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Sem defesas contra golpes, empresas podem perder US$ 133 bilhões em 5 anos

Estudo ouviu especialistas e executivos de 13 países, como o Brasil - Getty Images/iStockphoto
Estudo ouviu especialistas e executivos de 13 países, como o Brasil Imagem: Getty Images/iStockphoto

Luiza Ferraz

Especial para o UOL

11/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Perda por falta de segurança digital equivale a 7,5% do PIB, diz consultoria
  • Hackers miram menos nas empresas, e mais nos funcionários
  • Uma possível solução é integrar áreas de segurança e comunicação

Com o crescimento da era digital, também aumentaram exponencialmente os ataques cibernéticos no Brasil. Segundo uma pesquisa da consultoria de tecnologia Accenture, esse tipo de crime na segurança digital cresceu em 67% nos últimos cinco anos no país.

E grande parte das empresas brasileiras, na avaliação da consultoria, ainda não construiu uma arquitetura de negócios focada na segurança. O estudo estima uma perda geral, ao longo dos próximos cinco anos, no valor de US$ 133 bilhões, ou em torno de 7,5% do PIB brasileiro em 2018 --US$ 1,71 trilhões, ou R$ 6,8 trilhões.

Para chegar à conclusão, a empresa entrevistou especialistas e realizou pesquisas de opinião com 1.700 executivos de 13 países, incluindo o Brasil.

Antes, o hacker era alguém motivado pelo desafio. Quando perceberam que essa atividade tinha ganhos financeiros, evoluíram para quadrilhas muito bem organizadas
André Fleury, diretor executivo de cibersegurança da Accenture

Como proteger a empresa?

Antes de pensar na empresa individualmente, é preciso enxergar todo o 'ecossistema', ou seja, o ambiente de negócios no qual ela se encaixa.

"As corporações precisam trabalhar juntas para melhorar a segurança e criar padrões. É importante que elas compartilhem informações sobre ataques, pois quando um criminoso descobre um método de invadir um lugar, ele avisa seus colegas e isso se espalha como um vírus", explicou Fleury.

Para que isso não aconteça, as áreas de segurança e comunicação de uma empresa precisam estar interligadas para encontrar a melhor forma de gerenciar uma crise e conquistar a confiança dos clientes.

"É preciso haver transparência na transação de informações. O banco precisa falar para o cliente que não manda email pedindo senha, explicando onde clicar ou não clicar, para que não haja um mal entendido", disse o especialista.

Além disso, o monitoramento da internet precisa acontecer 24 horas por dia, durante todos os dias da semana, para que haja uma resposta rápida em caso de ataques. Atualmente os hackers não miram mais nas empresas, e sim nas pessoas --ou seja, seus funcionários. Estratégias de phishing podem ser eficazes neste sentido.

"Se você está ligado a outra empresa e ela não tem a segurança muito forte, pode ser usada como um veículo para te atacar. A segurança do coletivo aumenta a segurança de cada membro", disse Fleury.

Desta maneira, eles afirmam que as grandes empresas são responsáveis por promover um ambiente digital sustentável.

O que a falta de segurança faz?

O objetivo do estudo da Accenture é convencer executivos que a segurança online não é mais opcional e que expor a sua companhia a um risco desnecessário pode afetar toda uma economia digital.

Além dos custos às empresas brasileiras citados acima, no mundo todo, esse valor pode chegar a US$ 5,8 trilhões, de acordo com o relatório da consultoria. Setores da alta tecnologia enfrentam maior risco, com US$ 753 bilhões em perigo.

Mesmo sabendo dos riscos, 73% dos executivos entrevistados na análise admitem que a inovação em segurança tem sido mais rápida do que a adoção pelas empresas. Além disso, 56% dizem que esse tema é muito complexo para que possam abordar sozinhos.

"O ataque cibernético WannaCry, em 2017, atingiu fortemente o sistema público de saúde do Reino Unido. Resultado: 19 mil consultas canceladas, rotas de ambulância alteradas e um prejuízo de quase 100 milhões de libras (aproximadamente R$ 510 milhões, no câmbio atual)", ressaltou a pesquisa.

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