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Guilherme Rambo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Face ID para máscara vai liberar iPhone, mas você terá que ter algo a mais

Ivan Samkov/ Pexels
Imagem: Ivan Samkov/ Pexels
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

05/02/2021 04h00

Desde a época do iOS 11, a Apple vem mudando sua estratégia de software para incluir recursos novos em atualizações menores dos seus sistemas operacionais ao longo da sua existência, no lugar de segurar recursos novos apenas para versões maiores, lançadas anualmente.

Isso se prova com a chegada das primeiras versões de teste para desenvolvedores do iOS 14.5, watchOS 7.4 e macOS 11.3. Lançadas na terça-feira (2), as atualizações trouxeram muitas novidades interessantes. Embora ainda estejamos na fase de testes, vale comentar um pouco do que está por vir.

Desbloqueio do iPhone usando máscara

Eu nunca senti tanta falta de um iPhone com Touch ID como agora. Toda vez que não estou em casa e, por consequência, estou usando máscara, meu iPhone não consegue desbloquear automaticamente usando Face ID, eu preciso digitar minha longa senha alfanumérica toda vez, o que é bastante inconveniente. Deixar o iPhone sem proteção alguma ou reduzir a complexidade da senha não é uma opção para mim, tornando o uso do iPhone bem menos agradável.

A novidade que chegou no iOS 14.5 e no watchOS 7.4 é que agora será possível desbloquear seu iPhone com Face ID mesmo de máscara, desde que você esteja com seu Apple Watch no pulso.

Da mesma forma que o Apple Watch pode ser usado para desbloquear o Mac, o iPhone irá detectar que é você de máscara e então utilizará o Apple Watch para "completar" a autenticação, tudo isso de forma totalmente transparente.

Como se trata de um recurso de segurança, existem algumas limitações. Primeiro, ele não vem ligado por padrão, é necessário ativá-lo nos ajustes do iPhone. Também é necessário que tanto o iPhone quanto o Apple Watch possuam uma senha de desbloqueio configurada e que o Apple Watch esteja no seu pulso e desbloqueado.

A segurança vem do fato de que, ao tirar o Apple Watch do pulso, o mesmo bloqueia automaticamente. Além disso, a autenticação requer que os dispositivos estejam próximos um do outro, de modo a reduzir a probabilidade de um falso positivo com outra pessoa tentando desbloquear seu iPhone de máscara.

O recurso só pode ser usado para desbloquear o iPhone, a autenticação em apps que utilizam Face ID ou para Apple Pay ainda precisa ser feita manualmente.

É uma pena que esse recurso tenha demorado tanto para chegar, mas creio que seja possível que ele estivesse em desenvolvimento já desde o início da pandemia.

Recursos que mexem com esse nível de segurança — desbloquear o iPhone — exigem muito trabalho de desenvolvimento, além de revisões da implementação para garantir que é segura e muitos testes em diversas situações para confirmar seu funcionamento adequado.

Algumas pessoas especulam se isso muda alguma coisa com relação aos rumores de que os iPhones a serem lançados no final deste ano teriam tanto Face ID quanto Touch ID. Afinal, por que a Apple lançaria um recurso como este agora, sabendo que em alguns meses o problema já seria "resolvido" de outra forma?

Eu consigo ver os dois lados do argumento. Por um lado, a Apple poderia ter decidido desenvolver este recurso por saber que os iPhones a serem lançados no final do ano não viriam com Touch ID como dizem os rumores. Por outro lado, um recurso como este mostra que a empresa já está pronta para adotar a autenticação combinada, usado mais de um tipo de biometria.

Minha conclusão é que o lançamento desse recurso não diz muita coisa sobre o que poderia ser lançado no final do ano. Até porque nem todo muito vai comprar o "iPhone 13" no dia do seu lançamento e ainda temos cerca de 8 meses até lá.

Novidades que estão por vir com o iOS 14.5 - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
Novidades que estão por vir com o iOS 14.5
Imagem: Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo

Atualizações nos apps e Siri

O iOS 14.5 também trouxe algumas novidades bacanas nos aplicativos. Um que ganhou atenção especial foi o app Podcasts, que trouxe um visual mais moderno, mostrando agora as capas dos podcasts num formato de cabeçalho com fundo colorido de acordo com as cores da capa, bem mais parecido com o app Música.

No Lembretes, a Apple colocou opções para ordenar as listas com base em diversos critérios, além da possibilidade de imprimir listas, recurso que particularmente não irei utilizar, mas entendo que para algumas pessoas pode ser necessário ter uma lista em formato "físico" de vez em quando.

A Siri também recebeu algumas mudanças interessantes e um novo recurso.

Agora é possível falar para a Siri ligar para os serviços de emergência, isso traz uma interface especial com uma contagem regressiva para que o usuário possa cancelar o pedido caso tenha feito acidentalmente.

Além disso, a interface de enviar mensagens com a Siri está um pouco diferente, permitindo ao usuário modificar manualmente as mensagens quando necessário. O recurso "digitar para a Siri" agora adotou a interface compacta, sem cobrir a tela inteira.

Uma mudança pequena, mas que corrige algo que incomodava muitos usuários — inclusive eu — é que agora quando o iPad Pro está conectado ao Smart Keyboard ao ser ligado, o logo da Apple aparece na orientação correta, não mais de lado como aparecia antes.

Recursos que não estão disponíveis no Brasil

Os novos betas vieram também com diversos outros recursos interessantes, mas que infelizmente não poderão ser desfrutados pelos brasileiros.

Um deles é o suporte a dual-SIM nos iPhones com 5G. Atualmente, quando o recurso é usado, o iPhone reverte automaticamente para a rede LTE. Com a nova versão do sistema, será possível utilizar a tecnologia 5G nos dois SIMs simultaneamente. Já falei sobre o dual-SIM por aqui, embora atualmente não esteja sendo útil porque não estou viajando, certamente voltarei a usá-lo nas minhas viagens pós-pandemia.

A Apple também está trabalhando para disponibilizar dois recursos novos aos utilizadores do seu cartão de crédito, o Apple Card. Um deles é a possibilidade de compartilhar o cartão virtual com membros da família, inclusive definindo um limite de crédito customizado para cada um.

O outro é um recurso de "saúde financeira" que analisa o perfil de consumo do usuário e dá dicas sobre como melhorar seus hábitos para gastar menos. Não está claro se este recurso é apenas referente ao Apple Card, ou se ele se aplicaria a todos os gastos realizados através do Apple Pay.

Não há previsão nem rumores de quando o Apple Card seria disponibilizado aqui no Brasil. Atualmente, ele está disponível apenas nos Estados Unidos.

Outro serviço da Apple — este mais recente — que ainda não deu as caras por aqui é o Fitness+, que permite ao usuário acompanhar sessões de exercício guiadas com treinadores profissionais. A novidade no iOS 14.5 é que agora será possível transmitir as sessões para qualquer aparelho compatível com AirPlay, eliminando a necessidade de usar uma Apple TV para poder fazer os exercícios na frente da TV.

Este foi um compilado das novidades que estão para chegar nas novas atualizações da Apple. Por enquanto estão disponíveis apenas nas versões de teste para desenvolvedores, mas em breve devem sair as versões de teste públicas. O lançamento para o público em geral deve ocorrer em meados de março.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL