Conteúdo publicado há 3 meses

Um dos grandes filmes do ano, 'Pedágio' escancara a hipocrisia brasileira

O Plano Geral desta semana destaca a estreia de um dos grandes filmes brasileiros do ano: "Pedágio". Dirigido pela cineasta diretora Carol Markowicz ('Carvão'), o longa conta a história de Suellen (Maeve Jinkings), uma jovem mulher que trabalha em um pedágio de beira de estrada e não aceita a sexualidade do filho Tiquinho (Kauan Alvarenga). Para tentar solucionar o problema, ela faz sua matrícula em uma "terapia de conversão gay".

Este filme traz esta questão da cura gay de uma forma que não tinha sido ainda abordada no cinema, em uma história cheia de surpresas. Thiago Stivaletti

Moral e realidade: "O filme fala desta questão ao mesmo tempo que retrata o cotidiano duro desta mulher, que trabalha em um lugar em que fica exposta na estrada, em que muita gente passa. Ela está tentando sobreviver e, para isso, recorre a soluções nada lícitas. E por isso tudo "Pedágio" fala muito da moral e da realidade do brasileiro", complementa Flavia Guerra.

Para falar mais de "Pedágio", na entrevista da semana, a atriz Maeve Jinkings (das séries 'Os Outros' e 'DNA do Crime') e Carol Markowicz discutem a hipocrisia e o falso moralismo muito presentes na nossa sociedade.

Pedágio estreia dia 30 de novembro
Pedágio estreia dia 30 de novembro Imagem: Reprodução/Youtube

"Acho que a gente vive um momento e em um lugar em que absurdos acontecem diariamente. Parece um pouco distópico isso, mas a gente vive em um país em que deputados votadíssimos falam sinônimos de órgãos genitais em público, em que senadores falam que a boneca da Frozen é lésbica e que, por isso, os filhos das pessoas não podem brincar com ela?. É rir para não chorar", começa Carolina.

Eles tentam ridicularizar a comunidade quando, quem deveria cair em descrédito são eles e não essas pessoas que eles criticam: "Isso sempre foi algo que me instigou muito e sempre me deu uma ânsia de falar disso, de como essas pessoas não caem em descrédito e conseguem seguir em lugares de poder com um quórum fervoroso. E assim surgiu a ideia de falar disso, neste tom do filme", continuou.

Nunca quis colocar a comunidade em tom de violência gráfica. A cura gay não é nem violenta. É patético. Alguém que fala de cura gay , que se julga apto a curar algo que nem doença é já está num lugar de ridículo. Sempre quiser falar disso, destas pessoas que estão nesse lugar de poder, mas que são patéticas. Carol Markowicz

Kauan Alvarenga e Maeve Jinkings em cena de "Pedágio", em cartaz na Mostra SP
Kauan Alvarenga e Maeve Jinkings em cena de "Pedágio", em cartaz na Mostra SP Imagem: Divulgação
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"Napoleão"

Já em "Napoleão", Joaquin Phoenix vive o poderoso imperador francês pelas mãos do mestre Ridley Scott, nos cinemas.

"Napoleão" é um épico de ação que retrata a saga de ascensão e queda do lendário Imperador francês Napoleão Bonaparte, uma jornada pelo poder contada a partir de sua relação viciante e volátil com seu verdadeiro amor, Josephine (Vanessa Kirby) e também de sua vida pública, suas grandes batalhas e táticas militares e políticas visionárias.

"Gosto muito das duas linhas narrativas que o filme traça, a da vida privada, de um homem que era absolutamente apaixonado por sua mulher, Josephine, e a do homem público, do guerreiro, que era também apaixonado e dependente da vida no campo de batalha. São estes dois Napoleões, que se cruzam e também se chocam na mesma pessoa", comenta Flavia.

Como é já tradição no cinema de Scott, responsável por épicos como "Gladiador" e obras geniais como "Alien - O Oitavo Passageiro", além da obra-prima "Blade Runner", as cenas das grandes batalhas históricas de Napoleão fazem do longa um espetáculo que vale ser visto no cinema.

E mais...

No streaming, a série "The Crown" entra em sua reta final, na Netflix, finalmente chegando ao acidente e à morte da princesa Diana e suas consequências nefastas para a imagem da poderosa Rainha Elizabeth.

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Na Globoplay, a excelente série "Vale o Escrito" retrata a guerra sangrenta do jogo do bicho no Rio de Janeiro desde os anos 80 até hoje.

"É uma série que retraça a história do Jogo do Bicho no Rio desde os anos 1980 até hoje. E na série a gente conhece personagens como o Capitão Guimarães, um homem que entrou para o exército, mas que antes se formou em letras. Um dos grandes méritos da série é trazer grandes personagens que dão depoimentos incríveis. Quem tem muita culpa no cartório fala. São grandes entrevistas, grandes personagens", analisa Thiago sobre a série apresentada por Pedro Bial, que também assina a supervisão artística.

A criação da série é de Fellipe Awi, que também assina a direção com Ricardo Calil, também roteirista de "Vale o Escrito".

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