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Se Conselho Fosse Bom

"Estou tendo um caso com a minha sogra. E agora?"

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Imagem: iStock
Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista do UOL

20/11/2020 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Tenho uma situação da qual não sei como sair. A minha mulher, por problemas graves de saúde e após a menopausa, não faz sexo há mais de oito anos comigo. A minha sogra ficou viúva e veio viver na nossa casa. A sogra tem 67 anos, tem um corpo invejável, porque trabalha o corpo e é muito cuidadosa na alimentação. Em resumo, tem um aspecto melhor que a minha mulher e é muito provocante. Há uns quatro anos, após uma conversa sobre viuvez e sexo, me disse que não conseguia ficar por ali e que cada vez mais sentia necessidade de se satisfazer sexualmente. Infelizmente, a minha mulher teve que ser internada e a minha sogra um dia à noite veio se meter na minha cama, pois tanto ela como a filha têm um medo terrível de trovoada. Estávamos sozinhos. No meio da noite acordei com ela a se masturbar e a me segurar o pênis. Foi uma noite de delírio e até hoje ela não me larga um único dia, sempre que a filha sai ou é internada. Moralmente me sinto mal e ela diz que não fazemos nada de errado, pois pior seria eu andar por fora a arranjar consolo, como foi durante alguns anos antes de ela vir lá para casa. A minha sogra é uma mulher que qualquer homem gostaria de ter na cama e, como tem uma boa aposentadoria e bastante dinheiro, está sempre a nos comprar coisas caras, como um apartamento na praia e um SUV da BMW. A minha mulher não desconfia de nada porque em casa é tudo normal e desde sempre tive muita afinidade com a minha sogra. Não sei o que fazer, pois ela me completa em termos de sexo e temos uma cumplicidade muito grande.
- Genro do ano

- Caro genro do ano
Em casos assim, em que um dos cônjuges já não sente carinho e consideração pelo outro e está completamente envolvido com outra pessoa, eu costumo aconselhar que o casal se separe --embora a doença debilitante da sua esposa complique esse cenário. Agora, o que está acontecendo com a sua sogra é uma das piores traições que podem existir. Nem é preciso explicar por quê. A sua esposa está sendo traída --não só sexualmente, mas afetivamente também-- pelas duas pessoas mais importantes da vida dela. Talvez o que a mãe dela esteja fazendo seja ainda mais grave do que a sua atitude. Não faz o menor sentido o que a sua sogra alega: é claro que seria mil vezes melhor você ter tido um caso com qualquer outro ser humano no planeta do que com a própria mãe da sua esposa. Em uma situação como essa, em que você está há oito anos sem fazer sexo com a sua mulher, e em que você virou praticamente um cuidador dela, você se envolver com outras pessoas não seria a coisa mais grave do mundo. Mas com a sogra, não. Em um cenário perfeito, você e a sua sogra desapareceriam da vida da sua esposa --de preferência cada um para um canto. Mas a sua mulher é alguém que precisa de cuidados e que está com a saúde muito debilitada, então deixá-la sozinha não é uma opção. Sugiro que você pare imediatamente de se relacionar com a sua sogra. Aproveite que ela tem tanto dinheiro e mande-a morar na casa da praia, na SUV da BMW, em qualquer lugar. E que você procure terapia para ontem para começar a lidar, e a consertar, com essa lama toda.

Vou viajar com minha família e uma família de amigos. Ocorre que o pessoal é do tipo grudento que quer fazer tudo junto e marcar o mesmo voo, hotel, dividir aluguel de carro, passeios? Temos nossas próprias idiossincrasias (somos chatos mesmo): hora de acordar, comer, dormir. Na verdade, eu já tinha combinado com meu marido de nunca mais viajarmos todos juntos com amigos, mas de "encontrarmos" os amigos, "se der". Já pensamos em desistir, mas queremos viajar e gostamos deles e da companhia, só que fazer tudo junto não é com a gente. Qual o melhor jeito de descolar desse problema com respeito e educação e sem acabar com a amizade nem antes, nem durante a viagem?
- Antiaderente

- Cara antiaderente
Não é chatice querer fazer as coisas no seu ritmo, ou não concordar com outras dez pessoas sobre qual é o melhor programa a ser feito em cada um dos dias das férias. Agora, não tem como você ter as férias que você deseja sem deixar claro que você e o seu marido gostariam de fazer coisas sozinhos. Seja bem gentil e conciliatória. Se for preciso, diga que você tem as suas manias mesmo e que precisa ficar em outro hotel/viajar num outro dia/comer em outro restaurante. De preferência, diga quais são os seus planos e sugira que vocês se encontrem de noite, ou para o almoço, ou que façam um ou outro passeio juntos --dê opções concretas. É provável que você seja chamada de chata por alguma pessoa dessa turma de monosseres. Aprenda a conviver com isso. Mas lembre-se: obrigar todo mundo a fazer tudo junto o tempo todo --isso, sim, é a maior chatice que existe.

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.