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Internet chega a 80% das casas, e TV digital aberta cresce, diz IBGE

Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Helton Simões Gomes

De Tilt, em São Paulo

29/04/2020 10h00

Sem tempo, irmão

  • Casas com acesso à internet já são oito em dez domicílios no Brasil, diz IBGE
  • População conectada ganhou 9,5 milhões de pessoas em 2018
  • Agora, 75% dos brasileiros já têm acesso à internet, segundo estudo do instituto
  • Fatia de casas com TV caiu timidamente, assim como as com televisão a cabo

Oito em cada dez casas do Brasil estavam com acesso à internet em 2018. A TV digital aberta cresceu, e o celular foi o principal aparelho para acessar a web, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ainda que de forma tímida, a televisão perdeu espaço nas casas brasileiras. Mas está ganhando uma nova utilidade. O número de casas como antena parabólica e TV paga diminuiu, mas os televisores são os aparelhos que mais cresceram como forma de acesso à internet, segundo a pesquisa.

O estudo do IBGE é dividido em duas partes. Na primeira, são apresentados dados referentes ao uso da tecnologia nas casas brasileiras. Na segunda, há informações a respeito da população online do Brasil.

TV x celular

Ainda o eletrônico mais comum nas casas brasileiras, a TV viu seu domínio cair aos poucos. Em 2017, estava em 96,7% dos domicílios permanentes do país, mas, no ano seguinte, essa fatia caiu para 96,4%. Quando comparada a 2016, a queda foi de 0,8 ponto percentual.

Nas casas com televisor, aumentou a presença de sinal digital de televisão aberta, de 79,8% para 86,6% do total de domicílios. Isso ocorreu graças ao aumento de TVs de tela fina, figurinha carimbada em 74,3% dos lares com TV no Brasil.

Por outro lado, diminuiu a presença do serviço de TV paga de 32,9% para 31,8% do total. Um dado curioso é que 31,9% das casas ainda mantiveram TVs de tubo.

Já a parcela de domicílios com celular se manteve a mesma: 93,2% do total, entre 2017 e 2018.

Isso não quer dizer que as casas estão abandonando a TV e deixando de comprar celular. Como a base de domicílios averiguada pelo IBGE aumenta a cada pesquisa, o volume de residências com TV cresceu, apesar de sua fatia sobre o total ter caído. Passou de 68 milhões para 69,1 milhões de um ano para o outro.

Já no caso dos telefones móveis, a porcentagem de casas com ele manteve-se a mesma, mas o total aumentou. Em 2017, eram 65,6 milhões de casas com celular. Em 2018, passou para 66,8 milhões.

Brasil conectado

De acordo com o IBGE, a internet chegou a mais quatro milhões de residências no Brasil entre 2017 e 2018. Isso porque o volume de casas conectadas correspondia a 74,9% do total de residências em um ano e chegou a 79,1% do total em outro. Com isso, o salto foi de 52,7 milhões para 56,7 milhões de lares online.

Houve crescimento tanto das casas atendidas pela internet móvel (de 78,6% para 80,2%) quanto pela fixa (de 73,5% para 75,9%).

O avanço da conexão foi puxado pela inclusão digital no campo. Na área rural, o percentual de casas conectadas passou de 41% para 49,2%. Já na área urbana, a internet passou a ser utilizada em 83,8% das casas em 2018, contra 80,2% em 2017.

Nas casas conectadas, o celular é de longe o aparelho mais usado para acessar a internet. Essa é a realidade para 99,2% desses lares.

Só que ele é mais crucial para isso no campo do que nas cidades. Nas áreas rurais, os telefones móveis são usados por 99,4% dos domicílios online. Nas zonas urbanas, esse percentual é de 99,2%.

A renda per capita dos domicílios conectados (R$ 1.769) é quase o dobro dos desconectados (R$ 940), diz o IBGE. Nos quase 15 milhões de residências sem acesso à internet, dois dos cinco principais motivos para isso ocorrer estão relacionados à falta de recursos financeiros:

A renda também está relacionada aos tipos de aparelhos usados para navegar na rede. O rendimento médio dos domicílios conectados a cada novo dispositivo fica assim:

  • Celular: R$ 1.765
  • Computador: R$ 2.569
  • TV: R$ 3.111
  • Tablet: R$ 3.538

Pessoas conectadas

O IBGE também averiguou a quantidade de pessoas com acesso à internet. Em 2018, o Brasil adicionou 9,4 milhões de pessoas à sua população online, segundo mostra a Pnad Contínua.

Em 2017, os brasileiros conectados somavam um contingente de 126,4 milhões de pessoas, o equivalente a 69,8% dos 181,1 milhões de indivíduos com idade de dez anos ou mais no país.

No ano seguinte, esse número saltou para 135,8 milhões de pessoas, o que corresponde a 74,7% da população em idade ativa.

Centro-Oeste e Sudeste são as regiões com maior fatia de conectados em sua população. O volume de internautas é de 81,5% dos moradores na primeira e de 81,1%, na segunda. Nas outras, esse percentual é de 78,2% no Sul, de 64,7% no Norte e de 64% no Nordeste.

Entre os internautas, o celular não só continua sendo o aparelho mais usado para acessar a internet como aumenta sua participação. Em 2017, 97% usavam o aparelho para navegar. Em 2018, esse índice passou para 98,1%.

Enquanto isso, computador e tablet perdem apelo entre os conectados. O primeiro aparelho, usado por 56,6% em 2017, passou a ser usado por 50,7% em 2018. A fatia dos adeptos dos tablets passou de 14,3% para 12% de um ano para outro.

Já a TV passou a ser encarada por mais internautas como plataforma de acesso. Em 2018, 23,1% dos brasileiros conectados recorriam ao aparelho —em 2017, esse grupo era formado por 16,3%.