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Missão com final trágico: alguma pessoa já morreu no espaço?

Os cosmonautas russos Georgi Dobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev, da missão espacial Soyuz 11, em junho de 1971 - Keystone/Hulton Archive/Getty Images
Os cosmonautas russos Georgi Dobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev, da missão espacial Soyuz 11, em junho de 1971 Imagem: Keystone/Hulton Archive/Getty Images
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

25/05/2020 04h00

Pergunta de Clodoaldo Brito de Oliveira, de Morro do Chapéu, BA - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Sim, infelizmente, seu Clô. No finzinho de junho de 1971, três cosmonautas perderam a vida a bordo da nave Soyuz 11. Os soviéticos Georgi Dobrovolsky, Viktor Patsayev e Vladislav Volkov estavam voltando da primeira estação espacial, a Salyut 1, após três semanas de estadia. Quando a Soyuz desacoplou da estação, uma válvula defeituosa causou a descompressão da cabine e matou a tripulação na hora. Como já estavam em missão de retorno, a nave voltou para a Terra e caiu no Cazaquistão. O local em que os corpos foram resgatados abriga um memorial em homenagem ao trio.

homenagem aos cosmonautas - Reprodução - Reprodução
Em agosto de 1971, semanas após o acidente, o trio de cosmonautas mortos no espaço foi homenageado com essa placa que a missão Apollo 15 deixou na Lua junto com a escultura batizada de "Astronauta Caído", do belga Paul Van Hoeydonck. Trata-se de um memorial com os nomes das 14 pessoas que, até então, haviam visitado o espaço e já estavam mortas, incluindo o soviético Yuri Gagarin, primeiro homem a ir para o espaço
Imagem: Reprodução

Tecnicamente, a morte desses cosmonautas foram as únicas ocorridas "no espaço" levando em consideração a linha de Kármán (100 km acima do nível do mar) - para a Nasa, o espaço começa a 80 km de altitude.

Em voos que a tripulação chegou até o espaço e morreu no retorno à Terra, mas já em altitude abaixo do limite espacial, são mais oito mortes - o cosmonauta Vladimir Komarov, cujo paraquedas da Soyuz 1 não abriu durante a reentrada, em 1967, e outros sete astronautas que faleceram a bordo do ônibus espacial Columbia em 2003.

Contabilizando os voos que não chegaram até o espaço, são mais oito astronautas mortos, incluindo os sete tripulantes do ônibus espacial Challenger, que explodiu 73 segundos depois do lançamento, em 1986. As mortes em treinamentos e testes para missões somam mais 11 pessoas para este triste obituário espacial. Ou seja, entre astronautas e cosmonautas, que chegaram até o espaço ou não, 30 pessoas morreram em missões espaciais ou na preparação para elas.

E para finalizar esse triste cálculo, considerando gente que não era astronauta nem cosmonauta mas que foi morta por acidentes relacionados à exploração espacial, são pelo menos mais 241 mortes - há estimativas de que sejam mais de 330. Isso pela contagem oficial - subnotificação é coisa antiga.

No fim das contas, centenas de indivíduos deram a vida em nome do sonho de conhecermos o que há além do nosso planeta. A nós, que aqui ficamos, resta prestar os sentimentos aos familiares e as homenagens devidas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.