Lucas Pasin

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Opinião

Encarei a Farofa da Gkay e descobri: a putaria é midiática e pouco real

Quando contei a amigos que havia sido convidado para a Farofa da Gkay 2023, e que não se tratava da cobertura do evento, mas sim de viver a experiência, a reação foi unânime: "Aquilo é uma putaria só". Ao fim da maratona de mais de 50 horas de festa, posso afirmar: não, a tal putaria é midiática, a festa é bem mais do que isso.

Desde que cheguei ao hall do Marina Park, em Fortaleza, encontrando o local todo decorado e - como dizem - totalmente "instagramável", percebi que estava em uma espécie de maratona de criação de conteúdo. Na Farofa, os convidados não se intimidam em enfiar o celular na cara de ninguém, e fazem, onde for, flagras, dancinhas, paródias ou o que mais a criatividade permitir.

A tal "putaria" faz parte desta maratona. Quantos views vale um beijo? Há quem escolha querer viralizar beijando muitas bocas. Para quem vai por esse caminho, aproveitar, de fato, os beijos é o de menos. Ali, o que importa, é fazer cena para as câmeras. Das 12 horas de festa por dia, o tempo de "putaria" se reduz a no máximo alguns Stories. Tudo parecendo ensaiado.

O youtuber Jon Vlogs ganhou o título de "rei da Farofa" assim, mostrando tudo, em lives diárias no evento. Ele não beijava na boca se a câmera estivesse desligada. Tudo tinha que ser registrado, e os amigos ajudavam. Presenciei ele recebendo a proposta de um "beijo offline", e Jon não gostou nada da ideia.

Outro exemplo que se dedicou bastante à maratona foi DJ Nathi, revelação da Farofa deste ano justamente por "beijar demais". O que ela fez? Combinava com fotógrafos do evento para ser "flagrada" beijando o maior número de pessoas. Foi assim que reparei quem ela era, e fui descobrir de quem se tratava. Adorei a dedicação.

Jon Vlogs beija Valesca Popozuda enquanto é filmado; tudo para uma live
Jon Vlogs beija Valesca Popozuda enquanto é filmado; tudo para uma live Imagem: Brazil News

É claro que a Farofa não é um lugar de evangelização, como justificou Jottapê ao ser criticado por estar na festa com a família. Os convidados não ficam lá falando de Deus. Mas também está longe de ser um evento que se destaca apenas pelos rápidos romances. Nem o tal "dark room" existe mais.

O evento tem uma estrutura e produção que eu pouco vi em festas mais reservadas. São 700 convidados, mais de 15 shows - que você assiste colado na grade ou em cima do palco -, e cerca de 1.350 colaboradores trabalhando.

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Uma logística que se preocupa não apenas com a festa em si, mas com o transporte de todos, festas extras (pool party na piscina) e todas as refeições, entre outras coisas.

É preciso tirar o chapéu para Gkay e sua equipe.

Está flopado?

A Farofa da Gkay deste ano foi considerada, nas redes sociais, como "flopada". Os comentaristas virtuais, ávidos por fofoca, perceberam que o evento tinha menos pessoas famosas do que em anos anteriores. De fato, tinha. Isso também foi um comentário para quem estava na festa.

No entanto, Gkay parece ter encontrado o tom da Farofa neste ano. O que adianta chamar vários famosos se eles não se importam com ela? É melhor que ela encha o evento de "quase anônimos" ou influenciadores que estão no dia a dia ao seu lado - inclusive, parte do fã-clube dela estava na festa todos os dias.

Vale lembrar que Gkay viveu momentos de cancelamento em 2022 após atitudes nos bastidores serem reveladas, inclusive por este colunista que vos escreve.

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Estar rodeada apenas de amigos, pessoas que ela confia, sem transmissão ao vivo da Globo, e depois de ter ficado um tempo off-line foi o melhor caminho escolhido por Gkay. Ela estava inteira na festa, e curtindo cada segundo, segura de que havia pessoas que gostavam dela.

E o futuro da Farofa?

Ao fim de mais uma edição, é comum o questionamento: e agora, o que Gkay fará com a Farofa do próximo ano? Essa foi a última? A influenciadora merece descansar antes de tomar uma decisão. Há quem diga que o caminho é abrir o evento para o público e transformar a marca em algo ainda mais rentável, com a venda de ingressos.

Se Gkay vai seguir por esse caminho, não sabemos, mas, depois de ter vivido a experiência, posso dizer: vale a pena comprar ingresso se um dia isso for possível. E famoso ou anônimo, beije, aproveite, com a câmera desligada também.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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