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O que é ser um time grande nos eSports: uma discussão eterna

Palco do CBLOL - Bruno Alvares/Riot Games
Palco do CBLOL Imagem: Bruno Alvares/Riot Games
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

31/03/2022 06h00

O que faz uma instituição esportiva grande? Títulos, tradição, torcida, expressão na mídia... A discussão é eterna. No Brasil, sempre veremos os torcedores dos clubes de futebol se digladiando sobre isso. Faz parte da "cultura" de um contexto maior. Nos esportes eletrônicos, não é diferente. O debate também se estende na mesma proporção e permeia as conversas em games de todos os gêneros, fomentando rivalidades entre as organizações.

Recentemente, um comentário do comentarista Carlos "Nappon", durante uma transmissão do CBLOL, mencionando a possível transferência de um jogador da RENSGA "para um time grande" em um momento subsequente motivou uma discussão nesse sentido. Inicialmente, revoltou os donos da organização goiana, que depois colocaram panos quentes no desentendimento e fomentaram um interessante debate sobre o tema.

No próprio CBLOL, torcedores de paiN Gaming e LOUD, por exemplo, trocam provocações constantemente sobre isso. De um lado, uma equipe tricampeã do torneio e que se orgulha da própria tradição - construída ao longo de mais de uma década no cenário do MOBA da Riot Games. De outro, uma equipe que iniciou sua trajetória no LoL apenas em 2020, mas no que diz respeito à repercussão e números, se senta à mesma mesa de grandes instituições a nível mundial.

A verdade é que nunca haverá uma real conclusão sobre o assunto. Obviamente, ganhar títulos e construir um nome forte perante a comunidade é importante, mas isso não garante criar uma base sólida de fãs. Vai muito do que cada organização julga mais relevante. E a verdade é que, no fundo, o que se deve levar em conta é que cada equipe contribua à sua maneira para o engrandecimento do cenário como um todo.

É importante ter organizações estrangeiras em solo brasileiro, como ocorre no Rainbow Six Siege e no VALORANT, por exemplo. Team Liquid, FaZe Clan, Ninjas in Pyjamas... Traz legitimidade, profissionalismo e reforça uma imagem positiva do país como um solo fértil para os investimentos em esportes eletrônicos. Da mesma forma, é importante valorizar forças regionais, como fazem RENSGA e Netshoes Miners. Tudo agrega.

O grande teste é a sustentação a longo prazo. Definitivamente, qualquer organização precisará demonstrar força em algum aspecto para destoar ao ponto de se manter forte. Se não tiver torcida, precisará de títulos - e vice-versa. O marketing é outro ponto importante: construir uma imagem de amor ou ódio ou ser carismático perante todo mundo? Não há certo ou errado, mas é preciso saber manejar bem a própria decisão.

É por isso também que a entrada de um clube grande de futebol nos Esports, seja com departamento próprio ou por meio de licenciamento, não garante o sucesso da marca competitivamente. É necessário entender as peculiaridades e colocar em mente desde o início: não é fácil. Grandeza sempre será um conceito relativo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL