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Novo "Call of Duty" acerta mais do que erra e traz pacote completo para fãs

Daniel Esdras

Do GameHall

03/11/2019 04h00

Estamos quase no final de 2019. O mundo (ainda) não acabou e a Activision está firme e forte. Isso significa que o inevitável aconteceu: mais um Call of Duty foi lançado. Este ano, no entanto, a situação é diferente, já que a série decidiu voltar às origens e fazer um reboot da sua trilogia "Modern Warfare", a mais consagrada.

Diferente do título anterior, "Call of Duty: Black Ops 4", "Modern Warfare" conta com uma campanha single player, deixa o Battle Royale de lado e traz de volta o que mais agradou seus fãs na última década. Tanto as mecânicas clássicas do multiplayer quanto os personagens icônicos, como o mitológico Capitão Price, fazem seu retorno. O resultado é um giro total na franquia, que parecia começar a perder relevância com os últimos títulos e agora mira novamente o topo da indústria.

Gráficos absurdos

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Imagem: Divulgação

Para deixar um sabor de novidade, todo esse pacote foi desenvolvido em uma nova engine, que proporcionou diversas melhorias no jogo. Os personagens, principalmente nas cutscenes em tempo real, em que o nível de detalhes sobe um pouquinho, estão impressionantes. Texturas, animações faciais, renderização dos cabelos e sua física: tudo ajuda a colocar o jogo entre os mais bonitos da geração.

Com uma nova técnica de renderização para sombras, o novo "CoD" conseguiu um realismo muito maior nas missões noturnas, que são repetidas sem piedade durante a campanha e em alguns modos do multiplayer. O resultado é muito legal na hora de usar a visão noturna, que em vez de apenas aplicar um filtro verde padrão, vai tensionando os tons de acordo com a luz, gerando uma simulação bem realista.

Se comparado a outros títulos do gênero da atual geração, 'Modern Warfare' proporciona uma imersão sem paralelo, mesmo levando em conta suas mecânicas menos focadas na simulação

Ao operar por florestas e em locais com mais presença da natureza, é possível perceber a luz da lua atravessando partículas volumétricas de névoa, mais uma das novidades que estão presentes não só nos PCs, mas também nos consoles. Com uma performance bem otimizada e justa para o que o título entrega, a Infinity Ward conseguiu um grande feito com o COD deste ano.

Se você tem um equipamento de ponta em casa, com placas de vídeo novas com a tecnologia de Ray Tracing (da NVIDIA, com as GeForce RTX), pode comemorar. Para fechar o pacote de perfumarias visuais, o jogo ainda vem com suporte para 4K.

Toda essa fidelidade gráfica e realismo em todas as frentes garantem uma experiência imersiva como eu nunca vi antes na série, especialmente na campanha. Se comparado a outros títulos do gênero da atual geração, "Modern Warfare" proporciona uma imersão sem paralelo, mesmo levando em conta suas mecânicas menos focadas na simulação.

Campanha controversa

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Imagem: Reprodução

Ano passado, na minha análise do "CoD: Black Ops 4", disse que a escolha de retirar a campanha para a proposta apresentada para aquele título em específico, que contava com o inédito modo Battle Royale para tentar concorrer com Fortnite e PUBG, tinha sido acertada, até pelo resultado satisfatório.

Com "Modern Warfare", porém, o buraco é bem mais embaixo. Essa trilogia ficou conhecida por sua campanha e tem os personagens mais queridos de toda a série. Não trazer de volta a campanha seria um erro monumental e geraria a ira dos fãs de longa data. Até por isso a Infinity Ward investiu pesado nesse modo.

O resultado é tão impactante quanto as melhores campanhas daquela época de ouro da franquia. Com foco em quatro personagens: Farah, Price, Kyle e Alex, a jornada gira em torno de armas químicas que foram roubadas das mãos dos russos e, teoricamente, foram parar nas mãos de terroristas do Uzbequistão, país onde rola grande parte da trama.

Farah é a líder de um grupo rebelde local, que luta tanto para expulsar os russos do seu país como para deter os terroristas que fazem toda a situação ficar cada vez pior. Depois que as armas químicas são roubadas, o conhecimento da Farah sobre o país é vital para que o grupo formado pelos outros personagens opere no território em busca dos culpados.

Com momentos impactantes e controversos, "Modern Warfare" mostra de forma nua e crua as catástrofes causadas pela guerra, tanto no Uzbequistão quanto em outros países do ocidente rico, que sofrem com os ataques terroristas dos grupos extremistas desse país.

Você pode esperar ataques químicos dizimando pessoas e animais, mulheres e até crianças sendo mortas e baleadas, civis sendo colocados em situações desesperadoras e muito mais. Em vários momentos o jogo obriga você a fazer a escolha difícil. Feridos na maca de um hospital podem ser inimigos, o que você vai fazer? Mulheres aparentemente indefesas podem estar escondendo um detonador ou uma arma, vai atirar antes ou depois? O desconforto é interessante e faz as missões terem um significado muito mais profundo, sempre fazendo o jogador questionar o que é certo e o que é errado em um inferno como a guerra.

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Claro que há aquela puxada de sardinha para os americanos e britânicos, especialmente os seus soldados. Em alguns momentos o jogo faz críticas às incursões do país em outras regiões, mostrando como grupos que eles escolheram armar em determinados conflitos se rebelaram para se tornar grupos terroristas. No entanto, para por aí: os soldados da aliança sempre estão buscando a justiça e a liberdade, os inimigos deles sempre cometendo os piores crimes de guerra e lutando apenas por poder, muitas vezes sem nenhuma motivação clara para executar algumas atrocidades.

Claro que há aquela puxada de sardinha para os americanos e britânicos (...) Os soldados da aliança sempre estão buscando a justiça e a liberdade

No caso mais icônico de "vacilo", uma operação americana na chamada "Estrada da Morte" durante Guerra do Golfo, que deixou mais de 600 mortos, foi atribuída aos russos como um crime de guerra, o que obviamente causou a insatisfação dos jogadores de lá, que neste momento estão dando notas negativas para o jogo no Metacritic, em uma campanha de "review bombing" para mostrar indignação.

Não se engane, a campanha é soberba em qualidade técnica, tem ótimos diálogos e é uma das mais interessantes da franquia, com bons questionamentos para a geopolítica atual, com críticas ao terrorismo, xenofobia e a forma como os russos agiram mais recentemente na Síria. Mas há de se quebrar essa canonização americana, não porque eles são maus e tudo que fazem está errado, longe disso, mas porque como todos os países no jogo do poder, também cometeram erros na sua história e da forma como são retratados até deixam a narrativa do jogo previsível e os personagens tanto de um lado quanto do outro planificados.

Durante cada missão a abordagem do gameplay muda, indo desde sessões inteiras com uma sniper em um ninho até aquelas clássicas incursões na companhia do Capitão Price, abusando da furtividade e do preparo para surpreender os inimigos. Para dar uma quebrada na repetição, o jogo até brinca com novas ideias, como guiar uma refém para uma sala em específico sem que os inimigos vejam, tudo por um telefone. Cada momento do gameplay é memorável e bem executado.

A tensão fica sempre no alto e a cada nova missão você descobre que ainda não viu o melhor que o jogo tem a oferecer. Com um final que deixa claro que o título terá uma continuação, só nos resta esperar para quem sabe mais uma trilogia Modern Warfare.

Design de áudio é dos melhores da geração

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Tanto quanto em jogos de corrida, os jogos que se passam em guerras precisam de um tratamento especial no áudio. Com tantos personagens fazendo disparos, tanques passando ao fundo, bombas explodindo e até pessoas gritando, é preciso um trabalho minucioso, que leve em conta o realismo e a imersão.

Em "Call of Duty: Modern Warfare" o resultado é espantoso. Nunca me senti em um campo de batalha como quando aumentei o volume do meu fone, durante uma das missões em que rola uma verdadeira batalha campal. De dentro da casa eu conseguia distinguir perfeitamente os tiros que vinham do segunda andar, no meu andar e também do lado de fora. As munições caindo no chão e o impacto dos disparos, dando a impressão de pressão de ar no ouvido, fez todo o ambiente ficar extremamente realista.

No modo multiplayer o impacto também é relevante. Os barulhos de passos por exemplo, podem ser ouvidos perfeitamente nas mais diversas superfícies, o que contribuiu, junto com o design das fases, para reduzir muito a efetividade do corre e atira de sempre.

Multiplayer competente

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O pacote de "Call of Duty: Modern Warfare" não seria completo sem o multiplayer competente. São várias as novidades e pontos a se destacar, começando pelos modos de jogo, que receberam adições importantes para manter os jogadores ocupados por um bom tempo.

Fora os modos de dominação e mata mata em equipe e solo, foram adicionadas algumas novidades interessantes, com a Guerra Terrestre. Esse modo conta com mapas em grande escala, com presença de veículos e com um número maior de jogadores, o que lembra o rival "Battlefield". Aqui você precisa capturar objetivos e fazer pontos para se manter na frente, como uma dominação cheia de esteroides.

Essa nova modalidade precisa de alguns ajustes de balanceamento, já que campers estão com a bola toda e são incentivados a ficar trocando a distância. O ajuste provavelmente passará pelo design dos mapas, que possuem muitos pontos com ampla visão de todo o campo com uma arma que esteja equipada com miras para longas distâncias.

Outros modos que devem ser menos populares, como o Ataque Cibernético, que conta com um conjunto de regras táticas, como recuperar dispositivos e levantar aliados, também dão as caras. Eu não curti muito, mas devem ter o seu público.

Há também um modo cooperativo, onde jogadores se agrupam em equipes para realizar missões e se defender de ondas de inimigos. Como é um modo que dá bastante experiência, deve atrair bastante gente atrás de mais níveis para o seu personagem e para as suas armas.

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As armas são um verdadeiro show aqui. O armeiro conta com dezenas delas e é possível modificá-las completamente com acessórios que possuem pontos positivos e negativos para o combate. Dominar esse sistema vai separar os jogadores bons dos comuns e adiciona uma camada a mais de customização para o estilo de cada jogador, o que é sempre bom.

Cada arma conta com seu próprio nível e você libera os novos acessórios ao evoluir cada uma delas. Sem a presença de microtransações agressivas e DLCs que separam os jogadores, é um sistema muito recompensador e que deixa o processo da repetição natural das fases bem mais atrativos.

Os mapas no geral abandonaram o sistema padrão de três linhas, e contam com um design bem mais fluido, mas que gera alguns problemas de navegação e deixa algumas ações bem limitadas. O 'corre e atira' fica bem mais difícil de funcionar, já que atravessar uma rua significa quase uma dezena de locais onde um jogador pode estar te esperando.

Há quem diga que COD bom é aquele que tem problema no "Respawn" dos jogadores. Bem, esse então pode ser considerado um dos melhores. É bem comum, nos modos de mata mata em mapas menores, renascer no meio de um tiroteio ou do lado de um inimigo. É um problema que vem desde o Beta, que deu uma melhorada, mas ainda incomoda.

No geral o multiplayer é competente, divertido e com elementos nostálgicos como a volta do Nuke. Com os probleminhas padrões que precisam ser arrumados para manter a longevidade do título e futuros updates de conteúdo, vai ficar com certeza entre os mais jogados da história da franquia.

Conclusão

"Call of Duty: Modern Warfare" retorna em grande estilo e acerta muito mais do que erra. A campanha é imersiva e cheia de escolhas difíceis, um ponto alto para a franquia mesmo com as deslizadas na fidelidade histórica e retratação dos vilões e mocinhos.

Já o multiplayer é competente, traz novidades interessantes, especialmente no design dos mapas e modos de jogo, mas precisa de alguns ajustes para ficar cem por cento. Com as correções e adição de conteúdos, deve se tornar um dos mais jogados da franquia.

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Lançamento: 25/10/2019
Plataformas: PC (Battle.Net), PlayStation 4 e Xbox One
Classificação Indicativa: 18 anos (violência extrema)
Desenvolvimento: Infinity Ward
Publicação: Activision

*Review feito com uma cópia do jogo disponibilizado pela Activision

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