PUBLICIDADE

Topo

A dificuldade de viver plenamente ou por que não cremos que tudo dará certo

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Tia Má

Maíra Azevedo é mãe, ativista da luta antirracista e questionadora por existência e excelência. Integrante do time de consultores do Programa Encontro com Fátima Bernardes, na rede Globo, e autora do livro "Como se livrar de um relacionamento ordinário".

Colunista do UOL

03/08/2020 04h00

Autossabotagem! Não tem explicação para definir esse sentimento que insiste em nos rondar e faz a gente duvidar da felicidade. Crescemos ouvindo ditados populares que nos incentivam a incredulidade. "Alegria de pobre dura pouco", "Não há mal que sempre dure, não há bem que nunca se acabe", é como se fossem alertas para a gente não se empolgar, e isso reflete em nossos posicionamentos até hoje.

Já observou que quando estamos felizes demais começamos a ter a sensação de que algo de ruim vai acontecer? É como se a felicidade tivesse que ter prazo de validade e que a plenitude não tivesse espaço em nossas vidas.

Foi normalizado o estado permanente de tensão. Onde a gente já espera pela próxima tragédia. Lembro que sempre que estou feliz, eu já tenho a certeza de que algo ruim vai ocorrer. Não consigo lidar apenas com a realização. Eu não consigo acreditar que aquele bom momento terá longa duração, porque eu fui ensinada e até mesmo incentivada a ter certeza de que o que é bom dura pouco.

A tranquilidade é vista com desconfiança. E é aí que mora a autossabotagem. As suas conquistas são secundarizadas porque você precisa se preparar para a próxima batalha, para a guerra. E nessa luta incessante em ser forte, esquece de ser feliz, de se permitir saborear as conquistas diárias.

Isso não é um texto de auto-ajuda, é reflexão e consciência de uma mulher que de tanto lutar, de ficar satisfeita em ser guerreira, esqueceu de se permitir ser plenamente feliz.

O bom é que podemos fazer esse pacto com a felicidade todos os dias! E eu decidi que farei!

E vou logo te avisando, esse texto não é para fazer você acreditar que o mundo é um mar de rosas e que deve sair sorrindo para tudo. Vai ter intempéries, tensões, e vai seguir precisando se reinventar para conquistar seus desejos, mas, ao alcançar, se permita sorrir e celebrar. Não importa o tempo que durar, seja feliz, nem que seja por um segundo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.