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Ori and the Will of the Wisps eleva os "Metroidvania" a um novo patamar

A criaturinha brilhante vai enfrentar cenários misteriosos e conhecer novos personagens - Reprodução
A criaturinha brilhante vai enfrentar cenários misteriosos e conhecer novos personagens
Imagem: Reprodução

Makson Lima

Colaboração para o START

10/03/2020 08h01

E lá se vão quase três anos do anúncio de Ori and the Will of the Wisps, continuação de um dos melhores jogos do Xbox One. Surreal pensar que Ori and the Blind Forest foi o título de estreia da Moon Studios, cujos integrantes estão espalhados por todo o mundo, num verdadeiro conglomerado colaborativo de criatividade e amor à causa.

O novo jogo expande as ideias apresentadas no original, refinando cada um dos elementos que compõem um bom Metroidvania: progressão não-linear, cadenciada pelos poderes adquiridos, plataforma atrelada ao combate e um mapa vasto, abarrotado de nuances e segredos. O mapa do novo Ori talvez seja o mais instigante e complexo já visto no gênero. Drácula e seu castelo que me desculpem.

Das trevas, a luz

Ao contrário de Blind Forest, Will of the Wisps é mais focado em sua narrativa, disparando exatamente de onde o original parou, com mais personagens, cutscenes e profundidade. Se o original emocionava pontualmente, verdadeiramente dividido em três atos, a continuação dissolve a coisa toda, fazendo valer em cada momento.

A filhinha de Kuro é a nova integrante do grupo de espíritos guardiões. Ori, Naru, Gumo e a coruja filhote vivem dias de paz na floresta de Nibel, mas há algo de errado com a asa da nova amiga. Com uma deformidade congênita, não consegue voar sem amparo. Num momento de descoberta de suas capacidades, a coruja e Ori exploram novas horizontes do vasto mundo do jogo e se separam durante uma forte tempestade. O objetivo de Ori, então, passa a ser encontrar o incauto filhote, mas há mais problemas nessas terras ainda inexploradas pelo espírito de luz.

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O mapa do novo Ori talvez seja o mais instigante e complexo já visto no gênero. Drácula e seu castelo que me desculpem.

A degradação corrompe a natureza e seus habitantes, que há muito perderam as forças para lutar. O Salgueiro protetor, cuja luz se fragmentou quando seus galhos, folhas e raízes secaram, clama por ajuda, e Ori não poderia ter surgido em momento mais oportuno.

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Imagem: Divulgação

A introdução, linear, dá espaço a uma exploração bem mais livre, em que a dificuldade está atrelada a qual região do mapa você prefere (ou pode, por conta dos poderes necessários) explorar. Por conta disso, a escolha por checkpoints constantes e não mais deliberados por parte de quem joga, foi uma escolha acertada, pois experimentação é parte integral ao desbravar o desconhecido.

A trama de conto de fadas de Ori casa perfeitamente com seu visual, nada além de desnorteante. É comum parar por vários minutos, contemplando os cenários, sempre vivos. A cachoeira que faz a roda d'água girar, as areias do deserto dançando com o vento, cada uma das folhas de uma árvore, vivas, como numa melodia da natureza. Toda essa beleza não faria sentido sem uma trilha sonora a altura, e The Will of the Wisps também não decepciona nesse quesito. Por muitas vezes, me perguntava o que mais impressionava ali, se o gameplay, gráficos ou se as composições.

O novo Ori é um deleite não só para os fãs do gênero, mas para os apreciadores de um bom videogame.

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A trama de conto de fadas de Ori casa perfeitamente com seu visual, nada além de desnorteante. É comum parar por vários minutos, contemplando os cenários, sempre vivos

Na natureza selvagem

Os perigosos de Niwen funcionam em contraposição à fragilidade da corujinha, logo, Ori precisa de novas capacidades para fazer frente aos obstáculos e encontrar sua amiga. The Will of the Wisps mergulha fundo em seu combate quando concede ao espírito de luz muitos poderes, alguns direcionados a derrotar inimigos, outros voltados a exploração e interação com o cenário.

Botões contextualizados oferecem liberdade de escolha e há muitas formas de construir o seu Ori. Além da espada, arco e flecha, espinho e diversas outras formas ofensivas, fragmentos de luz são equipados para tornar nosso herói ora mais defensivo, ora mais precavido. Quase tudo é passivo de evolução e aí entram diversas criaturas amistosas da floresta. Apesar de Niwen viver dias sombrios, a vida ainda luta para continuar existindo, e cada um dos diversos e variados cenários é prova inegável.

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Imagem: Divulgação

Clareiras da Nascente é um desses lugares. Com tantas missões paralelas, itens salientes (como sementes e minérios) e Moki (os amigáveis lêmures desse mundo, sempre dispostos a ajudar), ter um local central para reunir os novos amigos e refletir sobre a próxima aventura é importante. É como se o jogo se ramificasse a partir de um cerne, onde feitos nas cavernas escuras, casa de aranhas, ou então nos pântanos onde vive o guardião Kwolok, reverberam em outras áreas.

Assim como aconteceu em Blind Forest, Will of the Wisps se põe à prova constantemente, sempre oferecendo novas possibilidades de poderes e maneiras de utilizá-los, sem perder tempo. Batalhas contra chefões e sequências de fuga são memoráveis.

The Will of the Wisps, assim como tantos jogos do gênero, coloca quem joga como um verdadeiro cartógrafo, analisando sob lupa o vasto mapa de Niwen. É um deleite revisitar áreas, alcançar novas alturas e fazer isso com agilidade felina e primata de Ori - o controle sobre o bicho é total, milimétrico e cirúrgico.

É como se o jogo se ramificasse a partir de um cerne, onde feitos nas cavernas escuras, casa de aranhas, ou então nos pântanos onde vive o guardião Kwolok, reverberam em outras áreas.

Tecnicidades em Niwen

No entanto, mesmo jogando no Xbox One X, todo deslumbre do novo Ori não foram suficientes para evitar problemas de performance. Ou talvez a beleza tenha sido em demasia? Num jogo que preza por execução primorosa de seus comandos —as corridas dos portais de pedra são um belo desafio por si só! - a experiência se faz um tanto frustrante com eventuais soluços.

Parece haver um problema especial para entrar e sair do mapa, ou então quando o passo é acelerado e a própria câmera não acompanha como deveria. São problemas pontuais no Xbox One X, que de forma alguma atenuam a experiência como um todo. No console base, imagino que tais problemas sejam ainda mais acentuados.

É sabido que haverá um patch de atualização no lançamento, mais focado no desempenho do primeiro modelo de Xbox One - trata-se de um console com mais de seis anos de vida, sempre bom lembrar, ainda mais que os pontos positivos do novo Ori são tantos, e em todos os lugares, que é triste quando tais problemas técnicos se mostram um obstáculo diante da explosão de criatividade e sensações do jogo.

Ori and the Will of the Wisps corresponde a todas as altíssimas expectativas deixadas pelo primeiro jogo. Sem mecânicas excessivas, sem pegar emprestado elementos em voga de outros jogos, o novo Ori já figura entre os melhores de seu gênero, além de um dos melhores da vasta biblioteca do Xbox One. É lindo de se ver, de se ouvir e, principalmente, de se jogar.

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Lançamento: 11/03/2020
Plataforma: Xbox One, PC
Preço sugerido: R$ 129 (Ou disponível na assinatura para assinantes do Xbox Game Pass)
Classificação indicativa: Livre (Violência fantasiosa)
Desenvolvimento: Moon Studios
Publicação: Xbox Game Studios
Jogue também: Castlevania: Symphony of the Night, Axiom Verge, Blasphemous, Dandara

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