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Streamer ou pro-player: o que pesa na escolha da carreira?

Jean Mago, streamer de LoL - Reprodução/Instagram/@jeanmagolol
Jean Mago, streamer de LoL Imagem: Reprodução/Instagram/@jeanmagolol
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

14/04/2021 09h00

O mercado de eSports proporciona uma variação cada vez maior de profissões. Para aqueles de nível elevado dentro do servidor, propriamente dito, a escolha geralmente passa entre duas áreas: criar conteúdo e promover o próprio trabalho através de streams, as transmissões particulares, ou partir para o profissionalismo e inserção no cenário competitivo. Qual é o melhor caminho? Nos últimos dias, um exemplo do League of Legends chamou a atenção sobre essa difícil escolha.

Embora tenha apenas 17 anos, Jean Mago é uma revelação das filas ranqueadas do LoL. No ano passado, sua luta para terminar a temporada como Top 1 no Brasil engajou muito a comunidade do game. A pergunta que rondava era: mesmo com tanto potencial para bater de frente com grandes nomes do jogo, o garoto continuaria única e exclusivamente com as streams? Sua decisão de deixar a Twitch e ouvir propostas movimentou os bastidores.

- Espero que continuem me apoiando e acompanhando nesse novo ciclo da minha vida. Espero que continuem a acompanhar minhas lives na nova plataforma - disse, em um de seus posts.

O nível de gameplay e também o carisma apresentado por Jean Mago levantam a questão. O que vale mais a pena? Diferentemente de uma modalidade tradicional, ele conseguiria continuar vivendo uma carreira voltada ao game sem necessariamente jogar com os profissionais. Mas até que ponto estaria motivado? Temos diversos exemplos dos dois casos: aqueles que se mantêm bem apenas com as streams, e aqueles que têm como objetivo central vencer competitivamente. É uma dualidade interessante.

No Rainbow Six Siege, por exemplo, Lagonis deixou a rotina de streamer para se dedicar ao cenário competitivo. Já era conhecido antes mesmo de ser anunciado pela Black Dragons, sua primeira organização. Hoje, defende a Team oNe. Uma trajetória similar à do americano Jason "Beaulo", hoje na Team SoloMid. Exemplos onde a "fagulha competitiva" falou alto e fez a diferença para o futuro.

Muitos se questionam se a posição de streamer não seria mais cômoda, e a resposta é: definitivamente, não. Além da necessidade de muitas horas diárias, sofre uma pressão parecida com a dos pro playeres - só que, em vez de vencer seus adversários, ele tem que combater a concorrência. De alguma forma, ele precisa fazer com que o público se interesse por assistir a ele, e não a outro. É bastante cansativo e demanda criatividade. Ambas são carreiras repletas de desafios.

Obviamente, a análise depende da modalidade em questão, mas o Brasil tem um potencial fortíssimo nos dois campos. Já tivemos diversos casos de organizações estrangeiras buscarem talentos de competição e de conteúdo por aqui, até implantando suas operações em solo nacional. Streamers e pro players têm suas vantagens e desvantagens, como quaisquer outras profissões. O principal é entender qual campo faz mais sentido para as suas próprias características e seguir em frente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL