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Pedro Antunes

Com música antivacina, Eric Clapton dá trabalho para os passadores de pano

Você ainda passa pano para Eric Clapton em pleno 2021?  - Foto: Fred Thornhill/Reuters | Montagem: Pedro Antunes
Você ainda passa pano para Eric Clapton em pleno 2021? Imagem: Foto: Fred Thornhill/Reuters | Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

29/08/2021 08h30

Eric Clapton, o segundo maior guitarrista da história (segundo eleição de 2015 da Rolling Stone EUA), lançou uma música frágil e pouco inspirada. O que não seria um problema porque até os gênios da música erram, aqui e acolá. A questão é outra.

Durante a pandemia de Covid-19, Clapton voltou a mostrar o lado "não-músico" dele. E esta figura, meus vacinados, é assustadora e problemática, como escrevi na coluna em novembro de 2020.

"This Has Gotta Stop" é uma canção antivacina, como aponta a Variety. A faixa, disponível no YouTube e nas plataformas de streaming, é a mais recente atitude do artista de 76 anos contra as medidas preventivas contra a covid.

"I can't take this B.S. any longer / It's gone far enough", canta Clapton (em tradução livre algo como: "Eu não aguento mais essa bobagem / Foi longe demais".

Ainda na letra, Clapton afirma ter problemas em mexer as mãos e reclama de crises de suor. Estas duas reações foram sentidas pelo guitarrista quando tomou a primeira dose de vacina, em maio de 2021. "Minhas mãos e meus pés estavam congelados, dormentes ou queimando", escreveu ele na época.

O vídeo, todo em animação, transforma pessoas em marionetes ou zumbis olhando para os celulares. Há políticos com coroas e manifestantes com placas pedindo "liberdade". Ainda, há uma ilustração de Jam for Freedon, um grupo anti-lockdown apoiado por Clapton e imagens do planeta em chamas.

Recentemente, Clapton se juntou a Van Morrison em uma música também anti-lockdown, chamada "Stand and Deliver" e afirmou, há poucos dias, que não se apresentará em casas e arenas que exigirem comprovante de vacinação para o público.

É bom lembrar que os shows da vindoura turnê de Clapton em setembro nos Estados Unidos serão em lugares fechados.

Com histórico de comentários racistas e xenófobos no final de 1976, Clapton não surpreende ninguém com a temática de "This Has Gotta Stop". A diferença, desta vez, é que nem qualidade da música não salva a pele do guitarrista aqui, como fez tantas outras vezes.

Com uma letra que reúne um punhado de pensamentos desconexos, cantados de forma quase monotônica e acompanhados por violão e guitarra pouco inspirados, além de um tecladinho tirado de karaokês da Liberdade, a nova música dará trabalho para quem ainda tenta passar o pano para o artista.

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes) ou no Twitter (também @poantunes).