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Roberto Sadovski

10 filmes bem caros para ficar de olho em 2020 (isso se nenhum for adiado)

Daniel Craig em 007 Sem Tempo Para Morrer - Universal/Divulgação
Daniel Craig em 007 Sem Tempo Para Morrer Imagem: Universal/Divulgação
Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

12/03/2020 03h59

Ah, coronavírus. O avanço global da doença já fez a Organização Mundial de Saúde declarar pandemia e está fazendo um estrago na economia mundial. Aqui em nosso quintal da cultura pop, a paulada é igualmente severa. A edição deste ano do festival South by Southwest, que reúne entretenimento, tecnologia e política na cidade de Austin, Texas, foi cancelada.

O prejuízo é de milhões de dólares em investimento, além do revés para dúzias de cineastas independentes que faziam do SXSW um trampolim para alavancar seus filmes no mercado. Cannes ainda corre o risco de ser engavetado. E a nova aventura de James Bond, "007 Sem Tempo Para Morrer", abandonou sua data de estreia em abril para se reposicionar mais confortavelmente em novembro.

É compreensível. Com a ameaça do coronavírus, muita gente tem preferido com razão evitar aglomerações e ficar em casa. Pode esperar um aumento na audiência em sua plataforma de streaming favorita! Os motivos são econômicos, claro, já que a China, coração da pandemia, é o segundo maior mercado cinematográfico do planeta, e salas vazias significam prejuízo para candidatos a blockbuster que tem seu custo na casa dos nove dígitos.

Bond foi o primeiro e, embora os estúdios ainda não tenham puxado o freio em outros lançamentos, a essa altura nada é descartável. Separei no listão abaixo dez superproduções que não podem arriscar perder seus trocados em exibição nos cinemas - mas que, até agora, permanecem com as datas fechadas. Estamos de olho!

"VIÚVA NEGRA"

viúva negra - Marvel/Divulgação - Marvel/Divulgação
Imagem: Marvel/Divulgação

Estreia 30 de abril

A filme-solo da heroína vivida por Scarlett Johansson em sete filmes da Marvel demorou para sair da gaveta, mas é a aposta que abre os trabalhos do estúdio em 2020. Comparado com os 400 milhões de dólares torrados na produção de "Vingadores: Ultimato", os 175 milhões investidos aqui não parecem tão pesados.

Ainda assim é uma soma considerável, e o estúdio não planeja mudar sua data de estreia, arriscando alto em uma aventura movida a girl power. "Aves de Rapina", que trouxe uma percepção pública similar, estacionou com menos de 200 milhões mundiais em caixa. Mas, com todo o respeito, a Arlequina não amarra as chuteiras de Natasha Romanoff.

"VELOZES & FURIOSOS 9"

velozes & furiosos 9 - Universal/Divulgação - Universal/Divulgação
Imagem: Universal/Divulgação

Estreia 21 de maio

A série encabeçada por Vin Diesel e uma coleção de carros tunados tornou-se uma verdadeira máquina de imprimir dinheiro desde que visitou o Rio de Janeiro em seu quinto capítulo. No total, "Velozes & Furiosos" já garantiu mais de 5 bilhões de dólares aos cofres do estúdio. Apesar dos números superlativos, a fatia do mercado chinês é considerável, e não será surpresa se os ânimos desacelerarem para uma data mais segura.

Eu já acho surpreendente que a série tenha chegado ao nono filme basicamente repetindo o plot a cada novo episodio, com "Velozes 9" apresentando John Cena como um irmão até o momento jamais mencionado do personagem de Vin Diesel.

"MULHER-MARAVILHA 1984"

mulher-maravilha 1984 - Warner/Divulgação - Warner/Divulgação
Imagem: Warner/Divulgação

Estreia 4 de junho

O futuro da DC no cinema está mais do que assegurado, especialmente depois do bilhão embolsado por "Coringa". Seu universo compartilhado, por outro lado, é uma história diferente. A performance pífia de "Aves de Rapina" acendeu o sinal de alerta, mas "Mulher-Maravilha 1984" parece uma aposta mais certeira do que "o filme da namorada do Coringa".

A rigor, é uma continuação que parece trazer conexões distantes com os outros filmes deste universo, até porque sua própria existência já anula fatos expostos, por exemplo, em "Batman vs Superman" (como o fato de a princesa Diana ter passado um século oculta da humanidade). Patty Jenkins teve mais liberdade na direção do projeto - o que é ótimo, já que o terceiro ato abobado do filme anterior foi claramente interferência do produtor. E quem não gosta dos anos 80, certo?

"TOP GUN: MAVERICK"

top gun maverick - Paramount/Divulgação - Paramount/Divulgação
Imagem: Paramount/Divulgação

Estreia 9 de julho

Tom Cruise pode ser o maior astro de cinema do planeta, posto que ostenta há mais de três décadas. Mas não é infalível ("A Múmia" não me deixa mentir). Mas existe um fator de nostalgia pesado nessa continuação para lá de tardia do filme que fez dele um astro que antevê mais um sucesso. Talvez não para se qualificar como o maior sucesso do ano, como foi o caso em 1986.

O bastante, porém, para cravar mais um hit no currículo de Cruise. "Maverick", por sua vez, apresenta-se como um drama de ação decente, com novos personagens criados para alavancar a narrativa do protagonista, que agora volta como instrutor de voo de combate - e sua própria bagagem de fantasmas do passado. Eu vi marmanjo com olhos marejados já no trailer! Significa?

"FREE GUY - ASSUMINDO O CONTROLE"

free guy ryan reynolds - Disney/Divulgação - Disney/Divulgação
Imagem: Disney/Divulgação

Estreia 9 de julho

Uma das maiores baleias brancas do cinema moderno é a trazer o consumidor de games para as salas de cinema. De "Super Mario Bros" a "Sonic", produtores e criadores tentam mimetizar a experiência de um jogo na tela grande, o que é quase impossível pela total falta de interação. "Free Guy" pode não resolver esse problema, mas ao menos transforma em filme uma das maiores evoluções dos games contemporâneos que é a narrativa em um mundo aberto.

É mais ou menos aí que mora o personagem de Ryan Reynolds, um "coadjuvante" inconsciente em um cenário que é parte "GTA", parte "Free Fire" que desperta para sua realidade virtual e tenta dela se livrar. Um conceito original que pode dar liga com a turma do cinema pop e a rapaziada dos games hardcore.

"JUNGLE CRUISE"

jungle cruise - Disney/Divulgação - Disney/Divulgação
Imagem: Disney/Divulgação

Estreia 23 de julho

A Disney já é dona do planeta e continua aqui sua jornada para consolidar essa liderança. Não basta ser dona da Pixar, Marvel, LucasFilm e Fox, o estúdio volta-se mais uma vez para seus parques temáticos como inspiração para o cinema. É um risco, que funcionou de forma brilhante com "Piratas do Caribe" e não deu em nada com "Mansão Mal-Assombrada".

Dwayne Johnson é o dono de um barco que enfronha-se na selva amazônica ao ser contratado por Emily Blunt para encontrar uma árvore mítica de frutos capazes de curar qualquer mal. Temos um vilão malvadão, temos uma maldição milenar, temos um astro carismático. A pergunta que fica é, "Jungle Cruise" vai pender mais para o capitão Jack Sparrow ou para... Eddie Murphy versão infantil?

"TENET"

tenet - Warner/Divulgação - Warner/Divulgação
Imagem: Warner/Divulgação

Estreia 23 de julho

Christopher Nolan é um dos últimos bastiões do cinema original operando com orçamentos milionários - em "Tenet" os gastos bateram em 200 milhões de dólares. O diretor, por sinal, merece a confiança. Enquanto se estabelecia como realizador confiável no comando da trilogia "O Cavaleiro das Trevas", Nolan não parou de experimentar com temas que lhe são caros, como a linha tênue entre fantasia e realidade e as camadas que entrelaçam tempo e espaço.

"O Grande Truque" foi um sucesso modesto que os anos tornaram cult, mas "A Origem", "Interestelar" e "Dunkirk" solidificaram seu status como um artista que, mesmo traduzindo seus próprios anseios em histórias grandiosas no cinema, é capaz de entender para onde se direciona a atenção de seu público. "Tenet" parece culminar a soma de seus fetiches, da narrativa fragmentada a viagem no tempo a reviravoltas surpreendentes. Christopher Nolan é alguém em quem sempre é bom prestarmos atenção.

"GHOSTBUSTERS MAIS ALÉM"

ghostbusters mais além - Sony/Divulgação - Sony/Divulgação
Imagem: Sony/Divulgação

Estreia 20 de agosto

Não é exagero dizer que este novo "Caça-Fantasmas" (agora padronizado globalmente como "Ghostbusters" por motivos de branding) é a aposta mais arriscada do ano. Não deveria ser. Desde que chegou aos cinemas em 1984, a comédia clássica de Ivan Reitman tomou as rédeas da cultura pop e não soltou mais, fosse em uma continuação em 1989 (é inofensiva, confira), na série em desenho animado, em histórias em quadrinhos, video games e traquitanas colecionáveis. O reboot cometido por Paul Feig em 2016 não é nem de longe o desastre que muitos insistiram em pintar, e foi mais prejudicado pela gritaria da horda de "fãs" sem noção que não admitiram um time de investigadores do além composto por mulheres.

A Sony sentiu o baque e puxou o freio nos planos para a marca, e foi com espanto que a notícia de um novo começo foi recebida. O cenário, porém, é outro. O time original (aparentemente) está de volta, mas o novo filme traz uma geração muitas vezes sem idade para se barbear (o que pode incluir Paul Rudd...) em uma aventura que continua a trama traçada nos anos 80. Ah, o diretor de "Ghostbusters Mais Além" esteve no set décadas atrás, ao lado de Bill Murray e Dan Aykroyd: Jason Reitman, filho de Ivan, foi uma criança feliz.

"007 - SEM TEMPO PARA MORRER"

007 sem tempo para morrer - Universal/Divulgação - Universal/Divulgação
Imagem: Universal/Divulgação

Estreia 19 de novembro

A despedida de Daniel Craig do papel de James Bond já enfrentou sua cota de perrengues. Previsto para o final de 2019, já atormentado pela mudança de diretor (Danny Boyle deu lugar a Cary Fukunaga), foi adiado quando uma explosão atrasou as filmagens, já sofridas com as pausas cirúrgicas de seu astro (Craig deve ter sido o intérprete de 007 que mais sofreu em sua carreira como o espião).

Agendado para abril, foi empurrado para novembro por conta dos cuidados com o coronavírus. Tanto melhor. O clima de completude trazido pelo fim do ano sempre pareceu mais adequado às aventuras de Bond, e parece condizente com uma aventura tão emblemática.

"DUNA"

dunas - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Estreia 17 de dezembro

Ok, "Duna" estreia em dezembro, quando espera-se que o pânico causado pelo coronavírus tenha arrefecido. Até porque seria um pecado esperar um segundo a mais para ver a adaptação do clássico absoluto de ficção científica, um mundo traçado pelo escritor Frank Herbert, pelas mãos do não menos genial Denis Villeneuve.

O elenco é um absurdo (Timothée Chalamet, Javier Bardem, Josh Brolin, Recebba Ferguson, Jason Momoa, Charlotte Rampling, Oscar Isaac, Zendaya, fala sério!). A aposta do estúdio, altíssima. "Duna" é o primeiro filme em anos capaz de gerar o mesmo tipo de entusiasmo causado por Peter Jackson e seu "O Senhor dos Anéis". Ainda não temos trailer. Ou imagens oficiais. Só um logo. A foto da duna aí em cima é meramente ilustrativa.