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Profissionais de TI terão que integrar equipes multitalentos após covid-19

Getty Images
Imagem: Getty Images

Mara Maehara*

CIO da TOTVS

13/09/2020 04h00

Passados quatro meses desde que a crise causada pela pandemia do coronavírus iniciou, ainda existem muitas empresas promovendo o isolamento social e o trabalho remoto, com o objetivo de diminuir as chances de disseminação do novo vírus e proteger seus colaboradores. Esse cenário fez as empresas buscarem diferentes formas para continuarem operando em segurança. No entanto, é importante refletir sobre tudo que já passamos até aqui e se estamos preparados para o que ainda virá.

Para os profissionais de TI muitas mudanças já vinham ocorrendo nos últimos anos, seja pelo constante movimento nas estratégias dos negócios ou pelo crescente avanço da tecnologia. A necessidade de se reinventar e se adaptar passou a ser algo do dia a dia. Diferente das gerações anteriores, que mantinham o mesmo emprego por longos períodos e estavam acostumadas com mudanças mais graduais.

De acordo com um estudo inédito do IDC encomendado pela Alteryx, companhia de automação de processos analíticos (APA), pouco mais da metade das empresas pesquisadas (53%) pretende desenvolver um modelo de trabalho mais dinâmico, que automatize processos padrão, e 48% diz que garantirão a oferta de serviços e experiências digitais mais confiáveis.

Esse anseio pela digitalização impactou diretamente os profissionais da área de tecnologia. Com a maioria dos colaboradores trabalhando em home office, as empresas tiveram que mudar seus modelos de relacionamento com clientes, fornecedores e colaboradores e preparar um ambiente tecnológico para suportar esse cenário.

Há dez anos o conhecimento técnico de um programador poderia ser suficiente para caracterizar um profissional competente, mas será que atualmente, considerando esse cenário, isso basta?

Agora, mais do que nunca, o profissional dessa área foi desafiado a trabalhar de diferentes formas, como em "squads" — equipes multidisciplinares. Neste modelo um profissional de TI pode atuar em uma mesma equipe com um profissional de marketing, outro de vendas e outro do financeiro, por exemplo. Juntos, eles têm autonomia suficiente para tomar decisões para a entrega dos projetos solicitados. Para alcançar os objetivos, soma-se às características citadas anteriormente o conhecimento técnico de cada parte e a habilidade de relacionamento interpessoal.

Vale destacar que a cultura da empresa precisa estar pronta para passar a atuar nesse modelo. O primeiro passo é entender que uma empresa só alcançará um bom nível de maturidade digital se todas as áreas, incluindo funcionários e lideranças, estiverem envolvidas nesses projetos, a área de tecnologia da informação não é a única responsável por entregar essas novas soluções.

Outro fator crucial para o profissional de TI do futuro sair na frente será a criatividade. Diante de tantos desafios que temos enfrentado, os "headhunters" (caçadores de talentos) tem buscado profissionais de TI que estejam antenados, tenham capacidade de resolver problemas rapidamente, se atualizam, não têm receio de expor seus pontos de vista. As empresas estão buscando profissionais que busquem soluções inovadoras, pensem simples e rápido para gerar eficiência e diferencial competitivo e assim, atrair mais clientes.

O profissional de TI precisa encarar que a partir de agora ele precisará definitivamente trabalhar em equipe e colaborar. É hora de entender que o seu papel é parte estratégica do negócio, que por sua vez muda o tempo todo, assim como mercado e os avanços tecnológicos que dia após dia são apresentadas ao mundo.

* Mara Maehara é a Chief Information Officer (CIO) da TOTVS dentro e fora do Brasil. Desde janeiro de 2016, é responsável pelas soluções e infraestrutura que suportam as operações da companhia. Com mais de 26 anos de experiência em TI, já teve cargos de liderança em empresas como Ambev, Grupo BRF (Sadia), Carrefour e Grupo Pão de Açúcar (GPA).