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Contra potenciais "ameaças": por que EUA criou força-tarefa sobre óvnis

Pentágono divulgou em abril vídeos oficiais de óvnis - Reprodução
Pentágono divulgou em abril vídeos oficiais de óvnis Imagem: Reprodução

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

15/08/2020 14h10

Sem tempo, irmão

  • Departamento de Defesa oficializou criação de força-tarefa contra óvnis
  • Segundo nota, o órgão servirá para defender o país de "potenciais ameaças"
  • Em abril, Pentágono divulgou vídeos oficiais de encontros com óvnis
  • Preocupação é menos extraterrestre e envolve mais ataques de outras nações

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos oficializou na última sexta-feira (14) a criação de uma força-tarefa para investigar óvnis, como são popularmente conhecidos os objetos voadores não identificados, no país. Segundo nota, o órgão servirá para defender o país de "potenciais ameaças".

A força-tarefa foi criada em 4 de agosto pelo secretário-adjunto de Defesa David Norquist. O nome oficial do grupo será Unidentified Aerial Phenomena Task Force (Força-Tarefa sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados), sob a sigla UAPTF.

"O Departamento de Defesa criou a UAPTF para melhorar sua compreensão e obter uma visão sobre a natureza e as origens dos fenômenos aéreos não identificados. A missão da força-tarefa é detectar, analisar e catalogar fenômenos que podem representar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos", diz a nota sobre a criação.

Segundo o Departamento de Defesa, a segurança de seus membros e de suas operações são alvos de grande preocupação em meio à criação da força-tarefa.

"O Departamento de Defesa e os departamentos militares levam muito a sério quaisquer incursões de aeronaves não autorizadas em nossos campos de treinamento ou espaço aéreo designado e examinam cada relatório", afirma.

O novo corpo de defesa dos Estados Unidos será liderado pelo Departamento da Marinha.

Mais transparência

A oficialização do órgão envolve uma iniciativa de mais transparência por parte dos Estados Unidos. Em junho, por exemplo, foi revelado em um relatório do Senado que a tal força-tarefa sobre óvnis já existiria no país.

Em julho, o New York Times publicou que o governo dos Estados Unidos quer tornar público, a cada seis meses, todos os óvnis avistados pelo Departamento de Defesa no seu território, algo que não ocorre até agora com o tema sendo carregado de mistério.

O jornal também cita o relatório do Comitê do Senado de junho, que descreve as despesas do governo com agências de inteligência e traz detalhes de um programa chamado de "Força-Tarefa Contra Fenômenos Aéreos Não Identificados". Ele teria como objetivo padronizar a coleta e os relatórios sobre "avistamentos de veículos aéreos inexplicáveis" e tornar públicas suas descobertas.

No mês de abril, o Pentágono divulgou oficialmente vídeos de encontros de militares dos Estados Unidos com óvnis - as filmagens já haviam sido vazadas anteriormente, mas foram formalmente publicadas pelo governo neste ano. Os três vídeos mostram pilotos da Marinha interagindo com "fenômenos aéreos não identificados".

Em uma entrevista em junho desse ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse saber de coisas "muito interessantes" sobre Roswell, uma cidade do Novo México onde se especula sobre a aparição de óvnis. Mas ao ser questionado se retiraria o caráter confidencial das informações sobre a região, desconversou, afirmando que pensaria sobre o assunto.

Em 2017, o NYT divulgou a existência de um Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais, de caráter confidencial, que teria começado em 2007 e sido dissolvido oficialmente em 2012 —embora haja relatos de que suas operações tenham perdurado até 2017.

O jornal afirma ainda que, por mais de uma década, o programa do Pentágono preparou arquivos confidenciais para comitês do Congresso, executivos de empresas aeroespaciais e outros funcionários do governo sobre as suas descobertas.

Não só aliens

A primeira coisa que você deve pensar ao ouvir o termo "óvnis" é aliens, ou seres extraterrestres. Contudo, a criação da força-tarefa tem mais a ver, até, com ameaças de outros países com novas tecnologias não conhecidas pelos Estados Unidos.

O principal foco do programa seria descobrir se tem alguma outra nação ou potencial adversário usando tecnologia de aviação que poderia causar algum tipo de ameaça aos EUA.

Em entrevista a um canal de TV norte-americano, o senador republicano Marco Rubio, que preside interinamente o Comitê Selecionado de Inteligência do Senado dos EUA, afirmou estar preocupado principalmente com relatos de aeronaves não identificadas sobre bases militares norte-americanas e que o governo quer descobrir quem é o responsável por elas.

Rubio disse que alguns dos veículos aéreos não identificados sobre as bases dos EUA exibiam tecnologias que não estão no arsenal americano e que teme que China, Rússia ou outro adversário tenha dado um "salto tecnológico" desconhecido.

Rastros incomuns

Apesar de não apresentarem provas físicas, ex-funcionários do governo e cientistas se dizem convencidos de que objetos de origem indeterminada colidiram com equipamentos produzidos por humanos, deixando detritos, como fragmentos metálicos incomuns. Segundo o grupo, esses materiais deveriam ser estudados mais a fundo.

Ainda que alguns deles tenham sido identificados posteriormente em estudos de laboratório como criados por humanos, há casos em que ainda não foi possível a sua identificação.

O NYT traz o relato de Eric W. Davis, um astrofísico que trabalhou como consultor do programa de óvnis do Pentágono desde a sua criação. Segundo ele, em alguns casos, as análises dos materiais coletados não conseguiram determinar a sua origem, o que levou os estudiosos a concluírem que "nós não poderíamos ter produzido isso".