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Rússia usou míssil hipersônico contra Ucrânia; como funciona essa arma?

Um míssil hipersônico Kinzhal sendo transportado por um caça MiG-31K durante desfile militar realizado na Rússia em 2018 - Secretaria de Imprensa da Rússia/Wikimedia
Um míssil hipersônico Kinzhal sendo transportado por um caça MiG-31K durante desfile militar realizado na Rússia em 2018 Imagem: Secretaria de Imprensa da Rússia/Wikimedia

Barbara Mannara

Colaboração para Tilt, do Rio de Janeiro

21/03/2022 17h44

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter usado um míssil hipersônico na guerra contra a Ucrânia. A arma, chamada de "Kinzhal", teria destruído um depósito subterrâneo de armas, além de armazenamentos de combustíveis ucranianos, a oeste do país. O uso do míssil foi anunciado por representantes de Moscou na última semana.

Considerado mais destruidor do que um míssil comum, o míssil hipersônico tem um detalhe alarmante: ele é quase impossível de ser captado por radar. O ataque fica "indetectável" por conta das suas características de voo, com alta velocidade e baixa altitude.

Com isso, vem um problema maior: seu alvo acaba ficando desconhecido até que seja tarde demais — ou quase. Aliando sua estrutura veloz com a capacidade de manobrar para alcançar o objetivo, a arma se torna ainda mais imbatível.

Rompendo a velocidade do som

Um míssil hipersônico tem esse nome por viajar a uma velocidade maior que a do som. A viagem de uma arma dessa potência alcança aproximadamente cinco vezes a velocidade do som — cerca de 6.100 km/h.

Mesmo que um sistema de defesa detectasse o míssil hipersônico a cerca de 160 quilômetros (100 milhas) de distância, o tempo de reação seria de apenas um minuto. Para combatê-lo, seria necessário impedir o lançamento ou enviar uma outra arma de ataque em seu caminho.

Mas o Kinzhal — que significa "adaga", em russo —, como seu nome já adianta, pode ser bem mais letal. Isso porque a arma apresenta configurações ainda mais potentes do que outros mísseis hipersônicos. Ela é capaz de alcançar uma velocidade de até 12.350 km/h, com alcance de 2.000 km.

Diferentemente de mísseis comuns, que seguem uma rota pré-definida antes do disparo, o hipersônico pode realizar manobras durante o trajeto. O Kinzhal especificamente ainda pode transportar uma ogiva nuclear. Ele tem 8 metros de comprimento e pode ser transportado em caças russos do tipo MiG-31K.

Inclusive, há relatos de que caças desse modelo foram enviados para Kaliningrado — que fica entre a Polônia e a Lituânia — deixando várias capitais europeias ao alcance do raio de uma hipotética explosão por ali, segundo a BBC.

Fora dos radares

Uma das características de combate desse tipo de arma é sua capacidade de "burlar" os radares. O míssil hipersônico é tão rápido que forma um tipo de nuvem de plasma na frente do seu trajeto, por conta da pressão do ar. Essa massa absorve as ondas de rádio, tornando-o praticamente invisível para os radares ativos.

Para você ter uma ideia, os sistemas mais avançados de detecção de mísseis dos EUA, por exemplo, precisam de até 10 segundos para conseguir tomar uma ação frente a um ataque. Nesse pouquíssimo tempo, um míssil hipersônico já teria percorrido 20 quilômetros no território em direção ao seu alvo.

Guerra hipersônica

O presidente russo, Vladimir Putin, já afirmou que o país tem também em seu arsenal o míssil hipersônico Avangard (ou Vangard). A arma foi apresentada há quatro anos como parte de um pacote de "armas invencíveis", ao lado dos mísseis hipersônicos Zirkon e Kinzhal.

A diferença é que o Avangard é muito mais veloz do que seu modelo-irmão utilizado pela Rússia contra a Ucrânia na semana passada, alcançando até 20 vezes a velocidade do som — cerca de 24.500 km/h.

Segundo Dominika Kunertova, do Centro de Estudos de Segurança de Zurique, na Suíça, o uso desse tipo de míssil pela Rússia se trata de uma demonstração de exibicionismo:

"Mesmo que seja usado, devemos considerá-lo como um evento isolado, porque a Rússia não possui um grande número desses mísseis", disse Kunertova, em entrevista à rede britânica BBC.

A Rússia não é a única nessa corrida balística. Estados Unidos, China e Coreia do Norte também vêm desenvolvendo armas hipersônicas. A China, inclusive, realizou um teste de arma hipersônica em agosto do ano passado. A Coreia do Norte também não está muito atrás e fez um teste em 2022.