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Roberto Sadovski

Por que Nicolas Cage é sempre melhor quando interpreta... Nicolas Cage

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

15/01/2021 18h47

Nicolas Cage podia colocar na descrição da profissão: ator e rei dos memes. Com seu jeito peculiar, o astro termina mais notório fora de cena do que em seus vários filmes. Isso, porém, é uma tremenda injustiça. Além de ter um Oscar, recebido por seu trabalho em "Despedida em Las Vegas", Cage injeta personalidade em seu trabalho, o que é sempre um bônus. O que fica bem melhor quando ele interpreta basicamente... Nicolas Cage!

É o caso da série documental "A História do Palavrão" disponível na Netflix. Cage é o apresentador de uma viagem didática e histórica sobre a origem dos xingamentos mais populares da língua norte americana. É uma série ao mesmo tempo bastante divertida e absurdamente profana, o que fica ainda mais sensacional com o astro devorando o cenário.

Nos últimos anos, Nicolas Cage tornou-se sinônimo de memes que exploram seus maneirismos e seus momentos antológicos em cena. Estes não param de brotar. Com um trabalho incessante, que bateu nos últimos cinco anos uma média de cinco novos filmes por ano, o astro continuamente produz material para a diversão do resto da humanidade.

Cage também não faz nenhum esforço para desvincular sua imagem à do astro workaholic, que topa qualquer parada por um cachê redondo. E nem me refiro aos milhões que ele faturava em seus tempos de astro do primeiro time, em filmes como "A Rocha", "Con Air" e "A Outra Face", que exploravam ao máximo seu estilo excêntrico e histriônico.

Muitas vezes, é justamente esse o Nicolas Cage que um cineasta busca, como foi o caso de Werner Herzog, que o dirigiu em "Vício Frenético", de 2009. Ou mesmo Matthew Vaughn, que enxergou nele o exagero necessário para ser um pai lunático que ensina a filha a ser uma assassina na adaptação de HQs "Kick Ass". Sem um pulso firme, no entanto, Cage pode se perder em filmes de quinta como "Primal", "Jiu Jitsu", "Reféns", "O Apocalipse", "Homens de Coragem"... A Lista é interminável.

cage mandy - Netflix - Netflix
Nicolas Cage em 'Mandy'
Imagem: Netflix
Ainda assim, conseguimos tirar pérolas em meio a seu trabalho mais recente. O drama "Joe" é uma maravilha, assim como o lisérgico "Mandy" - ambos disponíveis na Netflix. É bom ficar atento também para assistir a "A Cor Que Caiu do Espaço", de Richard Stanley. E nem preciso dizer que "Homem-Aranha no Aranhaverso" também traz a assinatura vocal do astro, que interpreta a versão Noir do Cabeça de Teia.

"A História do Palavrão", por sua vez, ainda é a chance de ver Nicolas Cage sem filtros, fazendo o que ele faz melhor: ele mesmo. É o melhor programa enquanto não estreia o potencialmente bizarro "The Unbearable Weight of Massive Talent" ("O Peso Insuportável do Talento Gigantesco" em tradução livre), em que Cage interpreta Nicolas Cage que, apertado de grana, topa aparecer na festa de aniversário de um bilionário que é seu fã - só que Cage é também um agente da CIa e o tal bilionário é um traficante de drogas da pesada. De alguma forma tudo envolve um filme de Quentin Tarantino. Não tem como dar errado.