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Kenia Toledo, a mãe "verdadeira" e empresária sincera: "Nunca joguei CS"

Junto com o filho Gabriel, Kenia abriu a empresa Fallen - Reprodução
Junto com o filho Gabriel, Kenia abriu a empresa Fallen Imagem: Reprodução

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

08/07/2019 16h00

Não é só Gabriel "Fallen" Toledo que pode ser chamado de "Verdadeiro". O pro-player de "Counter-Strike" parece ter herdado a sinceridade da mãe, Kenia Toledo. Em entrevista ao START, ela revela que, apesar de trabalhar com eSports, nunca chegou a dar um tiro de AWP no game que consagrou o filho, que atualmente joga na mibr.

Você acredita que eu nunca sentei para jogar CS? Eu até tenho essa curiosidade e tenho até o dever, né?
Kenia Toledo, empresária e mãe de pro-player

O que falta para Kenia Toledo é tempo. Também pudera, ela já foi CEO e agora faz parte da presidência da Fallen (ex-GFallen), a marca de equipamentos, periféricos e vestuário voltada para o mundo dos eSports.

Como Kenia mesmo diz, o trabalho dela é "fazer contatos, trazer os negócios para a empresa".

Porém, antes de ter um filho reconhecido e da agitação do dia-a-dia, era ela quem trazia os games para casa, de "Mortal Kombat" a "Sonic". Esses foram alguns assuntos do papo com a empresária e mãe Kenia Toledo.

Fallen é um dos principais nomes do cenário competitivo de Counter-Strike - Divulgação/Blast Pro Series
Fallen é um dos principais nomes do cenário competitivo de Counter-Strike
Imagem: Divulgação/Blast Pro Series

START: Você já disse algumas vezes que foi a responsável por levar o videogame para a família, que sempre levava consoles e jogos para os filhos depois das viagens. Quais jogos você lembra que trazia?

Kenia Toledo: Como eu tinha uma loja de informática, meus filhos sempre foram muito ligados a computador, mas quando eu viajava e trazia os jogos era de videogame, console, porque a gente jogava tudo junto. A gente jogava no Super Nintendo... eu lembro muito forte de "Mortal Kombat". Tinha o "Sonic" também.

START: Ah, então vocês tinham Mega Drive também?

Kenia: Pra você ver que a gente era mesmo do mundo dos games. Tudo o que saía de novidade eu trazia pros meus filhos.

START: Mesmo incentivando seus filhos a jogar, como você lidou quando o Fallen começou jogar a profissionalmente?

Kenia: Foi muito tranquilo. Obviamente, quando ele veio para mim e falou que iria parar de estudar por um ano para viajar e participar de campeonatos internacionais, a gente como mãe fica preocupada, né? Educação, para mim, é uma coisa muito séria.

Então, nunca vou falar que foi superlegal e confortável o meu filho parar de estudar para ir jogar fora. Não, não foi. Mas eu procuro sempre escutar.

Ele falou: "mãe, eu quero sair e ficar um ano fora e ter experiências que posso estudar a vida inteira aqui e não ter". Como que rebate um argumento desses?

START: Com quantos anos ele fez isso?

Kenia: Com 17, ele nem tinha entrado na faculdade ainda.

Ele fez uma promessa pra mim: 'Quando eu voltar, pode ficar tranquila, eu entro na faculdade'.
Kenia Toledo, sobre o filho Gabriel "Fallen" Toledo

Ele viajou, voltou, fez cursinho e passou na (universidade) federal do Paraná.

START: Você percebe uma mudança na mentalidade dos pais quando os filhos querem ser ou já são pro-players? Eles estão aceitando melhor, já que a carreira agora está bem mais visível?

Kenia: Naturalmente. O Gabriel também, ele começou a jogar CS com 11 anos. Agora, você vai encontrar pessoas com a mente mais aberta, que vão sentar do lado do filho para entender em que mundo ele está. E vai ter pessoas que falam que não é pra eles, que isso não presta.

Quem vai se beneficiar com essa maior visibilidade são as gerações futuras. Os filhos desses jogadores vão ter uma outra vida. Os de agora ainda vão penar um pouquinho.

START: Qual o momento em que você é mais mãe do Gabriel e menos empresária da Fallen?

Kenia: Mãe eu sou o tempo todo, mas, por exemplo, na hora em que eu estou contratando uma pessoa e ela chora porque foi contratada (para a trabalhar na Fallen), eu sei que é o meu filho que está ali. Aquela marca, aquele sonho, está representada naquela figura dele.

Kenia também acompanha o filho em alguns torneios - Reprodução
Kenia também acompanha o filho em alguns torneios
Imagem: Reprodução

START: Como vocês lidaram com a proibição de "Counter-Strike" no Brasil em 2008?

Kenia: Quando teve a polêmica por ser proibido, por ser violento, isso não impactou na minha relação com o Gabriel. Eu não tinha medo de ele ser impactado negativamente por causa de um jogo e isso deturpar a índole dele.

START: Mas o fato de ele jogar profissionalmente CS poderia afetar a carreira.

Kenia: Uma das principais realizações, como mãe, é ver o seu filho fazer o que ama. Enquanto ele estivesse fazendo o que ele amava, para mim estava bom. Eu não ficava pensando que essa carreira não iria dar dinheiro. Não vou dizer para você que não gostaria que fosse outra coisa, a gente quer o que já é tradicional (como profissão), quero que ele faça Direito ou Medicina.

START: Você tem algum jogo preferido? Sem contar CS, que acredito que já deva ter testado.

Kenia: Você acredita que eu nunca sentei para jogar CS? Eu até tenho essa curiosidade e tenho até o dever, né?

O Marcelo, meu outro filho, fala: 'Mãe, você precisa aprender a jogar CS'. Só que eu não tive tempo ainda.
Kenia Toledo

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