PUBLICIDADE

Topo

GGWP

Free v$m: um apelo significativo para o CS:GO brasileiro

Vinicius "v$m" Moreira, talento da MiBR no Counter-Strike - Divulgação/MIBR
Vinicius "v$m" Moreira, talento da MiBR no Counter-Strike Imagem: Divulgação/MIBR
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

03/12/2020 09h00

No processo de renovação vivido pela MiBR, a mais popular organização de Counter-Strike: Global Offensive do Brasil, uma contratação chamou a atenção de maneira especial: Vinicius "v$m" Moreira, antigo destaque da DETONA Gaming.

O jogador de 21 anos rapidamente ganhou o carinho dos torcedores não só pelo estilo peculiar e carismático, mas por um apelo: a campanha "Free VSM". O jovem foi banido pela Valve, produtora do CS, em 2018, e, dessa forma, não pode disputar minors, majors e suas respectivas seletivas.

Apresentado pela DETONA naquele ano, v$m foi alvo de uma investigação da ESL sobre um banimento de VAC (Valve Anti Cheat - o sistema antitrapaça da empresa) de uma conta ligada a ele no jogo.

Ao contrário da organizadora, a empresa não perdoou após a confirmação, suspendendo o profissional. Desde então, a situação causa revolta nos torcedores, que reconhecem o talento do pro-player e sua mobilização nos bastidores.

A bomba continua ressoando no cenário. O principal argumento a favor de v$m é o fato de que o jogador tinha 13 anos quando passou pela situação em questão —uma falta de maturidade suficientemente reversível para quem cresceu e despontou como um talento do CS:GO. Não se trata de um caso único, ainda que raro.

O questionamento que fica: até que ponto faz sentido mantê-lo afastado de competições importantes por esse erro?

Qualquer modalidade esportiva, seja eletrônica ou não, depende da construção de narrativas e de grandes personagens. Nos games, temos inúmeros exemplos de jogadores que transcendem equipes e arrastam multidões por onde forem. Gabriel "FalleN", a história viva do CS:GO no Brasil, que o diga.

Não faz sentido deixar de construir tais figuras, com seus erros e acertos, glórias e quedas, por deslizes de suas respectivas carreiras. Isso se aplica, e muito, a v$m.

Com o surgimento e ascensão do Valorant, o Counter-Strike enfrentará um desafio respeitável. Com o League of Legends, a Riot Games já provou que sabe construir e estruturar um cenário competitivo. Hoje, o CS:GO se sustenta com a força dos fãs, sem nenhum apoio da Valve. Porém, até que ponto os jogadores vão se interessar por um game no qual a produtora não observa peculiaridades e não ouve a comunidade da forma que ela merece ser ouvida? 2021 promete ser decisivo nesse sentido.

O caso de v$m é emblemático não só pela falta de flexibilidade apresentada até agora, mas pela forma como grandes personagens sempre encontrarão formas de reacender sentimentos no esporte eletrônico. Vinicius é mais um grande talento brasileiro nos games buscando um espaço digno de sua grandeza e querendo honrar seu país. Não é justo que ele não possa fazer isso por um equívoco adolescente. Free VSM!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.