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Pela 1ª vez em mais de 5 meses, abertura do JN não menciona o coronavírus

William Bonner, apresentador do "Jornal Nacional"  - Reprodução / Internet
William Bonner, apresentador do "Jornal Nacional" Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

04/08/2020 23h05

O "Jornal Nacional" desta terça-feira (4) não trouxe nenhuma notícia sobre a pandemia de coronavírus na sua "escalada" - a seleção dos assuntos principais do dia, lidos pelos apresentadores na abertura. A última vez que isso havia ocorrido foi em 21 de fevereiro, há mais de cinco meses.

Desde 22 de fevereiro, sábado de Carnaval, a doença teve espaço na abertura do "JN" todos os dias. E o espaço ocupado pela cobertura aumentou com o passar dos dias.

A cobertura intensiva começou, na prática, em 22 de janeiro, quando o telejornal informou sobre um caso suspeito de coronavírus em Minas Gerais. Desde então, apenas nos dias 19 e 21 de fevereiro o JN não destacou a crise sanitária na abertura.

Desde 26 de fevereiro, confirmado o primeiro caso de infecção no Brasil, o assunto só cresceu no principal telejornal do país. Em 6 de março, a notícia de abertura foi a confirmação de 100 mil casos no mundo. No dia 10, a Itália deu início a medidas restritivas de convívio social. No dia seguinte, a OMS reconheceu a pandemia mundial. E no dia 17, foi registrada a primeira morte no Brasil.

A intensa cobertura do JN, exemplar do ponto de vista jornalístico, se tornou motivo de críticas do presidente Jair Bolsonaro e de ministros do governo.

Em maio, o presidente mais de uma vez se referiu à Globo como "TV Funerária", numa crítica ao fato de a cobertura realçar os números de mortos e internados, e não o de recuperados. Sem se referir diretamente às restrições governamentais, William Bonner seguidamente observou que o noticiário destacava "o que é mais importante: as vidas em risco na pandemia do coronavírus".

Como mostrei na coluna, nesta segunda-feira (03), a cobertura do JN sobre a pandemia encolheu de forma abrupta. Em vez dos 30 minutos dedicados ao assunto uma semana antes, o telejornal tratou da crise sanitária por apenas 10 minutos. Mas ainda destacou uma notícia na abertura.

Nesta terça-feira, nem isso. Nenhuma chamada na "escalada" sobre as 1.394 mortes registradas no país nas últimas 24 horas. Houve, é verdade, uma breve menção no primeiro bloco sobre número total de mortos, que se aproxima de 100 mil, e um bloco de 11 minutos no final do telejornal com notícias sobre o assunto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL