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The Surge 2 é caso raro de sequência que supera o original

The Surge 2: ficção científica e pancadaria futurista, mas que requer habilidade  - Divulgação
The Surge 2: ficção científica e pancadaria futurista, mas que requer habilidade Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

24/09/2019 04h00

Quando soube que "The Surge" teria uma sequência, duas dúvidas surgiram na minha cabeça: 1) Será que precisa mesmo? O mercado já tem vários games que seguem a escola "Dark Souls"; e 2) Será que o estúdio Deck13 vai superar a aura de "uma ideia boa, mas com ar genérico" do primeiro jogo?

Bem, depois de jogar "The Surge 2" por mais de uma dezena de horas, fiquei convencido: o jogo marca um avanço considerável para a série em todos os sentidos, como a prévia prometia. Além disso, o jogo se distancia do óbvio rótulo de "Dark Souls hi-tech" do jogo anterior.

Como ele faz isso? Vem comigo que eu vou explicar em três pontos.

1 - É bom de jogar

Não adianta um jogo ser lindo, ter uma história fantástica e trazer inovação se ele for chato quando você estiver com o controle nas mãos. E isso vale ainda mais quando falamos de um game que exige precisão do jogador e que não se faz de rogado na hora de punir quem erra.

"The Surge 2" traz uma jogabilidade mais solta que do jogo anterior, com uma pegada mais voltada para a ação. Isso significa que jogadores mais agressivos terão o seu lugar ao sol - e provavelmente serão recompensados por tomar a iniciativa nos combates. Além de mais soltos, os controles também se destacam em outros dois aspectos: variedade e precisão.

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Imagem: Divulgação

Em termos de variedade, o ponto principal é que há diversos tipos de arma à disposição e que deverão agradar estilos diferentes de jogadores. Gosta de ataques rápidos? Sem problemas, é possível usar "luvas" que dão um dano menor, mas gastam pouco vigor em cada ataque e permitem táticas como "bater e fugir" com mais facilidade. Já quem curte pegar pesado terá à disposição armamentos de alto dano, mas que são mais lentos e gastam mais energia em cada movimento.

Como o game permite criar até três perfis de equipamentos, é possível ter conjuntos que se adaptem às mais variadas situações.

Já sobre precisão, "The Surge 2" enfatiza bastante a mecânica de "parry", tanto para inimigos comuns quanto (e principalmente) na hora dos chefes. Dominar essa mecânica - que, aliás, não é tão exigente quanto de outros games do gênero - é fundamental para quem deseja progredir no jogo sem passar tanta raiva.

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Imagem: Reprodução

2 - Um boa (e intrigante) história

"The Surge 2" não deixa o jogador às escuras quando o assunto é a sua história. De cara você fica sabendo que encarna um sobrevivente de um acidente de avião que foi parar na cidade de Jericho. Para deixar as coisas mais legais, o jogo permite que você defina aparência, gênero e história do personagem.

A cidade, em si, encontra-se em convulsão social depois dos acontecimentos do primeiro game. Breve resumo com spoilers: um enxame de nanorobôs criados para recuperar o equilíbrio ecológico da Terra foi liberado na atmosfera acabou se tornando uma doença capaz de deixar os usuários de implantes mecânicos - muita gente, no mundo do jogo - e máquinas completamente fora de controle.

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No decorrer do game, além de receber pílulas de tudo o que ocorreu por meio de arquivos de áudio, o jogador também tem acesso a missões paralelas que expandem a trama.

O resultado é que, em vez de ter uma narrativa misteriosa, "The Surge 2" traz uma história palpável e que mantém o jogador interessado, especialmente quando colocado diante de algumas reviravoltas que dão diferentes propósitos à jornada.

O mapa do jogo, que concentra a ação em poucas localidades, mas com diversas áreas e atalhos a serem localizados, também evita que os jogadores fiquem perdidos tentando descobrir onde ir.

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3 - Sistemas de jogo que funcionam

"The Surge 2" não se afasta de suas origens quando falamos de sistema básico de jogo. Temos as tradicionais barras de saúde e vigor, bem como o sistema de "alto risco, alta recompensa": andar por aí carregando uma grande quantidade de sucata (que é a moeda do jogo, usada para evoluir o personagem, armas e aprimoramentos e também comprar determinados itens) garante recompensas melhores ao matar inimigos. Se você for derrotado, porém, terá um tempo limitado para retornar ao local e reaver seus itens.

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Isso abre uma possibilidade estratégica, uma vez que quando você está perto do seu local de morte, sua barra de saúde se regenera. E, uma vez que você coleta a sucata perdida, você recupera totalmente sua saúde. Sendo assim, morrer para aquele chefão complicado pode ser a saída para ter um ponto de recuperação de saúde no meio da luta e tornar o embate mais favorável.

Já quem é avesso a riscos pode armazenar sua sucata em um dos med-centros, que estão para "The Surge 2" como as fogueiras estão para "Dark Souls".

Além disso, conforme você ataca os inimigos e dá parry nos ataques, você acumula cargas de bateria. Essas cargas servem não apenas para você usar um item recarregável que recupera sua saúde, mas também permite que você use o sistema mais atrativo do game: as execuções.

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Funciona assim: conforme você trava o alvo em um inimigo, é possível escolher qual parte do corpo irá atacar. São seis delas, sendo braços, pernas, corpo e cabeça. Uma vez que cada uma delas recebe dano suficiente, é possível usar uma carga de bateria para decepar a parte escolhida.

Além de finalizar os oponentes instantaneamente, esse "fatality" também permite que você adquira as armas dos inimigos, bem como esquemas de suas armaduras para que você as construa posteriormente.

Por fim, há mais dois elementos. Os implantes, que são uma espécie de "perks" que dão características específicas ao personagem - como recuperar saúde após uma finalização - e o drone, que acumula modos de operação distintos.

Há onde melhorar

Mas "The Surge 2" também traz alguns tropeços. Um deles, ao menos na versão de avaliação, diz respeito ao desempenho do game em si.

Jogando no Xbox One X, por diversas vezes enfrentei quedas bruscas no FPS, mesmo com o jogo no modo "desempenho" (que sacrifica parte da qualidade gráfica em prol de manter os quadros estáveis).

Nenhuma dessas quedas ocorreu durante combates (felizmente), mas sim enquanto eu explorava os cenários. Considerando que esse é o tipo de falha que mais me irrita em um game, passei muito perto de perder a paciência.

Outro ponto a ser melhorado é a variedade de chefões. É curioso que o jogo comece com um boss inovador, com mecânicas específicas - que são bastante satisfatórias quando descobertas pela primeira vez -, mas acabe perdendo parte desse fôlego conforme progride, apostando mais no tamanho e na dificuldade da encrenca do que em fazer o jogador usar o cérebro.

Esses erros, no entanto, não apagam o avanço que "The Surge 2" representa em relação ao seu antecessor. Inclusive, fica aqui a dica: se você quiser se aventurar na franquia, pode ignorar o primeiro jogo e partir de cara para esse, já que a história é bem contextualizada e o game, em si, é muito melhor.

The Surge 2

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"The Surge 2" é um RPG de ação com temática futurista que mescla influências de "Dark Souls" e mecânicas originais. É um dos poucos "clones" do game da FromSoftware a reforçar ideias novas e não apenas tentar se aproximar de sua inspiração.

Lançamento: 24/09/2019
Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4
Preço sugerido: R$ 129,90 (Steam), R$ 184 (Xbox One), R$ 249,90 (PS4)
Classificação indicativa: 18 anos (Violência Extrema, Drogas Ilícitas e Linguagem Imprópria)
Desenvolvimento: Deck13 Interactive
Produtora: Focus Home Interactive

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