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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Apelação: Bacci volta a defender na Record que Michael Jackson não morreu

No "Cidade Alerta", Luiz Bacci expõe teoria sobre o suposto assassinato de Clodovil e defende que Michael Jackson não morreu - Reprodução
No "Cidade Alerta", Luiz Bacci expõe teoria sobre o suposto assassinato de Clodovil e defende que Michael Jackson não morreu Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

23/03/2021 12h09Atualizada em 23/03/2021 16h48

Fascinado por teorias da conspiração, o apresentador Luiz Bacci voltou a defender no "Cidade Alerta", na Record, a ideia de que o cantor Michael Jackson (1958-2009) está vivo. Por cinco minutos, nesta segunda-feira (22), ele espalhou mentiras e desinformação a respeito, ao vivo, na TV. Ele já havia defendido a mesma história durante o "Balanço Geral", em 2014.

O pretexto para o discurso de Bacci foi a exibição de uma reportagem com uma mulher que acredita que Clodovil Hernandes (1937-2009) foi vítima de um assassinato. Ele morreu em consequência de um AVC (acidente vascular cerebral). Segundo o apresentador, a teoria sobre o suposto crime que matou Clodovil deveria ser investigada.

Da mesma forma, defendeu, deve-se suspeitar que Michael Jackson não morreu. Disse Bacci:

"Olha eu confesso pra vocês que nem Michael Jackson eu acredito que morreu. Tá rindo do quê? Michael Jackson morreu? Não teve o bilionário chinês que ficou sumido três meses? O Michael Jackson não batia muito bem da cabeça. Que é tanto dinheiro, tanta família maluca na vida dele que ele, coitado, sofria muito. Problema psicológico. Se não era ele sentado ali no velório dele. Você tá rindo? Eu acredito, ué! Não posso acreditar?"

E prosseguiu, estimulando que os espectadores compartilhem a sua maluquice: "Faz uma enquete qualquer dia no Instagram de vocês: 'Pra você, Michael Jackson está vivo ou está morto?' Mais gente vai acreditar que Michael Jackson está vivo! "

E continuou falando sobre as teorias que envolvem o enterro do cantor: "Já viu a foto do Michael Jackson? Do caixão? Primeiro que ninguém, direito, pode ir naquele velório. Aí tem o caixão dele, sei lá onde foi o velório do Michael Jackson. Tem vários bancos de madeira. No terceiro ou no quarto banco, pesquisem depois: 'Michael Jackson comparece ao próprio velório'. 'Ah, Bacci, você tá louco! Você tá muito louco!' Vejam! 'Mas. Bacci, é óbvio que ele foi ao próprio velório, o corpo dele estava lá, morto'. Pra mim, ele foi vivo!"

É lamentável que um jornalista, apresentando um programa jornalístico, dê trela para este tipo de fantasia. Não se trata de uma questão de opinião ("eu acredito"), mas de fatos. Qualquer profissional sério sabe que difundir esse tipo de comentário em rede nacional tem o efeito de ampliar a desconfiança das pessoas com os meios de comunicação.

Nesta segunda, o "Cidade Alerta" foi o quarto programa da Record mais visto, com média de 7,4 pontos (cada ponto equivale a 203 mil indivíduos) no Kantar Ibope. Bacci cometeu um desserviço de largo alcance.