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Guilherme Rambo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RealityOS: sistema operacional dá pistas sobre a realidade virtual da Apple

Design do que seria o headset de VR/AR da Apple, divulgado por Ian Zelbo - Ian Zelbo (Renders by Ian)
Design do que seria o headset de VR/AR da Apple, divulgado por Ian Zelbo Imagem: Ian Zelbo (Renders by Ian)
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Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

11/02/2022 04h00

Os rumores sobre um suposto headset de realidade aumentada/virtual da Apple esquentaram esta semana. Já falei sobre o conceito diversas vezes por aqui, que vem sendo corroborado por analistas há muitos anos, alguns deles afirmando que 2022 poderia finalmente ser o ano no qual o produto se tornaria realidade (com o perdão do trocadilho).

O que veio para colocar mais lenha na fogueira nos últimos dias foram alguns vazamentos em códigos abertos da Apple que contêm claras referências a um novo sistema operacional, chamado de realityOS.

O analista Mark Gurman já havia mencionado o nome, assim como uma versão menor dele, rOS, há algum tempo, mas agora temos uma "confirmação" vinda diretamente da Apple de que existe sim um sistema operacional da empresa totalmente voltado para experiências de realidade aumentada ou virtual.

Se você tem curiosidade em saber como um vazamento desse tipo acontece, leia os próximos dois parágrafos. Em seguida, explico qual a relevância desse vazamento ter ocorrido agora.

Explicando como se deu esse vazamento. Vários componentes dos sistemas da Apple são de código aberto, permitindo que outros desenvolvedores ou empresas utilizem o código, façam revisões independentes, ou enviem contribuições com melhorias e correções de bugs. Um desses componentes é o dyld, um processo do sistema responsável por carregar bibliotecas nos apps.

Pois no último dia 4 de fevereiro, a Apple publicou uma alteração no código aberto desse componente que adicionou algumas verificações buscando um sistema operacional chamado realityOS. A empresa tentou corrigir o erro "reescrevendo" o arquivo, mas devido à forma como sistemas de controle de código funcionam, a versão que menciona o realityOS continua no ar para quem tem o link.

O que o vazamento indica

Tanto o conteúdo do vazamento quanto o fato dele ter ocorrido agora são informações interessantes.

Começando pelo conteúdo. Analisando as informações que surgiram, pode-se concluir que o realityOS é um sistema operacional baseado no iOS do iPhone, o que não é nenhuma grande surpresa já que a maioria dos sistemas operacionais da Apple hoje em dia é derivada dele.

O fato do sistema operacional que dará vida ao headset de realidade aumentada ser baseado no iOS é uma boa notícia para desenvolvedores que já criaram experiências de realidade aumentada para iPhones e iPads. Muito provavelmente essas experiências poderão ser adaptadas ao novo produto sem muito trabalho adicional.

Além disso, apareceram também referências a um "reality simulator", provavelmente um equivalente ao iPhone Simulator, um programa que roda no Mac e permite a desenvolvedores realizarem a simulação de um hardware físico de forma inteiramente virtual.

Ou seja, é bem provável que desenvolvedores poderão criar experiências para o novo produto sem a necessidade de adquirir o hardware propriamente dito.

Sobre o timing, me parece claro que os planos da Apple para 2022 incluem o anúncio do novo produto e plataforma de realidade aumentada.

Estas referências ao novo sistema operacional não estariam aparecendo se a empresa não estivesse próxima de torná-lo público, algo que pode acontecer na WWDC, conferência anual de desenvolvedores que ocorre em junho.

Isso não significa necessariamente que veremos o lançamento de um produto ainda este ano. Acredito que a Apple fará o anúncio dele na WWDC em junho, que deverá contar com muito conteúdo para que os desenvolvedores comecem a criar apps para a nova plataforma.

Esse anúncio inicial pode até não incluir o produto em si e focar somente na plataforma de desenvolvimento, talvez acompanhada de algum hardware somente para desenvolvedores.

O anúncio de fato e possível lançamento não devem acontecer antes de setembro, que é quando a empresa normalmente lança novos iPhones, ou talvez ainda mais para o final do ano, já que a empresa teve em anos anteriores eventos em outubro ou até novembro.

Eu falo em "possível lançamento" porque, com a questão da falta de componentes no mercado, é difícil prever a capacidade que a Apple terá de fabricar um produto totalmente novo em quantidades suficientes para um lançamento ainda em 2022.

Quem está ansioso para por um headset de realidade aumentada da Apple na cabeça talvez tenha que esperar 2023.