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Akin Abaz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Estas 8 tecnologias incríveis e a diversidade nas Olimpíadas me emocionaram

O robô mascote Miraitowa, das Olimpíadas de Tóquio, cumprimenta garoto durante apresentação para a imprensa - NurPhoto/NurPhoto via Getty Images
O robô mascote Miraitowa, das Olimpíadas de Tóquio, cumprimenta garoto durante apresentação para a imprensa Imagem: NurPhoto/NurPhoto via Getty Images
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Akin Abaz

Akin Bakari D'Angelo dos Santos é fundador da InfoPreta e homem trans. Um curioso nato e um amante do desconhecido, sempre se interessou por montar, desmontar e entender o funcionamento dos eletrônicos. Fez cursos técnicos na adolescência e, aos 15 anos, já atuava na área da indústria com manutenção eletrônica de maquinário pesado. Em 2011, começou a consertar computadores em seu quarto e dois anos depois fundou a InfoPreta, empresa de serviços de manutenção que tem por objetivo inserir pessoas negras, LGBTQI+ e mulheres no mercado tech, aliando lucros a projetos sociais de grande impacto.

Colunista do UOL*

05/08/2021 04h00

A cada quatro anos, podemos ver o país que é escolhido para sediar os Jogos Olímpicos tentar dar o seu melhor e mostrar para o restante do mundo toda a sua história, cultura, infraestrutura e tecnologia. Nesse período, todos os olhares e câmeras estão voltados para a sua nação e para o seu povo.

No caso do Japão, devido a toda a sua trajetória de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial e os investimentos e criações tecnológicas feitas desde então, era de se esperar um espetáculo de grandes proporções e em diversas frentes no setor tecnológico.

As Olimpíadas estão sendo marcadas por tecnologias chamativas, como o desenho de um globo formado por drones na cerimônia de abertura, mas também por inovações nos bastidores que vão do monitoramento à análise de dados.

Veja agora algumas das tecnologias utilizadas nos Jogos Olímpicos de Tóquio:

Cobertura panorâmica

Todas as modalidades esportivas estão sendo transmitidas por câmeras 4K de alta velocidade e um sistema de 360° que permite gerar replays quase que instantâneos, o que é fundamental nas competições ao mostrar lances que podem ser considerados controversos. Além disso, os espectadores têm a impressão de estarem mais próximos dos atletas e dos eventos esportivos realizados.

Camas de papelão

As camas de papelão viralizaram após vídeo no perfil do ponteiro da seleção brasileira de vôlei Douglas Souza, que dançou e sambou em cima da cama para testar o móvel. E, para além do seu senso de humor, acabou chamando atenção também para a resistência do leito.

Além dessas camas, que suportam até 200 kg, os colchões utilizados também são recicláveis e feitos de polietileno pela empresa norte-americana Airweave. Após os Jogos Olímpicos, as camas serão recicladas e os colchões utilizados em novos produtos.

Veículo autônomo

Um veículo autônomo, mas com supervisão humana, da montadora japonesa Toyota, está sendo utilizado para percorrer entre os espaços destinados aos jogos, como os ginásios, e também do aeroporto a vila olímpica.

O carro elétrico tem capacidade para até 20 pessoas, atinge velocidade de 19 km/h e possui sensores que detectam obstáculos, como objetos e pessoas, durante o trajeto.

Reconhecimento facial

A tecnologia de reconhecimento facial já é uma realidade na capital japonesa e possui precisão de 99,9 %, dispensando o uso de apresentação de passaporte ou passagem aérea. Ela é capaz de identificar rostos ainda que de máscaras de proteção contra a covid-19.

Medalhas

Nas Olimpíadas e Paralimpíadas de Tóquio, as medalhas foram fabricadas com metais reaproveitados de lixo eletrônico. Para uma média de 5.000 medalhas, mais de 6 milhões de telefones celulares usados e aproximadamente 78 toneladas de computadores, tablets, monitores e outros aparelhos antigos e/ou quebrados foram desmontados para reutilizar ouro, prata e bronze de componentes como as placas de circuito.

Internet e resolução em 8K

O Comitê Olímpico Internacional fez parceria com as empresas Cisco, NTT DOCOMO e Intel para fornecerem a rede de internet 5G das Olimpíadas de 2021. A rede, que é baseada no processador Intel Xeon, permite conexão de 42 locais de jogos mais a Vila Olímpica.

E, para aqueles que estão no Japão, será possível acompanhar a transmissão das Olimpíadas com resolução de imagem 8k. Isso porque, a emissora pública japonesa NHK, prevê 200 horas de cobertura com essa qualidade em seu canal BS8K (Broadcast Satellite 8K).

Robôs

Por já fazerem parte da rotina daqueles que vivem na capital japonesa, os robôs não poderiam ficar de fora dos jogos olímpicos. Nas Olimpíadas, eles têm sido utilizados para guiar visitantes e pessoas envolvidas nas competições, buscar equipamentos lançados pelos competidores e também no entretenimento, como as versões robotizadas dos mascotes que interagem com os atletas. Há cerca de 8 a 10 tipos de robôs realizando diferentes tarefas durante o período olímpico.

Dados biométricos

Em qualquer modalidade esportiva, ocorrem pequenas mudanças biométricas no corpo dos atletas envolvidos. Pela primeira vez nas Olimpíadas, os espectadores poderão acompanhar o monitoramento desses dados dos competidores, que serão transmitidos ao vivo através de câmeras de alta definição.

Os espectadores também têm acesso aos dados de performance dos atletas em tempo real. Em uma corrida, por exemplo, será possível conferir a mudança de velocidades entre os atletas, além de comparar a diferença entre eles por meio de infográficos dinâmicos.

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Eu não sei vocês, mas depois que conheci mais a fundo um pouco de toda a tecnologia que o Japão investiu nessas Olimpíadas, e por estar acompanhando várias modalidades que gosto como vôlei, atletismo, natação e skate, posso dizer que me encontro nesse momento de um único jeito: trabalhando no mood olímpico!

Para além do show de inovações e beleza, os Jogos Olímpicos de Tóquio estão sendo marcados pela superação, coragem e garra dos atletas.

Aqui, na InfoPreta, as Olimpíadas já virou assunto diário entre uma demanda e outra de trabalho. Nos emocionamos com o primeiro ouro olímpico da ginástica artística vindo pelas mãos e saltos de uma ginasta negra, a incrível Rebeca Andrade, que, sem dúvida, entrou para a história do esporte brasileiro e nos fez comemorar muito nas batidas do funk Baile de Favela, de Mc João.

Sem contar outros grandes esportistas, como a fadinha do skate, Rayssa Leal, que nos encantou com o seu jeito confiante e divertido, suas manobras seguras e habilidosas, mesmo ainda tão jovem.

E o que dizer da gigante Simone Biles? Não consigo mensurar em palavras o tanto de bravura e coragem que ela precisou ter para desistir de competir por alguns aparelhos em prol da sua saúde mental. Levantando a importante discussão a respeito do tema no universo esportivo e mostrando para muita gente que ainda não sabe que antes do atleta vem o ser humano.

Um outro motivo em especial que me tocou profundamente nessa edição é que pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos há atletas trans competindo. Para quem é novo aqui e ainda não me conhece, sou um homem trans. Logo, ver pessoas como eu ocupando esses espaços, é de extrema alegria e representatividade.

Por tudo isso, as Olimpíadas de 2021 vão ficar para sempre na minha memória e creio que na de muitos de vocês também.

Está sendo lindo voltar a usar as cores da nossa bandeira com orgulho e admiração.

Em tempos de pandemia, ter um objetivo em comum para vibrar, torcer, rir, chorar de emoção e que nos ensina a perder de cabeça erguida, está trazendo um respiro para todo o mundo, e em especial para o povo brasileiro, que tanto vem precisando de motivos para sorrir e se manter de pé com esperança em dias melhores.

Esse é o poder transformador do esporte!

* Colaborou Gabriela Bispo, jornalista e redatora de conteúdo da InfoPreta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL