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Pedro Antunes

Metallica quer ser moderninho e até entedia. Mas Blacklist pode ser ótimo

Ousadia e alegria! Metallica coloca J Balvin e Miley Cyrus pra cantar heavy metal - Montagem de Pedro Antunes
Ousadia e alegria! Metallica coloca J Balvin e Miley Cyrus pra cantar heavy metal Imagem: Montagem de Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

10/09/2021 12h27

Elogiei, no final de julho, a coragem do Metallica de ser feliz e destruir as memórias afetivas criadas com o lançamento do Black Album, histórico disco de 1991.

Com covers de J Balvin, Miley Cyrus entre tantos outros, o álbum lançado 30 anos atrás foi revisto com versões ordinárias e outras fora da caixinha.

O "Black Album" original foi uma ruptura com o passado mais pesado do grupo e deu certo, tornando-se o disco mais comercial da história deles.

Conceitualmente, "The Metallica Blacklist" faz a mesma coisa. Mas agora não é o Metallica que abre a concessão estética. O grupo preferiu convocar artistas que buscam recriar as faixas icônicas da banda e, de alguma maneira, levar som para bolhas que jamais ouviriam a banda.

Comercialmente falando, faz todo o sentido, mas ouvir "The Metallica Blacklist" pode ser uma experiência tediosa se você decidir ouvi-lo como um álbum, mesmo, do começo ao fim.

São 53 versões das músicas e mais de 4 horas de som. Como os covers estão divididos por músicas, somos obrigados a ouvir seis versões (muito parecidas) de "Enter Sandman" para chegar em "Sad But True", a segunda do disco. Entende?

Fruto de um mundo da música dominado por playlists em plataformas de streaming, "Blacklist" precisa ser escutado no shuffle, o abominável modo aleatório que faz os fãs caretas de música se contorcerem. Mas é o jeito, ou você não chegará ao final.

Só o mais esmerado dos fanáticos por Metallica conseguirá terminar o álbum em uma tacada só, do início ao fim.

Outra questão é que "Blacklist" não é inteiro revolucionário. Alguns artistas pouco se atreveram a alterar as músicas originais para deixá-las com a sua cara - que é todo o ponto da existência do álbum.

Já existem bandas covers o suficiente para ter que ouvir uma tentativa de imitação de luxo, né?

"The Metallica Blacklist" dá tiro para todo lado, tentando alcançar diferentes públicos. Estão reunidos ali bandas indies, artistas do reggaeton, grupos de rock mais pesado que o Metallica e artistas do pop.

Eu curti "Wherever I May Roam", de J Balvin, as versões bem "fora da caixinha" de "Unforgiven" feitas por Diet Cig e Ha-Ash, a vagarosa interpretação de Phoebe Bridgers para "Nothing Else Matters", o petardo do IDLES para "The God That Failed" e a explodidora de cabeças versão de Kamasi Washington para "My Friend of Misery".

Mas esses são os pontos altos entre outras tantas faixas que não mexeram comigo particularmente.

"The Metallica Blacklist" é uma experiência que exige garimpo ou pode ser repetitiva e tediosa demais.

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes) ou no Twitter (também @poantunes).