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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Trabalho a longo prazo vale (muito) a pena nos eSports

VORAX CBLOL - Divulgação/VORAX
VORAX CBLOL Imagem: Divulgação/VORAX
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

06/04/2021 09h00

A ideia de trabalho a longo prazo em qualquer modalidade esportiva muitas vezes soa como utopia. Lidar com a paixão dos torcedores, sempre ávidos por resultados imediatos e balancear planejamento e sustentabilidade, definitivamente não é fácil. O esporte eletrônico, por sua vez, dá constantes provas de que trabalhar a base, a formação de talentos e pensar de uma forma que não só leve em conta o presente, mas também projete o futuro, vale muito a pena.

A transição do CBLOL, campeonato de esports mais tradicional do país, para o sistema de parcerias a longo prazo passou uma mensagem da Riot Games neste sentido. A criação do CBLOL Academy, como uma alternativa ao Circuito Desafiante, mostrou um olhar de apoio às organizações no que diz respeito à criação de novos talentos. Acabou o rebaixamento, veio à tona uma liga com 10 equipes fixas, em ambos os torneios. E com possibilidade de transição e aprendizado.

Veja o exemplo da RED Canids Kalunga. Semifinalista tanto do CBLOL principal quanto do Academy, a organização virou uma referência no que diz respeito à formação de atletas. Dos cinco jogadores titulares ao longo desta Etapa, três foram lapidados ao longo do tempo pela Matilha: o topo Guigo, o caçador Aegis e o meio Avenger. Uma forma de valorizar o próprio trabalho e o projeto sustentável.

- Independente da derrota, estamos muito, mas muito orgulhosos dos meninos. Disputamos um relegation de T3 ano passado, e hoje estávamos na semi do CBLOL. Vamos voltar muito mais fortes, podem apostar - afirmou Felippe Corradini, um dos donos da RED, em seu Twitter.

Do outro lado da semifinal do CBLOL, estava a VORAX, mais um claro exemplo neste sentido. Dos cinco jogadores titulares, três (fNb, Yampi e Wos) estão juntos desde o segundo split de 2019, quando a ProGaming, uma das organizações que deu origem à VRX, conquistou o Circuito Desafiante, voltou ao CBLOL e foi galgando, passo a passo, o seu caminho a uma final inédita. Agora, o próximo desafio é o título e a luta por uma vaga no MSI.

Parece óbvio, mas gerar um entrosamento, não mudar sempre o elenco e ter uma filosofia clara de trabalho é parte fundamental de quem quer sair do que é rotineiro no esporte. No caso dos games, o fato de os jogadores entrarem cada vez mais novos para o cenário profissional abre uma oportunidade ainda maior de dirigentes explorarem espaços e gerarem um ecossistema que se retroalimente de uma troca de experiências frutífera neste sentido.

Além disso, é uma forma também de trabalhar o talento nacional. Preferir jogadores formados no Brasil, ainda que o resultado atingido não seja o esperado de forma imediata, é passar um recado de que temos, sim, capacidade de ir além onde já estamos. Não "queimar" jovens talentos, colocando-os em situação de extrema pressão desnecessária, é uma função do cenário competitivo como um todo. Que os exemplos se multipliquem a cada dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL