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Após recorde de downloads, TikTok é acusado de abrigar pornografia; entenda

TikTok - Divulgação
TikTok Imagem: Divulgação

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

18/04/2019 04h00Atualizada em 18/04/2019 19h04

Resumo da notícia

  • App chinês de vídeos de música e dança passou a abrigar pornografia
  • Índia é um dos maiores mercados do app
  • País ordenou que Apple e Google removessem o aplicativo de suas lojas de aplicativos
  • Criado em 2016, expandiu-se para o Ocidente e já é usado em mais de 150 países

Talvez você não conheça ainda o app de vídeos TikTok, mas certamente as crianças e jovens ao seu redor conhecem. Ele já foi baixado 1,1 bilhão de vezes, ao mesmo tempo que virou um grande problema para Google e Apple. Segundo autoridades da Índia, o app, que ficou famoso principalmente por vídeos de danças e sincronia labial, passou também a abrigar outros conteúdos, incluindo pornografia.

A notícia chega em um momento em que discute-se com mais seriedade o papel das plataformas de internet em relação à exposição online dos jovens a conteúdo impróprio, ou exploração da imagem desses mesmos jovens, como nos recentes casos da pedofilia no YouTube e dos supostos vídeos de incentivo ao suicídio da boneca Momo no WhatsApp.

Adolescentes procuram usar redes sociais menos populares e em estágio inicial para ficarem mais à vontade do olhar vigilante dos pais.

O TikTok se encaixaria, por enquanto, neste perfil, assim como o Snapchat há alguns anos.

O que é? O TikTok é um aplicativo para criar e compartilhar vídeos curtos. Permite stickers e filtros de rosto, como Snapchat e Instagram Stories, mas seu maior diferencial é a grande biblioteca de músicas pop para fazer vídeos de dança e sincronia labial.

Quando e onde ele surgiu? O aplicativo foi lançado como DouYin na China em setembro de 2016 e foi introduzido no mercado internacional como TikTok um ano depois.

Não havia outros assim? Ele não foi a primeira rede social de música --tivemos o DubSmash chamando a atenção em meados de 2015 e o Musical.ly no ano seguinte.

Mas a ByteDance gastou US$ 1 bilhão para comprar o rival Musical.ly em 2017 e, no ano seguinte, este app foi "assassinado" por sua nova dona, obrigando os usuários a migrarem para o TikTok em fevereiro de 2018. Assim, quem atualizasse o Musical.ly no celular automaticamente iria para o TikTok. Um movimento súbito e pouco comum --geralmente a migração nestes casos é mais gradual.

E qual é o tamanho do sucesso? Apesar de ainda pouco conhecido no Brasil, o TikTok foi ganhando hype à medida que passou a focar em sua expansão no Ocidente. Celebridades incluindo Jimmy Fallon e Tony Hawk aderiram ao aplicativo no final de 2018.

Ele já foi baixado mais de 80 milhões de vezes nos Estados Unidos, em um total de cerca de 1,1 bilhão de vezes em mais de 150 países pelo mundo, segundo levantamento de novembro da empresa de pesquisas móveis Sensor Tower.

Segundo a Bloomberg, a Bytedance se tornou a startup de maior valor no mundo, com capital fechado estimado em US$ 75 bilhões.

Ah, e ciente do sucesso do TikTok, o Facebook fez a sua cópia no final do ano passado, chamada Lasso --que por enquanto, ainda não emplacou.

O que rolou na Índia? O principal órgão regulador de comunicações digitais do país, o Ministério da Eletrônica e Tecnologia da Informação, ordenou nesta semana que a Apple e o Google removessem o aplicativo de suas lojas de aplicativos, por causa de pornografia e outros conteúdos ilícitos.

Além de proibir os downloads, o tribunal também ordenou ao regulador que proibisse as empresas de mídia indianas de transmitir quaisquer vídeos, ilícitos ou não, feitos ou publicados no TikTok. A Bytedance tem trabalhado para tentar recorrer das ordens, mas a Suprema Corte, onde a apelação foi ouvida, a confirmou.

A Índia é um dos mercados mais promissores da empresa, com 120 milhões de usuários ativos.

A decisão judicial restringe downloads do aplicativo na Índia e não o uso por quem já baixou, segundo uma das pessoas ouvidas anonimamente pela Bloomberg.

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Representantes da Apple e do Google se recusaram a comentar. Já uma porta-voz da Bytedance apresentou o seguinte comunicado: "Temos fé no sistema judicial indiano. E estamos otimistas com um desfecho que seja bem recebido por mais de 120 milhões de usuários ativos mensalmente na Índia."

Esta não é a primeira vez que o TikTok enfrenta uma reação de governos sobre seu conteúdo. Nos EUA, há dois meses, a Comissão Federal de Comércio determinou que o aplicativo violava as leis de privacidade das crianças e o multou em US$ 5,7 milhões. Por meio de uma atualização forçada do app, exigiu que todos os usuários com mais de 13 anos confirmassem a idade, ou seriam redirecionados para uma experiência mais restrita.

* Com agência Bloomberg