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Em 2020, 268 milhões tiveram internet bloqueada por governos autoritários

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

17/01/2021 04h00

Uma pesquisa revelou que, em 2020, houve 93 grandes apagões de internet em 21 países, totalizando 27.165 horas sem conexão e afetando 268 milhões de pessoas pelo mundo. A duração dessas medidas restritivas, adotadas pelos próprios governos, aumentou dramáticos 49% no ano passado em comparação a 2019.

Os dados foram divulgados em um relatório anual da empresa de segurança digital Top10VPN, do Reino Unido. Além de causar prejuízos financeiros, os bloqueios virtuais têm gerado cada vez mais impacto social ferindo os direitos humanos, sobretudo em nações subdesenvolvidas.

Entre as medidas tomadas pelos governos estão limitação das larguras de banda (por exemplo, liberar apenas conexão 2G), proibição ao acesso às redes sociais e suspensão total do acesso à internet.

De acordo com o relatório, essas são estratégias de governos autoritários para limitar o fluxo de informação no país e reprimir a liberdade da população. A vasta maioria das interrupções aconteceu em resposta a protestos ou a momentos de agitação civil, como épocas de eleições.

Os apagões foram especialmente prejudiciais no contexto da pandemia do novo coronavírus. Não apenas por impedir atividades como trabalho, estudo e compras, mas por limitar o acesso às informações de saúde. Isso pode ter contribuído para uma maior disseminação da doença naqueles locais.

Olhando apenas o aspecto financeiro, as medidas restritivas custaram mais de US$ 4 milhões para a economia mundial —um valor menor que o de 2019. Mas, como se concentraram desproporcionalmente em certas regiões de países mais pobres, o impacto local foi enorme.

Só a Índia perdeu mais de US$ 2,7 mil milhões no ano passado, com destaque para o apagão em Jammu e na Caxemira, entre agosto de 2019 —às vésperas de o governo revogar a autonomia do então estado— e março de 2020, quando foi parcialmente revogado. Empresas, escolas e até a distribuição de remédios foram fortemente prejudicadas no longo período sem qualquer acesso à internet. Até hoje, a velocidade de conexão ainda é limitada.

Em Mianmar, que passou por um bloqueio similar ao da Índia, notícias de junho revelavam que, até então, havia pessoas que sequer sabiam da existência da pandemia de covid-19.

Os 21 países afetados em 2020, em ordem decrescente de prejuízo, foram: Índia, Belarus, Iêmen, Mianmar, Azerbaijão, Etiópia, Sudão, Turquia, Síria, Tanzânia, Chade, Argélia, Guiné, Jordânia, Venezuela, Irã, Iraque, Somália, Burundi, Quirguistão e Togo.