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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Orgasmos noturnos femininos: o que os aciona é incógnita, mas há pistas

O que sabemos é que o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais aumenta durante o sono REM - Getty Images
O que sabemos é que o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais aumenta durante o sono REM Imagem: Getty Images

Colunista de Universa

11/12/2021 04h00

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Você acorda com o corpo tendo espasmos, contrações genitais, respiração acelerada e quem sabe gemendo? Diferentemente dos orgasmos masculinos —conhecidos como "sonhos úmidos"—, nem sempre as mulheres molham suas roupas íntimas ou os lençóis, o que não significa que os orgasmos femininos durante o sono sejam menos intensos.

Em 1953, nas pesquisas de Alfred Kinsey, cerca de 40% das mulheres afirmaram sentir orgasmos durante o sono. Talvez muitas respondentes não os tenham reconhecido, ainda mais naquela época, quando as mulheres tinham menos conhecimento e autonomia sexual.

Normalmente acordamos quando estamos prestes a ter um orgasmo e, dependendo do quanto ele nos desperta, é possível reconhecer a sensação de bem-estar. Nem sempre somos capazes de nos lembrar de um sonho erótico e, embora muitos orgasmos aconteçam livres de qualquer estimulação genital —e também de sonhos eróticos—, é também possível que você tenha se masturbado dormindo.

O que sabemos é que o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais aumenta durante o sono REM (sonho), da mesma forma que ocorre quando a mulher está acordada. O que aciona o orgasmo noturno, especificamente, ainda é uma incógnita. Pode ser que o aumento de fluxo sanguíneo seja interpretado pelo cérebro como excitação e que, tendo um orgasmo, ele nos forneceria um sonho erótico, ou o seu inverso —ao se ter um sonho erótico o cérebro ativaria a resposta orgástica.

Sabemos até o momento que a testosterona e o estrogênio têm alguma influência nos orgasmos noturnos femininos, mas também há relatos de orgasmos noturnos em mulheres na pós-menopausa, que não fazem terapia de reposição hormonal (TRH).

De qualquer forma, eu suspeito também que haja um outo fator importante. Durante a vigília, nossa consciência ativa uma série de mecanismos de defesa do ego e os pensamentos são uma tormenta constante.

Sentimentos de culpa, censura, urgências cotidianas, percepção rebaixada da autoestima e da autoimagem, tudo isso dificulta a entrega para a experiência sensorial de prazer.

Embora a censura e as defesas também estejam presentes durante o sono representadas nos sonhos, por símbolos, personagens e narrativas, ainda assim há um rebaixamento da consciência que deixa mais fluida a conexão do sistema de regulação da resposta sexual, quase uma "ligação direta", favorecendo os orgasmos noturnos.

De qualquer modo, sabe-se que a valorização do sexo como uma experiência positiva e prazerosa é o que mais favorecerá orgasmos, independente do período de seu dia, então o trabalho de autoconhecimento e de permissão ao prazer deve ser fundamental e uma constante sempre. Aproveite.