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Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Não-monogamia: "A namorada do meu amigo está dando em cima de mim."

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Imagem: Pexels
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Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

10/07/2021 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Sou amigo de um cara há mais de 5 anos. Nessa pandemia, ele nos apresentou à namorada, que começou a morar com ele. Por sermos grandes amigos, nos vemos quase todos os finais de semana, para curtir e conversar. Entretanto, num desses dias, depois que haviam ido embora de minha casa, recebo uma mensagem da namorada, falando coisas como: "você não tá resistindo ao meu charme, né?". No primeiro momento, fiquei surpreso e cogitei ser uma brincadeira do meu amigo. Porém conforme conversei com ela, descobri que era um sentimento de irreverência à monogamia e todas suas correntes, e que ela estava realmente interessada por mim. Algum tempo se passa, e nós vamos conversando normalmente, porém eu alimentando a conversa, querendo entender o lado dela, e como eu conseguiria me encaixar na situação. Um dia ela diz querer conversar e eu topei, e ela veio sozinha em casa. Conversamos bastante, vimos um filme, começamos a dividir a coberta e a nos aproximar, mas foi isso. Eu namoro uma garota de outra cidade, e por causa disso nosso contato físico está mais restrito. Gosto muito dela, mas não entendo o por que eu não posso ter essa experiência com a namorada de meu amigo. O conselho que peço é: seria mais fácil conversar antes com minha namorada ou esperar algo de fato acontecer?
- A não-monogamia de Schrödinger

- Caro a não-monogamia de Schrödinger
Acho que a pergunta central aqui é: seu amigo sabe dessa irreverência (risos) da namorada dele em relação à monogamia? Porque em nenhum momento você disse que esse é um acordo dos dois, apenas que é uma ideia dela. Há milhares de arranjos possíveis dentro de um relacionamento (monogâmico ou não), mas, via de regra, o certo é que todos estejam cientes deles. Sabemos que a namorada do seu amigo está em um relacionamento não-monogâmico, mas não se o seu amigo o está. Tampouco sabemos se essa não-monogamia se estende a pessoas tão próximas quanto você. Outra coisa que eu e você sabemos é que você já tomou a decisão de ficar com essa menina, por isso mesmo seria esperto você sondar que tipo de reação poderá esperar do seu grande amigo. Sobre a sua namorada: a dúvida aqui é se você quer abrir o relacionamento (o que inclui liberá-la para que ela também fique com outras pessoas) ou apenas traí-la. Não conheço a sua namorada, então não faço a mínima ideia de como ela reagiria à primeira proposta, mas eu sei bem como as pessoas reagem à segunda: nada bem.

Minha família sempre foi disfuncional. Mãe com problemas mentais e alcoólatra, pai omisso e irmãs com sérios problemas psicológicos. Sempre cuidei de todos como pude, cheguei a pagar todas as contas de casa e aluguel aos 17 anos. Minha mãe sempre deu trabalho, pois devido à sua doença mental, não conseguia ser sociável e às vezes era até agressiva. Passados 15 anos, meus pais já faleceram e passei a cuidar de minhas duas irmãs. Uma delas casou, a caçula ainda mora comigo. Ela teve 2 filhos que moram com avós (pais do pai, que também tem problemas mentais ). Os avós são idosos e já não têm força para cuidar deles e eles me pedem ajuda para criá-los. De novo, ajudo como posso. Estou para casar e meu noivo tem sérias ressalvas para deixar minha irmã caçula morar conosco. Sinto que não estou vivendo minha vida, pois desde que me entendo por gente, tenho que lidar com familiares com transtornos mentais. Não quero abandonar ninguém, mas não sei mais o que fazer.
- Dona do hospício

- Cara dona do hospício
Sinto que você está me escrevendo para pedir autorização para priorizar a sua vida em relação às dos outros à sua volta, então toma aqui: está na hora de você priorizar a sua vida. Você parece ser uma pessoa dedicada, responsável, ajustada e, contra tudo e contra todos, altamente funcional. Você merece ser feliz e se isolar um pouco dos problemas ao seu redor. Acho o pedido do seu noivo, de não deixar a sua irmã caçula morar com vocês recém-casados, bem razoável. Não sei são quais as chances do seu casamento dar certo se você se dedicar mais a todo o resto do que a ele. Isso não quer dizer que você vai virar as costas e abandonar a sua irmã à própria sorte, quer dizer apenas que você não consegue fazer mais agora. Você pode continuar dando apoio emocional, por exemplo, que não é pouca coisa, sem necessariamente oferecer um teto. Vai ser difícil, mas acho que vai ser bom. Pela sua descrição, está todo mundo na sua família vivendo no limite - e você também chegou no seu. Não tem nada de errado nisso.

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