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Filmar ação com conforto é maior trunfo do inovador Motorola One Action

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

28/08/2019 04h00

Fala sério: você provavelmente desistiu de gravar vídeos na horizontal no celular, já que é muito mais confortável fazer isso na vertical, com uma só mão. Lançado neste mês, o Motorola One Action vem para mudar essa lógica, já que com ele você pode filmar na horizontal e manusear o aparelho com naturalidade, na vertical.

O novo celular se encaixa na categoria intermediário premium e chegou custando R$ 1.799, R$ 200 a menos do preço de lançamento do "irmão" Motorola One Vision, que chegou no primeiro semestre deste ano. O One Action é o primeiro smartphone da Motorola a contar com uma câmera tripla, ainda que ela não funcione exatamente como as da concorrência.

Se você ficou confuso, nós explicamos. As câmeras triplas, uma moda que surgiu no ano passado, geralmente combinam três sensores: um principal, um de profundidade e um ultra-wide (também chamado grande angular). O One Action tem tudo isso, mas o sensor ultra-wide foge do padrão, já que ele é ativado apenas para filmagens.

É por causa dele que o celular tem Action no nome. Esse sensor de 16 MP é o que faz a filmagem na horizontal enquanto o celular é segurado na vertical, o que traz conforto e estabilidade para as gravações de imagens mais panorâmicas - meio no estilo de uma GoPro. Ele também é o único equipado com a tecnologia Quad Pixel, que melhora as imagens capturadas com pouca luz.

Quer tirar fotos com a grande angular? Não tem como fazer isso no modo normal da câmera, somente durante gravações de vídeos. É uma limitação estranha, mas que não faz tanta falta assim, visto que os outros dois sensores, um principal de 12 MP e outro de profundidade de 5 MP, tiram ótimas fotos.

Seja de dia, noite ou com iluminação artificial, as fotos que tirei com o Motorola One Action ficaram com boa definição e profundidade, inclusive o modo retrato.

Fotos de comida ficam bonitas para postar no Instagram - Rodrigo Trindade/UOL
Fotos de comida ficam bonitas para postar no Instagram
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Câmera traseira registra fotos bem detalhadas - Rodrigo Trindade/UOL
Câmera traseira registra fotos bem detalhadas
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Modo retrato da câmera principal passa boa sensação de profundidade - Rodrigo Trindade/UOL
Modo retrato da câmera principal passa boa sensação de profundidade
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Mais um exemplo da capacidade da câmera traseira - Rodrigo Trindade/UOL
Mais um exemplo da capacidade da câmera traseira
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Meu cachorro ficou tímido na hora de aparecer na foto - Rodrigo Trindade
Meu cachorro ficou tímido na hora de aparecer na foto
Imagem: Rodrigo Trindade

As imagens tiradas com um foco de luz forte não ficaram perfeitas, mas melhores do que as que eu tirei com modelos como o Moto G7 Plus e o LG K12 MAX.

Apesar do contraste de iluminação, foto ficou com boa definição - Rodrigo Trindade/UOL
Apesar do contraste de iluminação, foto ficou com boa definição
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Com claridade muito forte, cores acabam um pouco desequilibradas - Rodrigo Trindade/UOL
Com claridade muito forte, cores acabam um pouco desequilibradas
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Fotos noturnas também ficaram boas, mas para fazer os melhores cliques nessa situação você precisa segurar o celular firme e os objetos da foto não devem se mover de forma brusca.

Motorola One Action faz boas fotos noturnas - Rodrigo Trindade/UOL
Motorola One Action faz boas fotos noturnas
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Faltou falar da câmera frontal, que é de 12 MP. Assim como a câmera traseira, ela me agradou bastante e registrou ótimas selfies, inclusive com o modo retrato ativado.

Câmera frontal tira boas selfies inclusive no modo retrato - Rodrigo Trindade/UOL
Câmera frontal tira boas selfies inclusive no modo retrato
Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Um detalhe que eu notei é que a estabilização dela sofre um pouquinho mesmo com boa iluminação artificial, então eu recomendaria segurar o celular com as duas mãos na hora de tirar essas fotos.

Já que estamos falando da câmera frontal, é uma boa hora para avaliar o design do Motorola One Action. Ele praticamente idêntico ao Motorola One Vision e tem só uma grande diferença no visual, que é na câmera traseira, tripla no Action e dupla no Vision. Os dois smartphones tem uma cara moderna e diferente do padrão da marca, trazendo uma aparência premium ainda que eles não sejam modelos top de linha.

De resto, tudo está no mesmo lugar: botões, entradas e a câmera frontal, que adota o estilo "furo" na tela. Esses celulares da Motorola seguiram a solução apresentada pela Samsung com a família Galaxy S10, trocando o entalhe no topo do celular por um ponto preto na tela.

Se é para ter uma câmera frontal que ocupe algum espaço na tela eu acho essa a melhor alternativa do momento, porque a estética dos entalhes tradicionais ou em formato de gota não me agrada. Toda essa discussão pode mudar em breve, já que Zenfone 6, Galaxy A80 e Mi 9T tiraram a câmera frontal da tela, cada um à sua maneira.

A decisão de design de usar uma câmera frontal como "furo" dá mais ênfase para a tela do Motorola One Action, que tem resolução Full HD+. Ela é ótima para assistir vídeos, mas tem dimensões inusitadas - é comprida, mas pouco larga - que fazem com que poucos conteúdos realmente aproveitem todo o display.

Na Netflix, por exemplo, todas as séries que assisti deixavam bordas grandes por padrão. O app permite que você dê uma espécie de zoom nos programas, mas mesmo assim a tela não é preenchida por inteiro, sobrando uma tarja preta um pouco maior que o diâmetro da câmera frontal. No YouTube, por outro lado, o zoom cobria toda a tela e ficava com o ponto preto da câmera, ainda que o vídeo não ficasse bem formatado.

A câmera frontal chamou a minha atenção ao usar os dois aplicativos, mas não me atrapalhou ou incomodou. Ela também tem outro impacto, que é aumentar o tamanho da barra de notificações, que fica enorme dentro de apps como Waze ou WhatsApp.

Enquanto as dimensões do Motorola One Action podem interferir na experiência de assistir a vídeos, elas me agradaram bastante na hora de manusear o celular. A largura de 71.2 mm fez dele um aparelho bem mais confortável do que os últimos celulares que testei, que me incomodaram por serem grandes demais.

O One Action ganha no conforto por causa dessa largura, mas isso significou mais bordas na hora de usá-lo para ver vídeos. Para a forma como eu uso celular, essa troca é um ponto positivo.

Tela boa, câmeras ótimas... Faltou falar da bateria no tripé das prioridades de quem compra um celular. Comecemos pelo lado positivo: em todos os dias que usei o Motorola One Action, a carga aguentou até eu voltar para casa de noite. Não fiquei vendido, na rua, com o celular desligado.

No entanto, isso é o mínimo que se espera para o lançamento de um celular moderno e meu uso não foi lá muito intenso. A impressão que fiquei é que se eu usasse mais o smartphone para navegação com o Waze ou para o consumo de conteúdo em vídeo no transporte público indo e vindo para o trabalho, precisaria de um carregador portátil para não ficar sem bateria no meio do dia.

Se a bateria está apenas na média, o desempenho do Motorola One Action me deixou uma impressão positiva. Ele roda o Android Pie quase puro, o que dá uma experiência melhor na navegação entre aplicativos, se comparado a smartphones com versões antigas do sistema operacional ou versões modificadas dessa mais recente.

O celular não travou nenhuma vez enquanto o utilizei e a única lentidão que percebi foi no Pokémon Go, mas isso me parece um problema de otimização do app para Android, já que notei o mesmo no Moto G7 Plus.

De resto, os demais apps que utilizei rodaram bem e a troca de um para outro ocorreu sem nenhum tropeço. Para dar uma ideia melhor, os aplicativos que usei com maior frequência foram WhatsApp, Twitter, Spotify, Firefox e o Waze.

Depois de tudo isso, chegamos à pergunta mais importante: o Motorola One Action vale o que custa? Pela minha experiência, considero o custo-benefício desse smartphone bom, mas olhando para o que aconteceu com o preço do One Vision, recomendaria esperar uns meses antes de investir na troca do seu aparelho por esse, porque o negócio vai sair mais em conta.

Se você busca um celular da Motorola custava entre R$ 1.500 e R$ 2.000 no lançamento, o One Action chega para diversificar o que o One Vision e o Moto G7 Plus ofereciam. Entre os três, o One Action é o que tem a proposta mais diferente e específica, graças à câmera Action, mas essa é uma função que não vejo a maioria das pessoas aproveitando no dia a dia - por que não liberar a câmera Action para fotos, Motorola?

Ainda assim, o design, desempenho e tela do One Action me agradaram mais que os do G7 Plus (que já é encontrado a R$ 1.198*) e o preço é um pouco menor que o One Vision (à venda por R$ 1.439*), embora as câmeras sejam inferiores - isso não significa ruins.

Dando uma olhada na concorrência, o Galaxy A50 (encontrado por R$ 1.349*) leva a melhor na bateria e na câmera tripla, já que todas são usadas para fotos. O Redmi Note 7, da Xiaomi (encontrado por R$ 1.074*), também leva vantagem na bateria e tem uma câmera dupla mais poderosa para fotos, só que sem uma grande angular para fotos ou vídeos.

  • Tela: 6,3 polegadas (2520x1080)
  • Sistema operacional: Android Pie
  • Processador: Exynos 6909 (2,2 GHz)
  • Câmeras: 12 MP, 5 MP e 16 MP Action (traseira) e 12 MP (frontal)
  • Memória: 128 GB de armazenamento e 4 GB de RAM
  • Bateria: 3.500 mAh
  • Dimensões: 160.1 mm X 71.2 mm X 9.2 mm e 181 gramas
  • Pontos positivos: câmeras, design e tela
  • Pontos negativos: câmera Action só filma e bateria

*Valores checados no Shopping UOL em 27/08/2019

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