PUBLICIDADE
Topo

Carregador sem fio pode estragar bateria do celular? Entenda como funciona

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

11/06/2020 04h00

O carregamento sem fio para smartphone tem uma grande vantagem em relação ao método tradicional: quando o aparelho está na tomada, o celular não precisa mais ser plugado para obter a carga. A bateria começa a receber energia só com a aproximação ao carregador.

Esses carregadores usam o princípio da transferência de energia por indução. Apesar de estar em um aparelho moderno, usa na verdade um processo antigo desenvolvido pelo inventor croata Nikola Tesla, um dos "papas" da revolução elétrica.

carregador sem fio
Imagem: Guilherme Zamarioli/UOL

Do lado do carregador, temos uma bobina, que é composta por fios de cobre cobertos por uma fina camada de verniz isolante e enrolados em círculos de diâmetro igual, empilhados uns sobre os outros.

Uma vez que há corrente elétrica passando por essa bobina, ela cria um campo eletromagnético oscilante ao seu redor.

Aparelhos compatíveis com a tecnologia possuem uma bobina receptora. Quando esses celulares são colocados próximos do carregador sem fio ligado, o campo eletromagnético faz com que os elétrons na bobina receptora do smartphone se movimentem, criando uma corrente elétrica.

Como a transmissão ocorre com corrente alternada —e o carregamento do celular usa contínua—, o receptor do celular também age como transformador, retificando a corrente desse sistema de indução. Só daí a bateria começa a ser carregada.

Carregadores sem fio são mais eficientes do que os tradicionais?

Não. Carregadores normais —especialmente aqueles rápidos, de maior potência— são mais eficientes e tendem a carregar a bateria dos smartphones em um tempo bem menor do que os que usam indução.

Qualquer celular pode ser carregado dessa forma?

Não. Apenas aparelhos compatíveis com a tecnologia vão funcionar com carregadores por indução. Da mesma forma, determinadas capinhas podem atrapalhar o funcionamento da tecnologia.

Carregadores sem fio são perigosos?

Não. O campo eletromagnético que eles emitem, além de ter um curto alcance —o que exige que o celular seja colocado exatamente sobre o carregador— não representa qualquer risco à saúde dos usuários. Da mesma forma, não há riscos de choques.

Usar carregadores do tipo abrevia a vida útil do celular ou da bateria?

Aqui, há controvérsia. Enquanto fabricantes afirmam que não há risco se o carregador seguir as especificações corretas, um estudo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, apontou que esse tipo de carregamento pode fazer as baterias esquentarem mais do que o desejado —o que, no caso das de íons de lítio usadas nos celulares, pode abreviar a sua vida.

Mas, não há outros tipos de risco, como interferir com sistemas do celular como o GPS ou causar danos físicos ao aparelho. Aqui, a recomendação que fica é a mesma dada para os carregadores comuns: evite usar produtos piratas ou de procedência duvidosa.

Fontes:

Rudolf Buhler, professor do departamento de Engenharia Elétrica da FEI; Carlos Fernando Teodósio, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica e de Computação da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Poli-UFRJ); Luiz Carlos Kretly, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC
/Unicamp)

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.