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Engenharia al dente: alunos fazem ponte de macarrão que aguenta 132 kg

Alunos ganharam desafio de Semana da Engenharia Civil da Poli-UFRJ com ponte de macarrão - Escola Politécnica da UFRJ/Divulgação
Alunos ganharam desafio de Semana da Engenharia Civil da Poli-UFRJ com ponte de macarrão Imagem: Escola Politécnica da UFRJ/Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

17/09/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Quatro estudantes de engenharia da UFRJ criaram a ponte com um quilo de macarrão
  • Concurso avalia capacidade dos alunos de aliar criatividade a conceitos de engenharia
  • Construção testou mecânica dos materiais e foi simulada em computador
  • Para montar a ponte, alunos levaram 28 horas divididas em período de sete dias

Se você pegar um quilo de macarrão, cola, fita crepe, tubo de PVC e uma pequena barra de aço, o que seria capaz de fazer com isso? Nada de mais, provavelmente. Mas foi com esse material que quatro estudantes do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Poli-UFRJ) construíram uma ponte que aguenta 132 quilos.

Com o feito, Polyanna Domingues, Armando Sobrinho, Murillo Queiroz e Jonas Chaves venceram o 5º Concurso Construtora Queiroz Galvão de Pontes de Macarrão, realizado durante a Semana da Engenharia Civil da Poli-UFRJ

O nome da competição é curioso e é normal questionarmos a relação entre macarrão e pontes. De cara, deixamos claro: a importância não está no macarrão em si, mas na sua fragilidade.

Desafio extra

Como é de se imaginar, a "graça" do concurso é justamente avaliar a capacidade dos alunos aliarem criatividade e domínio de conceitos estudados durante o curso. E foi com exatamente um quilo de macarrão espaguete nº 7 que eles construíram a tal ponte e levaram a melhor.

Ponte foi criada só com 1 kg de macarrão espaguete nº7 - Arquivo pessoal
Ponte foi criada só com 1 kg de macarrão espaguete nº7
Imagem: Arquivo pessoal

"O macarrão, que é o material definido por um edital produzido pelos professores, nos desafia a trabalhar com um material extremamente frágil e fazer com que ele suporte cargas altas pela forma como organizamos e confeccionamos os fios em cada elemento da ponte", diz Polyanna Domingues.

Apesar de usar materiais simples, a construção da estrutura levou em conta conceitos de mecânica dos materiais e teve a sua resistência testada em simulações de computador. Isso permitiu, por exemplo, prever com um bom grau de precisão o quanto cada elemento da ponte recebe de tensão.

"Assim definimos o formato que deve ter esse elemento e a quantidade de material que vamos utilizar nele para otimizar a resistência total da ponte, que suportou uma carga de mais de 100 vezes o seu próprio peso", explica Armando Sobrinho.

Para montar a ponte apresentada na competição, os alunos levaram em torno de 28 horas divididas em um período de sete dias. Já o trabalho de dimensionamento levou algo em torno de três dias.

E qual foi a maior dificuldade encontrada?

O maior desafio foi conseguir manter a simetria e o alinhamento na hora de unir os elementos da ponte. Qualquer erro em como um elemento se liga a outro reduz a eficiência do trabalho e ele suportaria apenas uma fração do peso que deveria suportar
Jonas Chaves

"A explicação está no modelo estrutural que é utilizado e na compreensão das propriedades de cada material. Os modelos estruturais solicitam formas e materiais diferentes", aponta Pedro Henrique Cerento de Lyra, professor do curso de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia.

"Por isso é importante as disciplinas de Resistência dos Materiais e Teoria das Estruturas, para que o aluno entenda como cada modelo estrutural funciona e quais são as propriedades do material que podem ser aproveitadas ou maximizadas", complementa.

E na prática?

É claro que na vida real não veremos uma ponte construída com macarrão, mas a experiência obtida pelos alunos acaba sendo bastante útil na hora de projetar construções "de verdade".

"Mostra a importância da aplicação dos conteúdos vistos em aula, além das etapas de planejamento, execução, análise de resultados e, principalmente, trabalho em equipe. Também familiariza os alunos com desafios da vida real, já que é possível construir estruturas com materiais leves como manta de carbono e fibra de vidro", explica Lyra.

Esse tipo de conhecimento se torna ainda mais relevante se considerarmos que, nos últimos tempos, acidentes envolvendo viadutos e estruturas suspensas foram destaque no noticiário brasileiro.

Para Murillo Queiroz, um dos integrantes do grupo, um dos pontos mais interessantes do projeto está em encontrar meios de usar a engenharia para superar desafios. "A nossa responsabilidade só aumenta quando pensamos que nosso trabalho vai influenciar de forma direta a qualidade de vida da nossa sociedade."

Depois de vencer o concurso com a sua ponte de macarrão, o próximo desafio do grupo não tem a ver diretamente com engenharia: arranjar verba, por meio de uma vaquinha virtual, para arcar com os custos de participação no próximo Congresso Brasileiro de Concreto, realizado entre os dias 15 e 18 de outubro em Fortaleza (CE).

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