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Quem decide ter um animal de estimação precisa saber que é para vida toda

Esse é o Cão, meu cachorro comedor de zíper que eu amo - Maqui Nóbrega
Esse é o Cão, meu cachorro comedor de zíper que eu amo Imagem: Maqui Nóbrega
Maqui Nóbrega

Maqui Nóbrega é designer, produtora de conteúdo para internet, feminista, gorda, um pouco chata, bastante legal e nada romântica.

Colunista do UOL

22/09/2020 04h00

No final de semana, eu tive um dia de trabalho fora de casa pela primeira vez desde março. Fui na casa da minha sócia produzir um vídeo longo, que demora muitas horas para ser gravado, e fazia sete meses que eu não deixava meu cachorro, o Cão (sim, é o nome dele), sozinho em casa por tanto tempo.

Tenho uma câmera de segurança para ficar vendo o que ele faz enquanto eu não estou e tive que parar a gravação no meio, pegar o carro e ir correndo para casa casa porque vi que ele estava destruindo alguma coisa que eu não consegui identificar o que era! Spoiler: era um nécessaire de viagem com escova de dente, lencinho demaquilante, cabo de celular, escova de cabelo, caneta... Ele destruiu tudo! E esse foi só um dos episódios de destruição no seriado-da-minha-vida-pós-chegada-de-um-filhotão-de-cachorro.

Eu adotei o Cão em dezembro, quando minha mãe o encontrou sozinho na beira de uma estrada. Ele chegou aqui em casa com três meses de idade e eu logo me apaixonei! Coisa mais fácil se apaixonar por um filhote, né? Mas eu pensei por muuitos dias antes de finalmente decidir ficar com ele, porque sabia que minha vida teria que mudar bastante.

Logo que ele veio, contratei um adestrador. Minha ideia era fazer o possível para que ele fosse sociável, corajoso, independente, companheiro de qualquer rolê e amigo das minhas três gatas. Então, veio a hora de adaptar minha casa casa pra recebê-lo: tive que botar um portãozinho em um dos quartos para que as gatas pudessem escapar daquela energia de filhote. Também comprei móveis para botar no alto a comida das bichinhas, senão ele devorava tudo. Plantas bonitas perto do chão? Esquece! As portas dos banheiros nunca mais puderam ficar abertas, cabos e fios expostos foram banidos da residência e minha bagunça teve que ir para lugares que ele não alcançava.

Aí vieram as primeiras consultas na veterinária, todas as vacinas, exames e remédios - por conta de um probleminha de pele que ele teve no começo da vida - banhos, coleira, roupinhas para o frio, aspirar o chão de casa todo dia porque ele solta pelos, creche e hotelzinho quando eu for viajar, ração boa, brinquedos, descer para passear, dar atenção quando ele está cheio de energia, chinelos destruídos e a vez em que ele comeu um zíper!!! Ufa, ter cachorro dá um baita trabalho e custa dinheiro.

Eu acho que quase ninguém fala sobre isso! E é por isso que tanto cachorro é abandonado porque "chora demais", "roeu meu móvel", "achei que ele seria mais manso", "vou ter que me mudar". Alô, abandono animal é crime, viu? Não seja essa pessoa uó! Eu fico puta quando leio/vejo esse tipo de coisa porque se você escolheu ter um bicho, você PRECISA saber que ele é para vida toda.

E precisa saber que ele vai ter a personalidade dele, não a que você espera que ele tenha. Aliás, fica a dica, se você quer adotar (comprar nunca, hein) um animal e já ter uma boa ideia de como ele é, adote um adulto! Eles geralmente ficam esquecidos nos abrigos, merecem tanto amor quanto os filhotes, e o processo vai ser bem mais fácil pra você. Agora, se você não está preparado para lidar com os imprevistos e surpresas de ter um cachorro, NÃO ADOTE.

O amor que eu sinto pelo Cão é muuito maior do que qualquer irritação que eu tenha com ele, e olha que tem dias em que eu penso "carai, onde eu tava com a cabeça de adotar um cachorro?". Eu tenho uma grande trava de abrir mão das minhas coisas por um boy, mas pelo Cão, tô pronta pra fazer qualquer adaptação e o motivo é simples: ele não escolheu estar aqui. Você é o guia do seu bicho pela vida, então seja um guia legal e tenha responsabilidade.

Adote! Mas pense nisso tudo antes. Nada pior do que levar um cachorro pra casa, dar amor e depois devolvê-lo ao abandono. Você não quer ser essa pessoa horrível, né?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.