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Girls in the House: Youtuber fala do sucesso da série criada em The Sims

Girls in the House é uma série feita usando The Sims e já tem quatro temporadas lançadas - Reprodução
Girls in the House é uma série feita usando The Sims e já tem quatro temporadas lançadas Imagem: Reprodução

Giovanna Breve

Colaboração para o START

07/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Websérie criada por Raony Phillips já teve quatro temporadas e até um livro publicado
  • Fãs acompanham as histórias de Duny, Alex e Honey, que trabalham em uma pensão para uma mulher chamada "Tia Ruiva"
  • Série acumula quase 200 milhões de visualizações e tem grande reconhecimento da comunidade LGBTQ

Um dos legados da série The Sims, que completa 20 anos este mês, foi colocar nas mãos dos jogadores uma ferramenta para criação de uma infinidade conteúdo. Foi isso que o youtuber Raony Phillips fez com Girls in The House (GITH), uma websérie produzida usando The Sims 4.

O START bateu um papo com o youtuber para o especial de 20 anos de The Sims, e aproveitamos para saber também as influências, os memes e o que mudou na vida dele após Girls in the House despontar e popularizar ainda mais o jogo aqui no Brasil.

As Garotas da Pensão

Criada em 2014, Girls in the House conta as histórias de Duny, Alex e Honey, que trabalham em uma pensão para uma mulher chamada "Tia Ruiva". Ninguém sabe a verdadeira identidade dela e as três amigas se deparam com situações cercadas de mistérios, com toque de comédia.

Girls in the House carrega uma forte influência de reality shows, paródias do cotidiano e sitcoms. Raony conta que se inspirou em séries de TV dos anos 90 e que marcaram geração, como Lost e Desperate Housewives.

A série é toda produzida por Raony Phillips, que cria as personagens, o cenário, faz o roteiro e captura as imagens no The Sims 4, depois disponibiliza os episódios em seu canal no Youtube, RaoTV, que tem mais de 2 milhões de inscritos.

Atualmente, Girls in the House já teve quatro temporadas, com mais de 198 milhões de visualizações. O sucesso foi tanto que o youtuber também passou a produzir outros conteúdos do universo da série, como o spin-off Disk Duny, em que uma das personagens ajuda celebridades da vida real (mas recriadas como Sims), como Kim Kardashian, Lady Gaga, Beyoncé, Britney Spears e outras.

The Sims Raony - Divulgação - Divulgação
Raony Phillips é o criador de Girls in The House
Imagem: Divulgação
Raony conta que sempre quis trabalhar com roteiro e fazer uma série animada. Apesar de ter jogado poucos games, sendo muito fã de GTA e Mortal Kombat, ficou sabendo do simulador de realidade e viu uma oportunidade de tirar seus enredos do papel.

Eu, como LGBTQ, fico extremamente feliz de ver como esse público se identificou com a minha série
Raony Phillips, criador de Girls in The House

"Eu conheci o The Sims em 2008, quando vi que pessoas faziam webséries usando o jogo como plataforma. Fiquei curiosíssimo para poder adaptar minhas histórias em vídeo assim que descobri que seria possível", conta o youtuber.

Ali ele pode colocar em prática suas habilidades com escrita, roteiro, atuação e até dublagem, dando voz para mais de 20 personagens na série. Girls in the House também conta com participações especiais de dubladores, como a humorista Dani Calabresa.

"Com o tempo eu peguei prática, melhorei roteiro, qualidade de áudio e imagem. Foi um processo em longo prazo e cheio de frutos", diz Raony.

"Eu vou Expor Ela"

No começo, Girls in The House ficou muito conhecido dentro da comunidade de machinima (vídeos feitos através de games usados como ferramenta para contar uma história) e só estourou para um público mais amplo com o episódio de Disk Duny "Kim Expõe Taylor", que se tornou meme.

Depois disso, mais pessoas ficaram interessadas nas histórias das garotas da pensão, e não é só pelo meme. Girls in the House carrega um diferencial por ter viradas surpreendentes, personagens cativantes, humor ácido e diálogos inusitados. Quem assiste até esquece que é feito dentro de The Sims.

"Eu trouxe todo um diferencial do que estavam acostumados a assistir nos outros machinimas e achei que foi importante até pro sucesso que a série tem hoje. Foi feito com muita atenção", explica Raony.

Outro diferencial é o público, em sua maioria LGBTQ+. Os assuntos abordados e personagens presentes representam a comunidade, como Julie, lésbica assumida e que namora uma mulher na série, e Priscilão, que é uma mulher trans e melhor amiga da Duny.

"Eu, como LGBTQ, fico extremamente feliz de ver como esse público se identificou com a minha série. Quando comecei a fazer eu não era totalmente assumido ou desconstruído e o sucesso da série acabou vindo num momento de descoberta", comenta o youtuber.

The Sims Girls in The House - Reprodução - Reprodução
Girls in The House virou livro
Imagem: Reprodução

O sucesso da série virou uma oportunidade para divulgar marcas em que aparece durante os episódios, mas ao invés de forma discreta é ao estilo de Girls in the House: explícita e bem humorada. Entre um episódio e outro vai ver personagens da série recomendando uso de aplicativos, cursos e até divulgando hit de famosos.

Em 2017, Raony publicou o livro "Duny - Meu Livro. Eu Que Escrevi" em que conta a perspectiva da protagonista desbocada de GITH que tenta alcançar a fama a qualquer custo. Agora, Raony está se preparando para lançar a quinta temporada de Girls in The House. Confira a entrevista completa com o youtuber:

START: Antes de The Sims, você jogava outros jogos?

Raony Phillips: Antes do The Sims 2, em 2008, eu tive pouquíssimo contato com outros jogos. Mas eu sempre fui muito fã de GTA e outros jogos de luta, como Mortal Kombat.

START: Como conheceu The Sims? Você começou no The Sims 4 ou jogou as versões antigas?

Raony Phillips: Eu conheci o The Sims em 2008 quando vi que pessoas faziam webséries usando o jogo como plataforma. Fiquei curiosíssimo para poder adaptar minhas histórias em vídeo assim que descobri que seria possível. Demorou alguns anos para eu, de fato, começar uma vez que o The Sims exigia uma boa máquina para rodar. Felizmente no 4 eu comecei a produzir. É o jogo mais bonito da franquia.

START: Antes da saga da Duny, Alex e Honey existir, você fazia outros vídeos de machinima?

Raony Phillips: Antes de Girls In The House eu não fiz outros vídeos de machinima, por mais que eu quisesse tanto. Eu cheguei a me envolver com projetos de amigos que usavam The Sims para criar conteúdo, mas o meu primeiro mesmo foi o Girls In The House. Para minha surpresa, em seu lançamento, ele foi um sucesso. Eu trouxe todo um diferencial do que eles estavam acostumados a assistir nos outros machinimas e achei que foi importante até para o sucesso que a série tem hoje. Foi feito com muita atenção. Hoje eu vejo o primeiro episódio e acho ele muito destoante do mais recente. Com o tempo eu peguei prática, melhorei roteiro, qualidade de áudio e imagem. Foi um processo em longo prazo e cheio de frutos.

START: Qual foi a inspiração? O que você gosta de assistir de série e entretenimento?

Raony Phillips: Eu sempre assisti muitas séries e, por mais que a maioria dos meus projetos no papel não seja de comédia, eu sempre gostei muito de criar quadrinhos de humor. Antes de fazer GITH, eu estava assistindo muitas séries dos anos 90 como forma de pesquisar o que eu queria que a série transmitisse. Queria que as pessoas sentissem que estavam assistindo algo que poderia facilmente passar nas tardes do SBT, por exemplo. As séries que sempre tiveram muita influência em tudo o que eu faço são de fato Lost e Desperate Housewives; são séries que marcaram uma geração e definiram um parâmetro de anos na qualidade das séries mais atuais.

Girls In The House tem fragmentos de tudo o que eu gosto de assistir em séries: suspense, comédia e uma coisa pessoal minha, o surrealismo
Raony Phillips, criador de Girls in The House

START: Muito do público de GITH é LGBTQ. Por que você acha que esse público se interessa pelo seu conteúdo e pelo jogo?

Raony Phillips: Eu, como LGBTQ, fico extremamente feliz de ver como esse público se identificou com a minha série. Quando comecei a fazer eu não era totalmente assumido ou desconstruído e o sucesso da série acabou vindo num momento de descoberta. Eu fazendo parte desse público vejo que a gente tem um coração muito aberto para novos conteúdos e temos esse poder de descobrir coisas independentes e que não fariam sucesso imediato na TV, por exemplo. A comunidade tem um poder muito grande na internet, inclusive de viralizar memes, lançar novas tendências, bordões e conversas e acho que esse é o resumo de GITH: viralizar memes, lançar novas tendências, bordões e conversas. É um par perfeito.

START: Com qual personagem da série você se identifica e por quê?

Raony Phillips: Honey, Alex, Duny... Acho que até os mais coadjuvantes têm um pouco de mim. Eu acho que eu sou mais a Honey como pessoa, mas aí tem uma parte minha que é muito Alex. Eu infelizmente não sou a Duny, mas a minha forma de pensar é a Duny, por mais que ela sempre fique na peneira e não saia totalmente nas minhas falas e atitudes. Mas confesso que passei a xingar palavrão frequentemente quando comecei a fazer a personagem.

Eu, infelizmente, não sou a Duny, mas a minha forma de pensar é a Duny
Raony Phillips, criador de Girls in The House

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