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Guilherme Rambo

Sem exagero: Apple mostra na real como dados são rastreados sem você saber

Alex Green Pexels
Imagem: Alex Green Pexels
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

29/01/2021 04h00

Ontem, 28 de janeiro, foi o Dia Internacional da Privacidade de Dados. O objetivo desse dia é conscientizar pessoas e empresas sobre a importância de promover a privacidade e a proteção dos dados. Como já era esperado, a Apple resolveu fazer algo especial sobre esse dia.

A empresa lançou um panfleto digital, com linguagem simples, mostrando como a vida de um usuário de dispositivos eletrônicos pode ser rastreada por empresas sem que ele tenha conhecimento. Gostei bastante do material produzido e trago aqui uma visão geral sobre ele, além das novidades que estão por vir no iOS para aumentar ainda mais a privacidade dos usuários.

"Um dia na vida dos seus dados"

O panfleto começa com um pronunciamento de Steve Jobs, dado em entrevista no ano de 2010:

Acredito que as pessoas são inteligentes e algumas pessoas desejam compartilhar mais dados que outras. Peça sua permissão. Peça cada vez. Faça elas dizerem a você que pare de pedir se estiverem cansadas. Explique a elas exatamente o que você fará com seus dados"

A seguir, há uma explicação sobre como um mercado obscuro da venda e compartilhamento de dados vem crescendo nos últimos anos, alimentado por um ecossistema de sites, apps, redes sociais, empresas que vendem anúncios e empresas cujo único propósito é agregar e distribuir dados.

O exemplo dado no panfleto é de um pai que planeja um dia no parque com a filha. O pai verifica a previsão do tempo, lê notícias e utiliza um app de mapas para ver como está o trânsito. Ao longo do caminho para o parque, apps no seu smartphone estão constantemente gravando a localização e vendendo para empresas das quais ele nunca ouviu falar.

Enquanto isso, a filha está jogando no tablet do pai e vê um anúncio que foi desenhado especificamente para o público no qual o pai se encaixa, graças à diversidade de dados disponíveis sobre seus hábitos.

No parque, pai e filha tiram uma selfie usando um desses apps que permitem colocar efeitos nas fotos, mas o app usado recebeu acesso a todas as fotos do aparelho, não somente a selfie que acaba de ser feita, utilizando os metadados dessas fotos para alimentar uma base de dados e ampliar o perfil do usuário.

Esses são apenas alguns exemplos dados no panfleto sobre como a utilização de dispositivos eletrônicos pode ser prejudicial à sua privacidade.

Tela de smartphone mostra como a aparelhos da Apple lida com a privacidade e uso de dados por apps - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
Como usuários de aparelhos da Apple são informados sobre o uso de seus dados por apps
Imagem: Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo

Como se proteger

As narrativas como a apresentada no panfleto costumam ser feitas de forma a assustar muito quem está lendo. Acredito que o panfleto da Apple conseguiu passar a mensagem sem exagerar, muito diferente do documentário "O Dilema das Redes", que tem conteúdo extremamente fantasioso e exagera muito na tentativa de deixar quem o assiste desesperado.

O panfleto também traz fontes para as informações mais importantes apresentadas, mostrando que não se tratam de invenções.

De qualquer forma, é importante que todos aqueles que utilizam dispositivos conectados à internet tenham conhecimento sobre esses assuntos para que possam decidir até que ponto estão dispostos a compartilhar seus dados com o mundo.

Felizmente, os produtos e serviços da Apple são desenvolvidos com privacidade em mente.

Um recurso lançado recentemente obriga publicadores de apps a deixarem claro na App Store suas práticas de privacidade, com linguagem curta e simples.

Além disso, numa atualização futura do iOS 14, apps que desejam acessar o identificador de publicidade do dispositivo —que permite o rastreio entre apps e sites— precisarão pedir permissão explícita do usuário. Essa mudança deixou o Facebook furioso, como já comentei em outro artigo. O Google adotou uma posição diferente: em vez de reclamar, decidiu parar de rastrear usuários nos seus apps para que não precise exibir o alerta pedindo permissão.

Essas mudanças são sem dúvida positivas para todos os usuários. Fico feliz de ver que ao menos uma empresa de tecnologia está tomando a frente na preservação da privacidade e criando materiais que ajudam a educar usuários a respeito desse assunto tão importante nos dias de hoje.