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Garena e salas personalizadas: audiência e promessa geram polêmica no FF

Divulgação/Garena
Imagem: Divulgação/Garena
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

01/12/2020 14h24Atualizada em 01/12/2020 20h09

Uma mobilização da comunidade do Free Fire chamou a atenção no último fim de semana no Brasil.

A transmissão da Free Fire Continental Series, que coroou a Team Liquid como campeã das Américas, atraiu, até a publicação deste texto, mais de 16 milhões de visualizações ao canal oficial da Garena no YouTube. Porém, o que tem intrigado os fãs é que, durante a live, a audiência, ainda que com alto número de curtidas, não passou de 130 mil espectadores simultâneos.

Normalmente seria só uma questão de números, mas nesse caso teve um efeito real: antes da transmissão, a Garena havia estipulado metas de audiência, que renderiam prêmios para a comunidade.

Com o apoio de diversos influenciadores do Battle Royale, sempre muito ativos nas redes sociais, os torcedores se mobilizaram, esperando prêmios como salas personalizadas dentro do game, por exemplo, além de skins de parede de gelo e tickets de incubadora.

FFCS - Reprodução/Free Fire - Reprodução/Free Fire
Metas determinadas antes da realização da FFCS
Imagem: Reprodução/Free Fire

O GGWP procurou a Garena, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto, informando que quando houver alguma novidade divulgará por meio das redes sociais. A assessoria de imprensa do YouTube confirmou que um problema local foi constatado na contagem de views: "Identificamos um problema em nossos sistemas de contagem de visualizações em transmissões ao vivo que afetou alguns canais do Brasil entre os dias 25 e 30 de novembro. Nossos times de engenharia já resolveram a situação para transmissões futuras e estamos trabalhando para recuperar os dados faltantes".

Um dos maiores trunfos do Free Fire, desde que o jogo para dispositivos móveis começou a se tornar relevante no cenário competitivo, é justamente a capacidade de engajamento entre os espectadores e os jogadores ou influenciadores por meio de recompensas. Os famosos "codiguins" se tornaram uma inteligente forma de interação e aproximação entre dois grupos que, anteriormente, pareciam distantes um do outro.

"Mesmo tendo acumulado 1,1 milhão de curtidas na transmissão, os números de pessoas assistindo simultaneamente estavam bem abaixo do padrão, ainda mais se levarmos em consideração que era uma final com os melhores times da América do Sul. Foi então que eu resolvi convocar outros criadores de conteúdo para comentarem se também estavam percebendo alteração nos números de seus respectivos canais. Nobru, Piuzinho e vários outros me disseram que também tinham percebido alteração em seus números", afirmou Gabriel "GB", um dos nomes mais conhecidos da comunidade.

O vídeo dele (acima) sobre o assunto chegou a ficar em primeiro entre os vídeos em alta no YouTube Brasil, tamanha procura por informações pelo tema.

"Eu creio que a Garena vai dar alguma recompensa, nem que seja de sala, alguma coisa. Se virem os números reais, vão dar as recompensas. A galera ficou lá, representou, tem que ganhar uma moralzinha", disse, por meio das redes sociais, Ernani "Weedzao", influenciador que hoje também é embaixador do Flamengo Esports.

Diante das limitações impostas pela pandemia do coronavírus, a Free Fire Continental Series foi uma solução da Garena para manter ativa a comunidade competitiva do game em 2020. Os números foram positivos não só nas Américas, mas também na Ásia - onde quem venceu foi a EXP Esports, da Tailândia. A região do Sudeste Asiático é considerada uma das mais estratégicas não só para o Free Fire, mas para todos os outros eSports no formato mobile.

Independentemente de posicionamentos, justificativas e eventuais equívocos de métricas, o que fica, mais uma vez, é a capacidade de mobilização dos fãs de Free Fire no Brasil - no casual e no competitivo. Da mesma forma que o jogo é capaz de engajar como forma de entretenimento, os campeonatos seguem construindo narrativas interessantes e potencializando o país como um autêntico epicentro do cenário. A tropa BR é forte!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.