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Não dê chance para o golpe: veja como não cair na lábia de um catfish

Roberto Cazzaniga namorava, há 15 anos, golpista que se passava por Alessandra Ambrósio - Reprodução/La Iene Mediaset/Italia 1
Roberto Cazzaniga namorava, há 15 anos, golpista que se passava por Alessandra Ambrósio Imagem: Reprodução/La Iene Mediaset/Italia 1

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

28/11/2021 15h15

Na semana passada, a descoberta do atleta italiano Roberto Cazzaniga de que seu namoro à distância — que já durava 15 anos — com uma mulher que se apresentava como a modelo brasileira Alessandra Ambrósio era um golpe acendeu um alerta para os casos de catfish — em que o golpista se passa por outra pessoa.

Além dos prejuízos financeiros — o italiano gastou cerca de 700 mil euros (aproximadamente R$ 4,3 milhões, em conversão direta) para custear supostos tratamentos de problemas cardíacos da "namorada" —, ficaram ainda as cicatrizes emocionais.

"Passado este pesadelo, é como se tivesse acordado de um coma que me fez perder décadas de vida", disse à imprensa italiana.

De acordo com as investigações, uma amiga do atleta deu o telefone de uma conhecida a ele em 2006 — era a golpista que usava imagens de Alessandra Ambrósio. A polícia está apurando o caso.

A internet, claro, não perdoou e choveram publicações sobre o caso. Sobretudo pelo fato de ele nunca ter visto a suposta namorada, nem mesmo por chamada de vídeo — o contato era apenas por telefone.

Golpes em apps

Mas nem pense que o aconteceu com Cazzaniga é algo difícil de acontecer. Na verdade, os casos de catfish são bem mais comuns do que se imagina.

Tanto que a Interpol, em janeiro deste ano, enviou um alerta sobre golpes em apps de relacionamento para o Brasil e todos os outros 193 países-membros da agência de vigilância mundial.

"A unidade de crimes financeiros da Interpol recebeu relatórios de todo o mundo, sobre esse golpe, e encoraja usuários de aplicativos de namoro a ficarem atentos, desconfiados e seguros ao entrar em relacionamentos online", destaca a agência no comunicado.

De acordo com o órgão, o uso destes apps para paquera — como Tinder, Badoo, Bumble e Grindr, entre outros — cresceu bastante durante a pandemia de covid-19, o que teria facilitado a ação de criminosos.

O golpe consiste em conquistar a confiança de suas vítimas, para depois as induzir a participar de uma "corrente de investimentos". As vítimas são levadas a baixar um aplicativo de investimentos, que disponibiliza produtos financeiros para compra.

Elas são convencidas com alguns dados criados para dar credibilidade ao esquema — de capturas de telas, nomes de domínios bastante similares aos reais e agentes de atendimento ao consumidor que fingem ajudar as vítimas a escolher os produtos.

Após obter o dinheiro, os criminosos encerram todo o contato e bloqueiam o acesso às contas. De acordo com a empresa de pesquisa Arkose Labs, o truque enganou 4 milhões de vítimas no ano passado.

Como se proteger

A polícia internacional deu algumas dicas para quem está conhecendo pessoas por meio destes aplicativos. Confira abaixo:

  • Esteja sempre vigilante quando for abordado por alguém que você não conhece, especialmente se isso resultar em um pedido de dinheiro;
  • Seja cético: investimentos online com promessas de retornos rápidos e surpreendentes costumam ser bons demais para ser verdade;
  • Pense duas vezes antes de transferir dinheiro, por mais genuíno que o pedido possa parecer;
  • Faça sua pesquisa: verifique os comentários, verifique o aplicativo, o nome de domínio, o endereço de e-mail, etc;
  • Não divulgue informações pessoais / confidenciais;
  • Se perceber que foi vítima de uma fraude, denuncie.

Aliás, esse último ponto é bem importante. Muita gente que cai nesses golpes tem vergonha e prefere não denunciar, mas é necessário levar o caso para a polícia. Tanto para evitar que outras pessoas sejam vítimas como também para tentar reaver o dinheiro que perdeu.

"Muita gente acha que não há nada para fazer depois que o dinheiro foi transferido, mas há sistemas para reverter transações fraudulentas", afirmou em comunicado Tomonobu Kaya, coordenador de crimes financeiros da Interpol.