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Cientistas buscam animal "cobaia perfeita" para remédios contra coronavírus

Cientistas trabalham para criar novos camundongos adequados para pesquisa - Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens
Cientistas trabalham para criar novos camundongos adequados para pesquisa Imagem: Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

16/03/2020 16h04

O uso de animais deve ser crucial na luta contra o novo coronavírus. Segundo uma reportagem do jornal The New York Times, cientistas estão aumentando testes em diversos animais para achar vacinas ou medicamentos para interromper o crescimento de casos da doença.

Os cientistas devem testar os medicamentos em ratos, furões, hamsters e até macacos para minimizar os riscos de testes em humanos. No mundo todo, diversos laboratórios estão criando "estoques" de ratos geneticamente modificados e estão testando a suscetibilidade de outros animais, que tendam a ter os mesmos sintomas que os humanos.

Os laboratórios não têm à mão espécimes vivos de cada tipo de animal. Eles congelam esperma ou embriões, e quando há necessidade usam essas amostras para construir novas colônias —e é exatamente isso o que está acontecendo agora.

O problema é que os camundongos, por exemplo, demoram dois meses para atingir a maturidade sexual, e têm um período de gestação de três semanas. Na corrida para conseguir uma cura, esse tempo é precioso. No Laboratório Jackson, um dos maiores criadouros de camundongos dos Estados Unidos, a expectativa é ter espécimes prontos para distribuição até maio.

Especialistas afirmam que o novo coronavírus se desenvolveu inicialmente em morcegos e foi transmitido para outro animal —provavelmente o pangolim— antes de infectar humanos na China. Agora os testes em animais de laboratório podem ajudar na pandemia, mas trazem à tona as objeções feitas ao uso de bichos para testes.

Nem todo bicho está apto

Os animais que serão usados para testes de terapias e vacinas deverão ser suscetíveis a infecções, algo que não ocorre com qualquer bicho. Cachorros, por exemplo, não são.

Além disso, o animal usado precisa ser infectado e efetivamente ficar doente para que os cientistas observem se o tratamento testado acaba com os sintomas. Além disso, o ideal é que o animal fique doente da mesma maneira que os humanos.

Um estudo feito na China, mas ainda não revisado por outros cientistas, sugere que um rato desenvolvido em 2003 durante a epidemia de SARS, chamado hACE2, pode ser infectado pelo novo coronavírus, também chamado de SARS-CoV-2, e desenvolve uma pneumonia branda.

Esses ratos devem ser usados nos primeiros experimentos de laboratório, mas ainda precisam ser gerados, a partir de embriões e sêmen congelados, já que os cientistas não mantêm esses animais em colônias.

Um laboratório, no Maine (EUA), espera ter ratos prontos para distribuição até maio. Outros ratos deverão ser desenvolvidos também para estudos contra o novo coronavírus.

Pesquisadores também precisarão usar outros animais, como hamsters, furões e macacos, que tendem a reproduzir o progresso da doença nos humanos.

Dave O'Connor, um patologista da Universidade de Wisconsin, está trabalhando para testar a utilidade de macacos nos estudos de tratamentos contra o coronavírus. Segundo ele, um grupo chinês já publicou alguns estudos usando macacos rhesus.

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