mulheres e devem ser vistas como tal.

Criaram uma estrutura social na qual a vida da mulher gira em torno do casamento. O seu principal sonho tem que ser trocar alianças com seu par. A felicidade vai ficando para trás.

Quantas mantêm uma relação falida apenas porque estão preocupadas com "o que os outros vão dizer"? E ainda tem os filhos. As crianças, que deveriam ser responsabilidade do casal, é a justificativa de muitas para manter a relação, para não ver os homens abandonarem os filhos também.

O peso nas costas da mulher é sempre maior. E mesmo o casamento sendo um fardo, se tornou um sonho. A questão não é se casar, encontrar alguém para chamar de par. O problema está na cobrança social que faz muitas mulheres trocarem a felicidade, a realização e o bem estar por alianças no altar. Da próxima vez, ao encontrar uma garota, não questione se ela já está pronta para casar, pergunte se ela já é feliz com suas próprias escolhas.