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"Não sou o mais querido das feministas", diz criador do Miss Bumbum

O empresário e criador do concurso Miss BumBum, Cacau Oliver - Divulgação
O empresário e criador do concurso Miss BumBum, Cacau Oliver Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

19/02/2019 10h26

Aos 40 anos, Cacau Oliver pode dizer que venceu na vida lidando praticamente apenas com as chamadas "subcelebridades" nacionais.

Criador do concurso Miss Bumbum, ele hoje mora muito bem em Portugual, é o personagem central da primeira temporada de um realtity show que mostra sua vida de Relações Públicas (o semanal "Criador de Celebridades", no canal pago E!) e empresário: lança em meados do ano uma versão internacional do Miss Bumbum no México.

Cacau diz que não se importa de ser chamado de "empresário das subcelebridades".

"Se existem as tais celebs 'sub', como as pessoas dizem, também há um enorme mercado que as consome", pontifica.

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Ele nega que existam favorecimentos dentro do concurso e que "baixarias" como a que ocorreu na edição de 2018 (a candidata do rio Grande do Sul não aceitou a vitória da rival de Rondônia e lhe arrancou a faixa) são "relativamente comuns".

Um de seus maiores problemas, afirma, é que o Miss Bumbum fez tanto sucesso que chamou a atenção também no exterior.

Hoje há uma proliferação de concursos falsos que usam sua marca. Já ocorreram "plágios" no próprio México, Itália e até na República Tcheca.

Veja abaixo trechos da entrevista com Cacau Oliver.

Você se incomoda de ser chamado de "o empresário de subcelebridades"?

Cacau Oliver - Não, de forma alguma. E sempre achei desafiador esse termo que as pessoas sentem necessidade de usar para separar "a classe artística" em duas. Se existe esta classe "sub", como as pessoas julgam, é porque existe mercado que as consome, existe espaço para elas. No mais acredito também que muitas de nossas 'celebridades' já foram chamadas de 'sub' algum dia.

Então é só um ponto de vista, ou nesse caso um ponto de partida. 

Quantos anos de carreira já são como empresário?

Cacau - Não me vejo como empresário, na verdade, me vejo mais como um assessor de imprensa ou RP (Relações Públicas); este ano completo 16 anos de profissão.

Você criou o famoso e polêmico concurso Miss Bumbum em 2011. Você ainda é o dono da marca? Se envolve diretamente com a organização?

Cacau - Sim, eu ainda sou dono da marca e agora estou organizando a edição internacional que acontecerá na Cidade do México no dia 30 de julho.

O concurso é rentável? Dá dinheiro para você?

Cacau - Sim é um produto rentável, mas, diferentemente do Brasil, no enterior, em países como Japão, Rússia e Estados Unidos, o concurso gera grandes consumidores de vídeos, fotos e notícias. Quando digo isso, digo de uma forma rentável.

Já houve no passado denúncias de favorecimento a candidatas, no ano passado a premiação acabou em briga... o que tem a dizer?

Cacau - O concurso tem uma duração média de seis meses, começando em meados de maio, um pouco antes do início das votações que se iniciam em agosto. E ele termina só em novembro, não existem outros concursos que durem tanto tempo,

Todo esse tempo, adicionado à característica que as meninas buscam formar e ter a qualquer preço, são uma fórmula perfeita para que se crie esse universo de polêmicas, como brigas e acusações de favorecimento e de (venda de) votos.

O que tem a dizer para os que criticam o evento como "objetificador" da mulher?

Cacau Oliver - Vivemos no país do Carnaval, uma festa que praticamente é porta de entrada para muitas pessoas que não conhecem o Brasil.O carnaval  é sua referência e para mim não existe festa que 'objetifique' mais a mulher que o Carnaval.

Acredito na liberdade de expressão. O concurso tem uma vertente sensual sim, como o Carnaval. 

Mas, não vou negar que não sou o mais querido das feministas.

Você teve muitos problemas jurídicos até se tornar dono da marca?

Cacau - Não.

Você sabe que há pessoas desonestas inclusive fora do Brasil que organizam concursos semelhantes e com o mesmo nome?

Infelizmente sim, já tive casos de concursos não oficiais como no México, Republica Checa e Itália.

Mas, como a marca tem um grande poder de divulgação fora do Brasil, e as agências de notícias já nos conhecem, ficou um pouco mais fácil de identificar estas edições não oficiais e tentar combater as fraudes.

Você começou como empresário mas acabou virando você mesmo um personagem de TV, com o reality no canal E!, que mostra sua rotina.

Cacau - Sim é verdade, mas mesmo antes do programa no canal E! eu já tinha participado de outros programas de TV no Brasil, como o "Profissão Repórter" (Globo) e até na BBC ("Sex, Knives & Liposuction"), que contaram minha rotina.

Foi um grande desafio aceitar o projeto do "Criador de Celebridades" porque tinha uma linguagem diferente do que eu já tinha feito.

No reality vemos muitas pessoas absolutamente desconhecidas que sonham em ser famosas. Você acha realmente possível aconselhar uma pessoa para que ela se torne célebre?

Cacau - Eu tenho certeza que sim, quando você encara a fama como um projeto ou mesmo uma carreira podemos calcular todos os passos que levam esse desconhecido a virar uma celebridade.

Quais os planos para este ano? A segunda temporada do reality está garantida?

Cacau - Na verdade o canal E! ainda está exibindo a primeira temporada. Foram 13 episódios gravados no Brasil. Ainda não conversamos sobre a segunda temporada.

Como empresário, qual seu grande sonho?

Cacau - O concurso me abriu a mente para um grande mercado internacional, morei três anos nos Estados Unidos e hoje, como muitos brasileiros, vivo em Portugal.

E aprendi muito ao longo desses 16 anos. Hoje quero dividir um pouco do que eu tenho com os outros. Estou desenvolvendo um projeto chamado Lar Maria Cândida, no Nordeste do Brasil, que ajuda jovens que tiveram problemas com drogas, de baixa renda a ingressar no mercado de trabalho.

Meu grande sonho hoje é conseguir desenvolver esse projeto.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL