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Foto mais próxima já tirada do Sol é divulgada e cria novo "mistério"; veja

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

16/07/2020 12h51

Sem tempo, irmão

  • Espaçonave tirou as imagens a apenas 77 milhões de km do Sol
  • Nunca nenhuma espaçonave havia chegado tão perto da nossa estrela maior
  • Sonda enviou fotos de misteriosas minúsculas explosões solares perto da superfície
  • Apesar de décadas de estudo, mecanismos que aquecem superfície ainda são mistério
  • A expectativa é que Solar Orbiter chegue mais perto do Sol que Mercúrio

As imagens mais próximas do Sol já feitas por uma espaçonave foram divulgadas nesta quinta-feira (16) pela ESA (Agência Espacial Europeia, sigla em inglês) e pela Nasa. As fotos em alta resolução foram tiradas pelo recém lançado Solar Orbiter, missão conjunta das agências, e revelam detalhes inéditos da superfície solar.

O veículo estava a apenas 77 milhões de quilômetros do Sol, cerca da metade da distância entre a Terra e a estrela. Nunca nenhuma espaçonave havia chegado tão próximo do astro para registrar imagens.

A sonda mandou para as agências fotos de misteriosas minúsculas explosões solares perto da superfície da nossa estrela. Os cientistas por trás da missão apelidaram essas chamas de "fogueiras", pois são de milhões a bilhões de vezes menores que as explosões maciças e energéticas que surgem periodicamente do Sol.

A descoberta é a primeira do Solar Orbiter, lançada no dia 9 de fevereiro na Flórida, e intriga os pesquisadores, pois ainda não está claro o que causa essas "fogueiras".

Sonda Solar Orbiter vê 'fogueiras' no Sol; locais das fogueiras são mostrados com setas brancas - Divulgação/Nasa - Divulgação/Nasa
Sonda Solar Orbiter vê 'fogueiras' no Sol; locais das fogueiras são mostrados com setas brancas
Imagem: Divulgação/Nasa

"O que é intrigante é que eles parecem estar acontecendo em todos os lugares do Sol o tempo todo", diz Daniel Müller, cientista de projeto da ESA para a missão Solar Orbiter, em entrevista ao "The Verge".

As explosões solares típicas geralmente ocorrem quando manchas solares escuras surgem na superfície da estrela, fazendo com que partes do campo magnético do Sol se torçam e girem. Isso faz com que o campo magnético próximo à mancha solar se rompa, liberando uma enorme explosão de partículas altamente energéticas que saem do Sol.

Os cientistas ainda não sabem se as fogueiras são "nanochamas", versões menores dessas explosões maiores ou se elas estão sendo causadas por algum outro mecanismo das reações de fusão nuclear que ocorrem no Sol. Nanochamas são pequenas faíscas usadas para aquecer a coroa do Sol, sua camada mais externa. Elas atingem temperaturas superiores a um milhão de graus Celsius.

Essas "fogueiras" não parecem seguir a mesma dinâmica, segundo os cientistas. "Isso acontece realmente em uma área onde não há manchas solares, nada de peculiar, mas está aparecendo em toda parte", diz Müller.

Apesar de décadas de estudo, os mecanismos que aquecem essa camada mais externa do Sol ainda não são totalmente compreendidos pelos astrônomos. Por isso, as descobertas da Solar Orbiter são consideradas vitais para o estudo da física solar.

"Estamos todos realmente empolgados com essas primeiras imagens —mas isso é apenas o começo", disse Müller ao "The Independent". Segundo ele, o Solar Orbiter fará uma "grande turnê" pelo Sistema Solar interno e se aproximará muito do Sol em menos de dois anos.

A expectativa é de que a Solar Orbiter chegue ainda a 42 milhões de quilômetros, ficando até mais próxima do Sol do que Mercúrio, o planeta com a menor distância em relação ao astro em todo o Sistema Solar.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do informado anteriormente, esta não é a sonda que chegou mais próxima do Sol, mas sim a sonda que chegou mais próxima do Sol para registrar imagens.