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Marcelle Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Fernanda Gentil e cia fazem do 'Zig Zag Arena' uma brincadeira sem graça

Fernanda Gentil não empolgou no comando do "Zig Zag Arena" - João Cotta/Rede Globo/Divulgação
Fernanda Gentil não empolgou no comando do 'Zig Zag Arena' Imagem: João Cotta/Rede Globo/Divulgação
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Marcelle Carvalho

Marcelle Carvalho é jornalista que cobre, há duas décadas, o universo da televisão. Suas maiores paixões são novelas e séries, que serão abordadas aqui a partir da visão de quem vê e de quem faz.

Colunista do UOL

03/10/2021 16h56

Quando as chamadas de "Zig Zag Arena" foram ao ar confesso que fiquei animada com a possibilidade de ver, em um grande cenário high-tech, as brincadeiras da minha infância. Mas me decepcionei completamente. Tudo virou uma grande massaroca, com regras confusas, fazendo com que a diversão mesmo ficasse só com quem estava no jogo. Ela passou longe de quem assistia em casa.

Também pudera. A comandante da brincadeira, Fernanda Gentil, não poderia entrar menos animada. Juro que imaginei que ela chegaria com a energia lá em cima, com sangue nos olhos, com aquela vontade de engolir o mundo, até para provar que tem pegada para se segurar no entretenimento - e fazer sua primeira incursão no gênero com o "Se Joga" ser esquecida. Acredito que faltou a Fernanda uma dose de Marcos Mion, mestre na arte de empolgar, que em segundos no comando do "Caldeirão", fez com que a gente nem lembrasse mais de Luciano Huck.

Vestida de "Jedi New Wave", Fernanda parecia muito protocolar. Deveria ter se jogado mais, se embolado com a galera, mas manteve uma distância estranha, de quem se mostra apenas a "dona da lojinha". Aliado a isso, ainda tiveram as regras das provas. Gente... que coisa mais confusa! As explicações de cada etapa eram dadas de forma tão corrida, que muitas vezes chegou a comprometer o entendimento das brincadeiras.

E, olha, na teoria, pode ser legal ter um trio de comentaristas para dar um molho ao programa. É o tal da expectativa x realidade. Na prática, isso não funcionou. Principalmente, quando entrava o "Show do Intervalo". Ok, que a intenção era dar uma bossa, mas ficou longo demais, quase o mesmo tempo da prova executada. E repetindo o que já tinham falado na bancada. Everaldo Marques foi quem se saiu um pouco melhor. Desnecessário Hortência e sua mesa tática e mais ainda Marco Luque. Digo, a presença dele na atração. Em vários momentos, a sensação era a de que tinha caído de paraquedas no programa, com um semblante de "o que estou fazendo aqui?". Se há mesmo a necessidade de ter mais alguém além da apresentadora, na boa, deixa só o Everaldo.

Ah, e por favor, dá para deixar o ângulo mais aberto nas provas, pegando todo o cenário? Por que é difícil acompanhar a performance dos participantes com as câmeras fechando os movimentos, dando close em uma corrida de um lado, e a gente não vendo o que acontece do outro. O público tem que ter uma visão ampla da arena para sacar o que está rolando no game.

Um dos slogans de "Zig Zag Arena" é "nunca pare de brincar". Só se for para quem está participando da atração. Porque pela repercussão nas redes sociais, a grande maioria vai passar esse programa. E, talvez, as brincadeiras de criança que tanto inspiraram o dominical fiquem mesmo apenas nas memórias da infância.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL