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Como WhatsApp descobre spam no aplicativo sem ler suas mensagens

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Imagem: Reprodução

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

11/01/2022 04h00

O WhatsApp identifica spam nas conversas e diz que remove milhões de mensagens por mês do mensageiro. Mas como ele faz isso sem ler nossas conversas? A empresa explica que 75% do lixo eletrônico é detectado por algoritmos de aprendizado de máquina treinados para detectar quem desrespeita as normas da plataforma.

A criptografia total das conversas não é afetada por esse sistema. O sistema não lê o conteúdo da mensagem, mas mira as ações, como a taxa de mensagens enviadas e os dados por trás do envio.

A companhia usa três momentos principais para identificar possíveis spammers:

  • o registro da conta
  • a troca de mensagens
  • as denúncias feitas por outros usuários.

Durante o registro, o WhatsApp usa seu número de telefone para verificar as coordenadas do celular. O algoritmo usa informações do dispositivo, como detalhes do aparelho, endereço de IP e operadora, para flagrar a criação de contas maliciosas.

Se uma rede de computador tenta registrar contas em massa ou um número de telefone similar a um que tenha tentado registrar várias contas antes, o sistema bloqueia esses usuários antes mesmo de eles poderem enviar uma mensagem. Dos dois milhões de usuários que bane por mês, a empresa diz que 20% são feitos por esse método.

A companhia também consegue verificar o indicador de "digitando..." no topo da conta ou perceber quem enviou 100 mensagens em 10 segundos cinco minutos após o registro para flagrar sistemas automatizados em ação.

As mensagens de conteúdos maliciosos ainda são marcadas como links suspeitos após a empresa notar que foram enviadas por spammers.

Por último, o aplicativo usa denúncias para excluir contas que cometem ações ilegais. A empresa checa se não ocorrem denúncias de um grupo de usuários apenas para prejudicar um indivíduo que não tenha feito nada de errado.

Só minimiza efeitos

Estas ações, somadas ao recente limite de encaminhamento de mensagens, por enquanto apenas servem para minimizar os efeitos de pessoas maliciosas no WhatsApp.

Ainda assim, muita gente consegue burlar a detecção automática e espalha spam ou notícias falsas. Matt Jones, engenheiro de software do aplicativo, afirmou ao The Next Web que existem diversas técnicas para burlar os limites do app para envio de mensagens —uma delas é usar dispositivos customizados que aceitem múltiplos SIMs e, assim, consigam espalhar mais spam.

O aplicativo ainda precisa lidar com os golpes, cada vez mais comuns, normalmente com promoções falsas. Por enquanto, o sistema ainda não consegue livrar a plataforma dessas ações.