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Invasão de verdinhos? Como seria se alienígenas fossem descobertos?

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

16/02/2021 04h00

Uma das perguntas mais antigas da ciência é: estamos realmente sozinhos no Universo? Com o passar dos anos, a resposta para essa pergunta cada vez mais tende ao "não", mas até o momento ainda não foram encontradas provas contundentes de nossos vizinhos intergalácticos. Mas e se, de uma hora para outra, isso acontecesse? Qual seria a forma mais provável de vida fora da Terra? E se, na verdade, nós é que fôssemos descobertos por viajantes dos confins do espaço sideral?

Dependendo do encontro, teremos problemas.

Considerando um encontro como o que ocorre em filmes, é bem provável que a chegada de alienígenas ao nosso planeta fosse um evento problemático. Além de questões mais prosaicas, como a comunicação em si, uma civilização capaz de atravessar as enormes distâncias entre sistemas estelares certamente seria muito mais avançada do que a nossa —que, até o momento, só conseguiu efetivamente pisar "logo ali", na Lua.

Claro, essa consideração tem um componente conjectural muito forte e presume uma situação clara de "dominantes e dominados".

De qualquer forma, ter provas concretas de vida alienígena (e, ainda mais, caso se trate de uma civilização tecnológica) é algo com potencial de abalar consideravelmente as estruturas da sociedade como conhecemos. Tanto pela já citada relação de "dominantes e dominados" quanto por afetar pilares como o de crenças religiosas baseadas em criacionismo e, claro, os conhecimentos científicos que possuímos atualmente.

Aprendendo a andar

Apesar da dúvida sobre a presença de outros seres vivos em algum canto do Universo ser antiga, passos efetivos no sentido de encontrarmos resposta para ela são um tanto recentes.

Até meados dos anos 1990, não eram conhecidos planetas orbitando estrelas que não fossem os nossos vizinhos do Sistema Solar. De lá para cá, e com avanços técnicos na área da astronomia, já foram descobertos e catalogados mais de 4.000 corpos do tipo.

É um número considerável? Sem dúvidas. Mas ele se reduz consideravelmente quando esses resultados são filtrados: apenas 5% desse total estão na chamada zona habitável de suas estrelas, uma distância que, ao menos em tese, permitiria existir água em estado líquido na superfície e, consequentemente, condições para a vida como conhecemos.

Vida? Qual vida?

Um ponto relevante a ser considerado diz respeito a que tipo de vida descobriríamos em outro planeta. Geralmente quando pensamos em alienígenas, o conceito que nos vem à mente é o de seres humanoides, capazes de se comunicar e erguer uma civilização.

Porém até mesmo em um ambiente extremamente favorável com o da nossa Terra, o que podemos chamar de "civilização tecnológica" é algo extremamente recente. Dos estimados 4,5 bilhões de anos do nosso planeta, foi apenas por volta dos últimos 120 anos que nossa civilização passou a ser considerada "tecnológica", capaz de, por exemplo, usar radiocomunicação.

Já a exploração espacial é ainda mais recente, tendo como marco o lançamento do Sputnik-1, primeiro satélite artificial que foi ao espaço em 4 de outubro de 1957.

Sendo assim, é pouco provável darmos logo de cara com uma civilização alienígena do tipo.

Já a vida, como conceito mais amplo, tende a ser mais comum. Ela existe em nosso planeta há cerca de 4 bilhões de anos, na forma de organismos microscópicos. Já formas de vida complexas, macroscópicas, são mais recentes, tendo surgido há menos de um bilhão de anos.

Vida inteligente? Bem, estima-se que ela tenha aparecido por aqui entre 8 e 10 milhões de anos atrás. Já a civilização, em termos de linha do tempo universal, praticamente surgiu "ontem": há cerca de oito e dez mil anos.

Isso, claro, leva em consideração o fato de que temos uma percepção enviesada sobre a vida, influenciada pelo o que vemos na Terra —ou seja, baseada em carbono e água e que depende de oxigênio. Em teoria, nada impede que existam outros tipos de vida cuja existência se baseie em outros preceitos.

É preciso sorte

E, bem, isso não quer dizer, necessariamente, que se em um lugar há vida ela vai evoluir e chegar no estágio no qual estamos. Até mesmo a Terra já passou por eventos de extinção em massa que, facilmente, poderiam ter erradicado totalmente a vida em nosso planeta. O Universo é um ambiente hostil e nada impede que um planeta promissor em termos de evolução acabe passando por eventos capazes de erradicar a presença de seres vivos no local.

Por aqui, houve seis desses eventos —alguns estudos consideram que estamos no sétimo, que é a extinção em massa provocada pela atividade humana. Destes, o pior em termos numéricos foi a Extinção Permiana, há cerca de 252 milhões de anos, quando 95% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres desapareceram. Ainda se estudam as causas desse evento, mas o mais provável é que ele tenha ocorrido em decorrência de mudanças geológicas e climáticas.

O mais conhecido deles, no entanto, foi a Extinção do Cretáceo, há 66 milhões de anos. Desencadeada pelo choque de um asteroide de cerca de 15 km de diâmetro, o evento resultou na extinção dos dinossauros.

Fonte: Roberto D. Dias da Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP)