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Roberto Sadovski

11 ótimos filmes de Natal (e por que o do Hassum não chega perto da lista)

Leandro Hassum em "Tudo Bem no Natal Que Vem" - Netflix
Leandro Hassum em 'Tudo Bem no Natal Que Vem' Imagem: Netflix
Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

23/12/2020 16h45

Sim, essa é mais uma lista de filmes de Natal. Sim, o conceito é absurdamente abrangente, então um monte de filmes pode ser "de Natal", dependendo da disposição do freguês. Em vez de só jogar um listão, portanto, organizei a coisa toda de acordo com o estado de espírito que você pode se encontrar na véspera do Natal. Tem para todo mundo!

Ou quase. "Tudo Bem no Natal Que Vem", produção da Netflix em que Leandro Hassum protagoniza um "filme de Natal" tradicional, não chegaria perto de nenhuma lista decente. Não que o filme de Roberto Santucci ("De Pernas pro Ar", "Até Que a Sorte nos Separe") seja ruim. O problema é que você já assistiu a exatamente o mesmo filmes antes. E ele era muito melhor.

Hassum é Jorge, um pai de família que faz aniversário justamente em 25 de dezembro - e, por isso, não é o maior fã da data, já que sempre foi deixado de escanteio. Um acidente dispara uma "magia de Natal", e Jorge passa a viver num loop, "acordando" sempre na mesma data, 24 de dezembro, sem a menor lembrança do ano que passou.

É uma variação sem vergonha de "Feitiço do Tempo", com doses cavalares de "Click" na mistura. Tem todos os clichês imagináveis, dos parentes inconvenientes a uma guinada "emocional" lá pelo fim do segundo ato que me fez pensar se era mesmo uma comédia que eu estava assistindo. Sem falar que a construção da coisa não faz muito sentido, mesmo na ambientação fantástica: a "condição" de Jorge é aceita pela família como, no máximo, um contratempo.

Hassum faz o que pode com o texto basicão, improvisando com seu estilo histriônico de humor e puxando o coro de lágrimas para a turma dizer "nossa, como ele é bom ator". Ele é, mas a evidência definitivamente não é "Tudo Bem no Natal Que Vem". A julgar por sua presença cativa no Top 10 da Netflix desde que estreou, o público respondeu bem ao humor sem novidades e a um filme tão convencional.

Não o classifica, porém, a entrar em nenhuma lista de "melhores filmes de Natal". Porque definitivamente não é melhor em nada! Então vamos ao prato principal: escolha seu mood, prepare as rabanadas, aqueça seu coração (é VERÃO aqui, pessoas!) e mergulhe no espírito de Natal que te veste como uma meia velha!

Para (re)descobrir um clássico irretocável...

natal capra - Reprodução - Reprodução
James Stewart em 'A Felicidade Não se Compra'
Imagem: Reprodução

Filmes de Natal são tão antigos quanto o próprio cinema. Alguns ganham tração e tornam-se programas anuais obrigatórios, como "Natal Branco" e "De Ilusão Também se Vive". Mas nenhum supera "A FELICIDADE NÃO SE COMPRA", que Frank Capra dirigiu em 1946. É um filme sobre beleza, sobre pertencimento, sobre pessoas boas e sobre o real espírito da época. O George Bailey de James Stewart é um dos grandes personagens da história. Melhor filme de Natal de todos os tempos. Disparado.

Para ver sangue jorrando...

natal terror - Reprodução - Reprodução
Mais uma vítima em 'Noite de Terror'
Imagem: Reprodução

A festa do Natal também já serviu de gancho para filmes trash de primeira. Eu gosto de "Parceiro do Silêncio", com Elliott Gould. Acho graça de "Natal Sangrento", slasher podrão de 1984. Mas o super irregular Bob Clark (responsável por...errr... "Porky's") dirigiu "NOITE DE TERROR" em 1974 e acertou em cheio com a fórmula (depois imitada à exaustão) de jovens enfrentando sozinhas um serial killer. Tem Margot Kidder pré-"Superman", além de Keil Dullea e John Saxon. Influenciou "Halloween" de John Carpenter. E gerou uma série (e um remake) que infelizmente não vale meia pataca.

Para se divertir com um moleque precoce...

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Peter Billingsley em 'Uma História de Natal'
Imagem: Warner/MGM

Ok, é aqui que todo mundo aposta em "Esqueceram de Mim", que praticamente domina as sessões pré ceia de Natal pelo mundo. Temos aqui, veja só, um porém: o filme com Macaulay Culkin, adorável e tal, nem é tão bom assim. Moleque fofo por moleque fofo, eu vou de Peter Billingsley, imortalizado como Ralphie Parker em "UMA HISTÓRIA DE NATAL", de 1983. Ralphie quer um único presente: uma espingarda de ar comprimido, presente que encontra resistência por todos que o cercam. A trama principal é entrecortada por outras histórias que traçam o Natal do garoto, em um filme que tem bizarramente direção de... Bob Clark! Versatilidade é isso.

Para os anarquistas...

natal gremlins - Warner - Warner
As criaturas anárquicas de 'Gremlins'
Imagem: Warner

Nem sempre a noite de Natal é um momento fofinho e aconchegante. Filmes como "Rare Exports: Natal Bizarro" e "Krampus: O Terror do Natal" transformam a visita do "bom velhinho" em um momento de pânico e terror. Nessa pegada nenhum se compara a "GREMLINS", de 1984, em que Joe Dante leva caos e anarquia a uma cidadezinha americana quando uma criatura fofa, Gizmo, dá origem a monstros destruidores que transformam a festa em um palco de guerra. Sua continuação, lançada em 1990, abusa do humor ácido com resultados ainda melhores.

Para quem (ainda) não acredita na festa...

natal murray - Paramount - Paramount
Bill Murray é o passageiro em 'Os Fantasmas Contra-Atacam'
Imagem: Paramount

Nada como despertar o cínico em nossos corações com alguma história de Natal que demora uma cota até chegar ao espírito da festa. "O Grinch", com Jim Carrey, talvez traga o maior de todos os descrentes do Natal (mas é um filme exagerado e bem ruim). "Papai Noel às Avessas" tem Billy Bob Thornton como um sujeito desprezível que destrói a figura bondosa que é símbolo máximo dos festejos. Mas nenhum é tão amargo quando Bill Murray em "OS FANTASMAS CONTRA-ATACAM", uma variação moderna do "Conto de Natal" de Charles Dickens, em que um executivo de TV detestável recebe a visita de três espíritos do Natal que amolecem seu coração.

Para um Natal heroico...

natal die hard - Fox - Fox
Bruce Willis em 'Duro de Matar'
Imagem: Fox

"Ho, ho, ho, agora eu tenho uma metralhadora!" Não vou mentir: "DURO DE MATAR" é meu filme de Natal favorito. É também um dos mais óbvios, com Bruce Willis dando vida a um dos heróis mais bacanas do cinema, John McClane, em meio a uma celebração natalina transformada por John McTiernan em praça de guerra. Não tem erro, e ainda completa uma sessão heroica bacana com "Máquina Mortífera" e "Beijos e Tiros". Vai sem medo.

Para quem quer dar risada...

natal lampoon - Warner - Warner
Chevy Chase e Beverly D'Angelo em 'Férias Frustradas de Natal'
Imagem: Warner

Nos últimos anos o volume de comédias natalinas inchou absurdamente, especialmente em plataformas de streaming como Netflix. Mas nada como bons e velhos conhecidos para fazer o riso fluir melhor. Bobagens como "Um Natal Muito, Muito Louco" e "Sobrevivendo o Natal" são um bom aperitivo para experiências radicais ao estilo "Um Natal Muito Louco 3D" (é, a turma não tem lá muita criatividade) e "Sexo, Drogas e Jingle Bells". Até Schwarzeneger entrou na dança com "Um Herói de Brinquedo". O filé mesmo é "FÉRIAS FRUSTRADAS DE NATAL", em que Chevy Chase assumiu pela terceira (e não última) vez o papel de Clark Griswald, dessa vez organizando um Natal em família destruidor!

Para um Natal (super) heróico...

natal batman - Warner - Warner
Michelle Pfeiffer e Michael Keaton em 'Batman - O Retorno'
Imagem: Warner

Alguns filmes com super-heróis não seriam os mesmos se não fosse a atmosfera festiva do Natal. É o caso de "Shazam!", que amplifica seu climão de aventura para toda a família com a ambientação natalina. O mesmo vale para o subestimado (e excelente) "Homem de Ferro 3", que trouxe a simbologia das festas do fim do ano com seu diretor, Shane Black. Mas "BATMAN - O RETORNO" ainda é insuperável ao misturar o espírito do Natal com os dilemas sombrios do Homem-Morcego. Tim Burton entendeu a proposta fantástica do defensor de Gotham e criou um filme único e estranhamente alinhado com a beleza do Natal.

Para quem busca um Natal animado...

natal jack - Disney - Disney
A beleza estilizada de 'O Estranho Mundo de Jack'
Imagem: Disney

Arriscar uma aventura em animação muitas vezes é a receita perfeita para segurar a atenção da criançada já entupida de doces na noite do Natal. Às vezes a melhor pedida é apostar na tradição de um "O Natal do Charlie Brown". Outras, nada melhor que uma aventura moderna como "A Origem dos Guardiões". "Klaus", lançado ano passado pela Netflix, foi uma ótima surpresa! Eu prefiro, por fim, o verdadeiro clássico moderno que se tornou "O ESTRANHO MUNDO DE JACK", que combinou a imaginação de Tim Burton com o talento superlativo do diretor Henry Selick, resultando em uma aventura levemente assustadora, despudoradamente romântica e totalmente entregue ao espírito natalino.

Para os corações apaixonados...

natal simplesmente - Universal - Universal
Bill Nighy em 'Simplesmente Amor'
Imagem: Universal

O clima festivo do fim do ano termina emoldurando algumas histórias de amor que não saem de moda. "Surpresad do Amor" tem Vince Vaughn e Reese Witherspoon em uma comédia romântica bobinha. Já "O Amor Não Tira Férias", encabeçada por Cameron Diaz e Kate Winslet, tem mais pedigree. Agora, a melhor de todas é mesmo "SIMPLESMENTE AMOR", em que Richard Curtis entrecorta meia dúzias de histórias de amor com a ajuda de um elenco arrebatador e sem um pingo de cinismo. Você vai rir, você vai chorar, você vai se apaixonar - tudo junto e misturado!

Para assistir em família...

natal elf - New Line/PlayArte - New Line/PlayArte
Will Ferrell é 'Um Duende em Nova York'
Imagem: New Line/PlayArte

Se o caso é unir todas as tribos, a melhor coisa é apelar para um filmão que traga todos os atributos de uma história de Natal que possa ser curtida por todo mundo - até pelo tio do pavê. "O Expresso Polar" seria uma boa pedida, se não fosse uma animação tão assustadora. Já "Meu Papai É Noel" tem a graça, mas lhe falta qualidade. "Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho" é outro clássico das festas, mas talvez seja nostálgico demais para uma turma heterogênea. "O Conto de Natal dos Muppets" quase leva a coroa principalmente por motivos de Michael Caine. No fim das contas, porém, o pódio é mesmo de "UM DUENDE EM NOVA YORK", que traz Will Ferrell em seu melhor momento "criança adulta", como um sujeito criado pelos duendes do Papai Noel que vai à Nova York em busca de seu pai verdadeiro - que calha de ser James Caan. É absurdo, é doce, é emocionante... E é exatamente o filme que o diretor Jon Favreau se propôs a fazer em primeiro lugar: um conto de Natal atemporal.