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Monica Martelli, descoberta de estupro e importância de conversa com amigas

Mônica Martelli se deu conta de um estupro no estúdio, gravando o Saia Justa Imagem: Reprodução/Instagram
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Luciana Bugni

Colunista do UOL

13/01/2022 04h00

Para quem, como eu, cresceu ouvindo que mulheres eram rivais, algo mudou na última década. Percebemos que era ótimo, por exemplo, ser atendidas por médicas do sexo feminino. Fazer terapia com psicólogas também tem suas vantagens. E uma conversa só entre meninas é de uma riqueza de descobertas e confissões que não se vê por aí.

Por isso, não é se se estranhar o relato de Monica Martelli e de suas colegas no Saia Justa: elas afirmam que gravar o programa é uma sessão de terapia. Monica, inclusive, afirmou que se deu conta de que já havia sido estuprada em um debate no estúdio.

Muitas de nós tivemos o mesmo insight em conversas francas sobre abuso.

Quantas vezes não alertamos amigas de que a culpa não era delas e, assim, percebemos que também não era nossa?

Claro que conversas com homens também são ricas e ótimas — sou uma defensora da ideia de que existe amizade entre homens e mulheres. Mas quando conversamos entre garotas, tem algo mais nas entrelinhas.

Depois de ver o filme "A Filha Perdida", escrevi sobre como é reconfortante falarmos sobre nosso egoísmo. A gente tem preguiça às vezes de educar filho? Claro que tem. É difícil dar conta de tudo, cuidar da casa, lidar com a carga mental das obrigações que ainda nem surgiram (mas sabemos, surgirão). E ainda ser inteligente, competente, interessante e não desabar... Está todo mundo exausto e não é por acaso.

Ao falarmos sobre isso com nossos companheiros e amigos, pode facilmente soar como uma reclamação sem fim — e tem gente que nem escuta mais esse tipo de queixa. Porém, quando temos a sorte de Monica, Astrid, Pitty e Gaby... podemos desabafar sobre as angústias mais profundas. Com amigas, é possível encontrar amparo, compreensão e um olhar que nos faz dar conta de coisas que nem sempre somos capazes de perceber sozinhas.

Você já acolheu uma amiga hoje? Já se deixou acolher por alguma delas? Já confessou o inconfessável? Escutou o que alguém está precisando muito dizer? Tire um tempinho para bater um papo com elas — isso salva a nossa vida.

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