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Você é viciado em games? Saiba quando a diversão se torna um problema

Reinaldo Canato/UOL
Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

04/01/2018 04h00

O vício em jogos de videogame agora é considerado um distúrbio mental pela Organização Mundial de Saúde.

A 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) vai incluir a condição sob o nome "distúrbio de games", descrito como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva a "preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida".

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Mas como saber se você, seus filhos ou algum familiar sofre desta condição ou é apenas um jogador "empolgado" de videogame? O primeiro passo é observar os sintomas do distúrbio:

  • Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;
  • Priorizar jogar videogame a outras atividades;
  • Continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito.

Como tratar?

Caso você acredite se encaixar no distúrbio descrito pela OMS, é recomendável procurar ajuda profissional.

Embora em alguns países o distúrbio já seja tratado como uma questão de saúde, com clínicas autorizadas para tratamento no Reino Unido, por exemplo, ou uma lei sul-coreana que proíbe o uso de games por menores de 18 anos entre meia-noite e seis da manhã, ainda não há uma política específica sobre o tema no Brasil.

O médico psiquiatra Luiz Sperry disse ao UOL Jogos que a classificação do distúrbio no CID é importante para a pesquisa, para definir critérios para o problema. "Se não há uma classificação, como você pode analisar os casos e publicar artigos sobre o tema?". Em termos clínicos, Sperry explicou que é preciso observar caso a caso, para entender o histórico da pessoa.

"O distúrbio de games é um transtorno de impulso. O diagnóstico mais próximo seria o do 'jogo patológico', ligado à apostas em jogos de azar", explicou o psiquiatra. "O transtorno abarca também impulsividade sexual, abuso de substâncias, relacionamentos, ou seja, variações de comportamentos normais. São transtornos associados ao prazer, o que diferencia impulso de obsessão".

Para Sperry, é importante procurar a ajuda de um profissional e conversar para entender se é um caso clínico. "Os critérios não estão definidos, o CID não foi publicado ainda. É preciso organizar e definir tratamentos", disse, lembrando que se o hábito de jogar não atrapalha outras atividades da pessoa, não é um caso de transtorno e que, mesmo em casos que necessitam de tratamento, é preciso identificar outros fatores associados ao distúrbio e variações de humor, como depressão e bipolaridade.

Um estudo recente da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostrou que, embora as crianças passem mais tempo diante de telas, isso não necessariamente representa vício, pois elas não abdicam de outras atividades. Da mesma forma, jogos como "Pokémon GO" estimulam a prática de atividades ao ar livre e são vistos como benéficos para a saúde, diminuindo o risco de problemas no coração e ajudando pessoas que sofrem de depressão.