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Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Não era o combinado, mas me apaixonei pela minha ficante. E agora?"

Homem cansado sentado na cama - Koldunova_Anna/Getty Images/iStockphoto
Homem cansado sentado na cama Imagem: Koldunova_Anna/Getty Images/iStockphoto
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Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

30/04/2021 04h00

Eu estava ficando com uma pessoa durante 10 meses, e estava maravilhoso, tínhamos aquela relação de "tratar ficante como namorados", e inesperadamente, após o ano novo, as coisas mudaram e ela ficou "fria". A pessoa sempre me disse que "não estava pronta para relacionamento" e respeitei isso, até descobrir que ela estava saindo com outra pessoa. Aí acabei surtando. Acontece que estou perdidamente apaixonado pela pessoa e, sim, eu queria ter um relacionamento com ela e tenho medo que ela possa engatar um relacionamento com outras pessoas. Agora nos afastamos, porque ela me disse - e até concordo - que invadi o espaço dela e isso não era justo. Me ajuda, largo tudo ou fico correndo atrás na esperança de que um dia as coisas mudem? E se for dar um tempo, quanto tempo?
- Não sei se vou ou se fico
- Caro não sei se vou ou se fico
Pela sua descrição dos acontecimentos, não me parece que você e a sua pessoa amada estejam sintonizados. Ainda assim, considerando que vocês têm uma relação de 10 meses, acho que você precisa dar uma última investida nessa relação - por meio da sinceridade. Em vez de ficar tentando adivinhar o que se passa dentro da cabeça dela ou ficar interpretando dicas que ela deu no último semestre, chegou a hora de se abrir. Vai ser assustador, mas diga com todas as letras que você se apaixonou - que não era essa a intenção no começo, mas que ninguém controla essas coisas. E então pergunte se ela sente o mesmo, e se estaria pronta para um relacionamento. Você pode dizer que ela não precisa responder na hora - talvez ela seja pega de surpresa. Pode ser que ela esteja sentindo o mesmo por você. Mas, se não for o caso, você já sabe o que fazer: seguir em frente.

Olá, tudo bem? Tenho um problema. Conheço um cara há alguns anos, que se mudou para longe e agora voltou. Começamos a sair e nos víamos todos os dias, mas ele foi embora novamente, e está em outra cidade. Já fui para lá, onde ele mora com a mãe e a irmã, e ele também vem para cá. Mas agora isso não acontece há 2 meses, pois ele anda recebendo pouco e tem muitas contas para pagar. Ele está sem dinheiro, o celular quebrou, e precisa usar o número da mãe para me ligar. Ou então nos falamos pelo Instagram quando ele vai trabalhar. Ele já foi noivo, mas foi traído e tem muitos traumas. Somos muito amigos também e eu gosto dele, mas ele é traumatizado e a vida dele é uma bagunça. Acho que ele nem teria cabeça para namorar comigo agora. Ele é inseguro e não se acha bom o bastante em nenhum sentido. (Realmente, tem outros caras mais bonitos.) Ele é depressivo e eu tenho problemas de ansiedade. Já fiz muito por ele e ele por mim. Ele é incrível, mas não sei se insisto ou desisto disso.
- Figurinha premiada

- Cara figurinha premiada
A sua carta tem tantas reviravoltas e contratempos que eu fiquei tonta. Eu não consegui entender exatamente como é esse rapaz ou quais são as qualidades dele (tudo que você diz é que ele já fez muito por você - mas o quê, exatamente?). Em contrapartida, sei com detalhes cada dificuldade e problema que ele está enfrentando. Obviamente, ele não tem culpa por não ter dinheiro para te visitar. Você também menciona os traumas do passado e uma depressão, que podem ser fatores complicadores. No fundo, me parece que nenhum de vocês está 100% convicto que esse relacionamento pode vingar. Mas nem todos os relacionamentos precisam terminar em casamento e lápide conjuntas - às vezes eles ficam nesse meio termo, meio se arrastando, até se ajeitarem ou definhar de vez. Cabe a você decidir quanto tempo quer viver assim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL